Collector
A vitória de Nigel Farage | Collector
A vitória de Nigel Farage
Revista Oeste

A vitória de Nigel Farage

Nas eleições municipais realizadas na Inglaterra na última quinta-feira, o Reform UK, partido de Nigel Farage, obteve uma vitória que a imprensa progressista britânica — e seu eco fiel na mídia brasileira — tratou com o vocabulário habitual: “avanço da extrema-direita”, “ameaça à democracia”, “populismo”. São os mesmos termos com que a mesma imprensa descreveu o Brexit em 2016, a eleição de Trump em 2016 e em 2024, e cada manifestação eleitoral em que o povo ocidental teve a impertinência de votar contra as preferências de seus tutores intelectuais. A repetição do repertório não o torna mais preciso, apenas mais revelador da incapacidade estrutural de quem o emprega de compreender o que se passa diante dos próprios olhos. O que se passa é simples, e por isso mesmo insuportável para a classe que governa a narrativa: o povo britânico está farto. Farto de um Partido Conservador que, em 14 anos no poder, conservou tão pouco que chegou a ser substituído por um Partido Trabalhista de extrema-esquerda sem que a maioria dos eleitores sentisse qualquer diferença substantiva de projeto civilizacional. Farto de fronteiras que existem no papel e se dissolvem na prática. Farto de cidades inglesas em que a sharia avança não pela força, mas pela omissão sistêmica de autoridades aterradas diante da acusação de “islamofobia” — uma pecha que, no léxico do globalismo progressista, funciona como a fórmula mágica capaz de paralisar qualquer instinto de autopreservação cultural. Farto, em suma, de uma bipolaridade política esgotada que, alternando-se no poder com a regularidade das marés, produziu o mesmo resultado: a erosão silenciosa da soberania britânica, entregue fatia por fatia a Bruxelas enquanto durou, e agora entregue, peça por peça, à ideologia que sobreviveu ao Brexit porque jamais residiu nas instituições europeias — residia, e reside, nas cabeças dos que as dirigem. Há algo que as elites políticas e culturais europeias até agora não perceberam: os críticos do globalismo nunca recusaram a integração econômica entre nações, mas a concentração de poder político em instâncias supranacionais que não prestam contas a ninguém, que legislam sem mandato e que tratam a soberania popular como um obstáculo a ser contornado por etapas suficientemente discretas para não provocar “grandes rebeliões” e “gritos de protesto”, na confissão memorável de Jean-Claude Juncker , ex-presidente da Comissão Europeia. Farage não é um xenófobo que odeia estrangeiros: é um inglês que não quer ser governado por quem não elegeu — e que percebeu, antes da maioria, que o Partido Conservador havia abandonado essa causa com a mesma discrição com que Juncker recomendava avançar o globalismo. Nigel Farage virou algoz dos "intelectuais" A imprensa que descreve essa postura como “extremismo” é a mesma que guarda silêncio sobre as grooming gangs de Rotherham, Rochdale e Oxford — escândalos de abuso sexual sistemático de meninas britânicas, perpetrados por décadas por redes de homens de origem paquistanesa, encobertos por autoridades locais que temiam ser acusadas de racismo mais do que sentiam obrigação de proteger as vítimas. É a mesma que classifica de islamofobia qualquer análise do avanço de uma concepção de ordem pública incompatível com os fundamentos da civilização inglesa. E é a mesma que, agora, ergue as sobrancelhas diante dos resultados eleitorais de quinta-feira, como se o voto de milhões de britânicos fosse um acidente de percurso e não a resposta lógica, tardia e ainda assim democrática, a décadas de arrogância bem-educada. Nigel Farage não salvou a Inglaterra. Ninguém sabe se alguém ainda pode fazê-lo. Mas foi ele quem fez a pergunta que a bipolaridade conservador-trabalhista recusava formular: a quem pertence este país? Que milhões de ingleses tenham respondido às urnas sugere que a resposta ainda não foi inteiramente esquecida. + Curiosidades sobre o Mundo https://www.youtube.com/watch?v=ZDmKK1TMh7c O post A vitória de Nigel Farage apareceu primeiro em Revista Oeste .

Go to News Site