Jornal O Globo
O que era para ser uma viagem de descanso acabou se tornando uma nova experiência única de trabalho para o médico americano Stephen Kornfeld. Em 1º de abril, ele embarcou no cruzeiro polar MV Hondius para o que descreveu como “as férias dos sonhos”, mas acabou se tornando peça central no atendimento aos passageiros durante o surto de hantavírus que deixou ao menos três mortos no Atlântico. Brasil já registrou 7 casos de hantavírus em 2026; entenda Singapura testa duas pessoas para hantavírus após surto mortal em cruzeiro Com seis casos confirmados dos oito suspeitos no navio, o surto também atingiu o médico responsável pela embarcação, que partiu de Ushuaia, na Argentina. Com isso, Kornfeld precisou atuar para a recuperação dos passageiros infectados. O navio está previsto para chegar a Tenerife, nas Ilhas Canárias, neste domingo, levando cerca de 146 passageiros e tripulantes que ainda estão a bordo após passarem vários dias ancorados na costa de Cabo Verde. Os ministros da Saúde e do Interior espanhóis apoiarão a evacuação, que será coordenada pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus. À CNN, Kornfeld, que é oncologista, contou que se tornou "cuidador oficial do navio" por acaso. Ao saber que um dos turistas da embarcação tinha adoecido, ele ofereceu ajuda ao médico responsável. Com a morte do passageiro holandês em 11 de abril e o surgimento de outros casos de pessoas sintomáticas, o trabalho foi ficando mais intenso. “Ao longo de 12 a 24 horas, ficou claro que havia várias pessoas doentes e que seus estados de saúde estavam se agravando”, disse ele ao jornal. Ele relatou que a esposa do holandês falecido começou a apresentar sintomas "inespecíficos", com "muita confusão mental e fraqueza". Ela faleceu após ser evacuada do navio e levada a um hospital em Joanesburgo, na África do Sul. Kornfeld também contou que observava sintomas virais comuns nos passageiros, como febre, fadiga, rubor, desconfortos gastrointestinais e falta de ar. “Naquele momento, nenhum dos dois parecia estar gravemente doente. Mas o medo com o hantavírus é que a pessoa pode passar de gravemente doente para gravemente doente muito rapidamente", afirmou. Navio de cruzeiro MV Hondius Divulgação | Antarctica Cruises Autoridades de saúde em diversos países, incluindo os EUA, o Reino Unido e o Canadá, estão monitorando os tripulantes do Hondius, uma vez que o hantavírus costuma ter um período de incubação de uma a seis semanas antes que os pacientes comecem a apresentar sintomas. À KTVZ21, o oncologista contou que a pequena ajuda acabou culminando em jornadas de trabalho de até 18 horas. "Você está apenas tentando fazer o melhor que pode nas circunstâncias, com recursos um tanto limitados em um cruzeiro", disse. Stephen Kornfeld sentiu alívio ao ver que os passageiros doentes conseguiram ser evacuados para receber tratamento médico em ambiente hospitalar. “No caso do hantavírus, a taxa de sobrevivência depende muito da capacidade de receber cuidados médicos intensivos no momento certo. Em um barco, isso não seria possível", concluiu. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) classificou o episódio como resposta de emergência de “nível 3”, o menor grau de alerta sanitário da agência, embora autoridades internacionais reforcem que o risco de disseminação ampla permanece baixo.
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