Vogue Brasil
O Diabo Veste Prada 2 está de volta após 20 anos e, junto a uma das sequências mais aguardadas do cinema, veio também o retorno do suéter azul-cerúleo usado por Andy Sachs [Anne Hathaway], como contamos em conversa com a figurinista Molly Rogers. Mas como surgiu a ideia desta cena icônica em 2006? Em conversa com a Vogue Brasil, em Nova York, a roteirista Aline Brosh Mckenna revelou os bastidores e a influência de Meryl Streep, que interpreta a editora-chefe Miranda Priestly. A ideia, segundo ela, era mostrar que muito do que vestimos vem de “árbitros” que tomam decisões, como as revistas de moda. Mais sobre O Diabo Veste Prada “Meryl realmente queria expandir esse discurso, em que você mostra às pessoas a evolução de como um objeto ou uma estética pode ir de um grupo de criadores e chegar até os sapatos e as calças que você veste de manhã”, conta. Entre as três opções de azul que sugeriu (as outras eram azul-celeste e lápis-lazúli), ela diz que foi a atriz quem escolheu o cerúleo. “São levemente diferentes." Mckenna acrescentou que pensa na cena como uma ária em uma ópera. “A história tem que ser muito forte para parar e ser uma ária. A nossa esperança era que o público se envolvesse o suficiente com a história para parar por algo que realmente não tem reviravolta." O diretor David Frankel acrescenta: “Meryl teve o instinto de vestir uma modelo enquanto ela fazia o discurso. E assim, durante toda a cena, ela está muito ocupada. Isso cria uma energia, e algo está acontecendo, o que foi legal”. Questionado sobre a relação deles com a moda, Frankel brinca: “Aline é muito familiarizada. Eu me aventuro no mundo da moda uma vez a cada 20 anos". A roteirista logo o defende: “David sabe mais do que você imagina. Aliás, um dos momentos mais impressionantes foi quando a figurinista fez uma apresentação sobre a moda do filme, e o David interpretou para o estúdio. Eu fiquei: ‘Olha só ele!’”, conta. “Eu vejo da mesma forma que os esportes. Não sou bom nisso, mas adoro assistir", conclui o diretor. O enredo do filme foca nas mudanças no mercado de jornalismo e das revistas de moda, que tiveram que se adaptar à era digital, refletindo a transformação que, de fato, temos passado nos últimos anos. Tanto a roteirista quanto o diretor, filho de Max Frankel, que foi editor-executivo no jornal The New York Times, têm um breve histórico no jornalismo. Mckenna relembra que escreveu para a extinta revista George, lançada por John F. Kennedy Jr., e Frankel, para a Esquire. “Fiz um perfil do [tenista] John McEnroe. Eu sempre o comparo a Miranda Priestly porque ambos são ótimos no que fazem e eles também são conhecidos por serem grosseiros", diz. “Exigentes”, finaliza Aline, aos risos. David, que dirigiu o sucesso Marley & Eu, em 2008, e Aline, que assina o roteiro da comédia romântica Vestida para Casar, também de 2008, falaram como O Diabo Veste Prada impactou não só suas carreiras, mas suas vidas. “Tudo é pré e pós [o filme]. E também foi ótimo para meus pais poderem contar às pessoas o que eu fazia e elas entenderem", disse a roteirista. “Era meu primeiro grande filme de estúdio, e a gente nunca sabe se vai ter outra oportunidade de trabalho. E, felizmente, o filme encontrou um público e me permitiu ter uma carreira, fazer filmes e trabalhar com pessoas incrivelmente talentosas", conta David. O diretor David Frankel e roteirista Aline Brosh Mckenna Getty Images E como era o clima no set 20 anos depois? “Era muito divertido ir para o trabalho, para todos", disse David. “E acho que sentimos isso não apenas no set de filmagem, mas também quando fomos às ruas de Nova York e havia centenas, senão milhares de pessoas. Parecia que toda a comunidade estava abraçando a produção do filme, e esse calor foi inspirador e emocionante", complementa o diretor. No vídeo no YouTube, você assiste à entrevista na íntegra. Revistas Newsletter
Go to News Site