Jornal O Globo
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou, na tarde deste sábado, à ilha espanhola de Tenerife, parte das Ilhas Canárias, para supervisionar o desembarque dos passageiros do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus. A OMS considera todos os passageiros “contatos de alto risco”. A ministra espanhola da Saúde, Mónica García, anunciou que o navio deve chegar às Canárias entre 4h e 6h do horário local (00h e 02h no horário de Brasília). No local, no pequeno porto industrial de Granadilla de Abona, pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias expressaram sua "preocupação", seis anos após o início da pandemial de Covid que abalou o planeta. Tedros publicou mais cedo uma carta aberta aos habitantes das Canárias, na qual afirmou que os riscos representados pela chegada do navio são "baixos". "Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra Covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo", escreveu o chefe da OMS. No entanto, ele reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro "é grave". "Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. (Mas) o risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo. Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos levianamente", afirmou. No início da tarde e antes de viajar às Canárias, Tedros se reuniu com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez. Após esse encontro, Sánchez afirmou no X que aceitar o pedido da OMS e oferecer ao cruzeiro "um porto seguro” é “um dever moral e legal para com nossos cidadãos, a Europa e o direito internacional". As autoridades das Canárias se opuseram firmemente à atracação do MV Hondius, que finalmente ficará ancorado diante da costa antes das evacuações. Em Genebra, a diretora da OMS para Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, detalhou que todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contato de alto risco". Expectativa no porto Granadilla observava com certa incredulidade seu protagonismo nas notícias, enquanto mantinha o olhar voltado para o porto. Embora a imprensa local destaque a "máxima expectativa mundial" com a chegada do cruzeiro ao local, a alguns quilômetros do porto viam-se cenas habituais de um sábado: banhistas madrugadores, a feira ambulante e cafés da manhã no calçadão. — Acompanhamos as notícias porque temos o navio aqui a três quilômetros. Trabalho em várias áreas de Granadilla e preocupa que haja algum perigo, mais do que tudo para algum trabalhador, mas também não vejo as pessoas muito preocupadas, sinceramente — disse à AFP David Parada, vendedor de loteria na rua, impressionado com a quantidade de jornalistas na região. O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos, incluindo um casal de passageiros holandeses e uma alemã mortos por esse vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento. Três pessoas já haviam desembarcado em Cabo Verde na quarta-feira. Operação ‘inédita’ O MV Hondius, da operadora holandesa Oceanwide Expeditions, partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. — A possibilidade de contágio em Ushuaia é praticamente nula — garantiu na sexta-feira Juan Petrina, diretor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província da Terra do Fogo. As autoridades espanholas explicaram que os passageiros evacuados serão examinados primeiro a bordo e, depois, o Exército os transferirá para terra firme em uma embarcação menor para, em seguida, colocá-los em ônibus "isolados da população" local até o aeroporto de Tenerife Sul, situado a cerca de dez minutos, para serem repatriados de avião a seus países de origem. O ministro do Interior especificou que primeiro desembarcarão os espanhóis e, depois, seguirão grupos por nacionalidade, desde que o avião esteja pronto para repatriá-los em voos previstos para os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos. Para os passageiros de países "que não fazem parte da União Europeia e não dispõem de meios aéreos para garantir a repatriação de seus cidadãos", as autoridades espanholas "estão preparando um plano" em coordenação com os Países Baixos, o armador e a seguradora do navio, detalhou Fernando Grande-Marlaska em uma coletiva de imprensa. O mecanismo elaborado "impede qualquer contato com a população civil", "não haverá nenhum contato com pessoal civil", ressaltou o ministro. Enquanto isso, o sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS, anunciou que cerca de vinte britânicos que estão no cruzeiro serão colocados em quarentena em um hospital perto de Liverpool, na Inglaterra. Após a evacuação dos passageiros, embarcação seguirá para os Países Baixos, onde o governo será responsável por todo o processo de desinfecção, confirmou por sua vez o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
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