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Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias, que se preparam para operação inédita | Collector
Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias, que se preparam para operação inédita
Jornal O Globo

Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias, que se preparam para operação inédita

As Ilhas Canárias se preparam para a chegada, neste domingo, do cruzeiro MV Hondius, foco de um surto de hantavírus que mobiliza autoridades de saúde de vários países. Ao mesmo tempo, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, desembarcou na Espanha para acompanhar pessoalmente a operação de evacuação dos cerca de 150 passageiros e tripulantes da embarcação. Alerta virologista: 'Os hantavírus são mais frequentes do que se imagina, mas seguem subnotificados' Hantavírus: O que se sabe sobre o surto que começou em cruzeiro no Atlântico Antes de seguir para Tenerife, Tedros tem encontro marcado neste sábado, em Madri, com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa. Depois, embarca para o arquipélago, onde supervisionará in loco o desembarque controlado do navio. Em mensagem aberta aos moradores das Canárias, o chefe da OMS buscou reduzir o temor de uma nova crise sanitária global. "Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo", escreveu. Initial plugin text Tedros reconheceu, no entanto, a gravidade da cepa detectada no navio — a variante Andes, única forma conhecida de hantavírus com registros de transmissão entre humanos em situações muito específicas de contato próximo. "Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo", afirmou. "Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos levianamente", acrescentou. Operação inédita e isolamento total O MV Hondius deve chegar entre a madrugada e o início da manhã de domingo ao pequeno porto industrial de Granadilla de Abona, em Tenerife, onde ficará fundeado — sem atracar diretamente. Galerias Relacionadas Segundo o governo espanhol, parte da tripulação permanecerá a bordo, assim como a bagagem dos passageiros e o corpo de uma das vítimas fatais, que segue no navio. Depois da operação, a embarcação continuará viagem para os Países Baixos, onde passará por desinfecção. O plano logístico montado pela Espanha é rigoroso. Primeiro, todos os passageiros serão examinados ainda a bordo. Depois, serão levados pelo Exército em uma embarcação menor até terra firme e transportados em ônibus "isolados da população" local até o aeroporto de Tenerife Sul, a poucos minutos dali, de onde seguirão em voos de repatriação. Os primeiros a desembarcar serão os espanhóis. Em seguida, grupos de outras nacionalidades embarcarão em voos organizados para Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos. Para cidadãos de países sem estrutura própria de evacuação, Madri negocia um plano conjunto com o governo holandês, a operadora Oceanwide Expeditions e a seguradora do navio. "O mecanismo elaborado impede qualquer contato com a população civil", reforçaram as autoridades espanholas. Moradores observam com cautela Nos últimos dias, a chegada do navio provocou apreensão entre moradores de Granadilla, especialmente pela lembrança ainda recente da pandemia de covid-19. Mesmo assim, o clima local mistura vigilância e rotina. "Acompanhamos as notícias porque temos o navio aqui a três quilômetros. Trabalho em várias áreas de Granadilla e preocupa que haja algum perigo, mais do que tudo para algum trabalhador, mas também não vejo as pessoas muito preocupadas, sinceramente", disse à AFP David Parada, vendedor de loteria da região. Segundo o balanço mais recente da OMS, há seis casos confirmados de hantavírus entre oito suspeitos. Três pessoas morreram — um casal de holandeses e uma mulher alemã. Outras três pessoas já haviam sido retiradas do navio em Cabo Verde na quarta-feira.

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