Jornal O Globo
As mudanças provocadas pela gestação sempre fizeram parte da experiência física da maternidade, mas nos últimos anos a estética pós-parto passou a se concentrar menos na perda de peso e mais na recuperação da pele. Flacidez abdominal, textura da pele, braços e parte interna das coxas começaram a ganhar protagonismo entre mulheres que procuram tratamentos mais discretos e regenerativos após a gravidez. Dentro desse movimento, os bioestimuladores de colágeno passaram a ocupar espaço crescente em protocolos voltados à flacidez corporal. O avanço acompanha uma mudança importante na estética pós-parto, que deixa de focar apenas em mudanças drásticas e passa a priorizar firmeza, textura e recuperação gradual da pele. Embora consensos médicos internacionais já discutam o uso corporal de bioestimuladores em regiões como abdômen, braços, colo e coxas, a própria literatura científica ainda reconhece a ausência de pesquisas específicas envolvendo mulheres no puerpério e durante a amamentação. Na prática, o mercado da estética pós-parto começou a avançar mais rápido do que a produção científica sobre segurança e protocolos voltados a esse público. Pós-parto Freepik Segundo Bernardo Magalhães, da Harmonize Gold, marca especializada em bioestimuladores de colágeno, a procura por tratamentos regenerativos no pós-parto cresceu porque muitas mulheres passaram a buscar alternativas mais graduais antes mesmo de considerar procedimentos invasivos. “Hoje existe uma preocupação muito maior com flacidez, principalmente no abdômen e nos braços. Muitas pacientes procuram tratamentos progressivos porque querem recuperar firmeza e aparência saudável da pele sem a sensação de transformação extrema do corpo”, explica. Ao mesmo tempo, o pós-parto continua sendo um dos territórios mais delicados da medicina estética justamente pela escassez de estudos específicos envolvendo lactantes e puérperas. Alterações hormonais, amamentação e recuperação fisiológica fazem com que os tratamentos precisem ser conduzidos com cautela e avaliação individualizada. Para a médica Nívea Bordin Chacur, CEO das Clínicas Leger no Brasil, esse crescimento também já é percebido dentro das clínicas, principalmente entre mulheres que procuram tratamentos menos agressivos para lidar com mudanças corporais após a gestação. Segundo ela, o aumento da demanda exige cuidado justamente porque a ciência ainda acompanha esse movimento de longe. “Existe uma busca crescente por tratamentos voltados à firmeza da pele no pós-parto, mas ainda há pouca literatura específica sobre bioestimuladores nesse período. Isso faz com que cada indicação precise respeitar o momento hormonal e fisiológico da paciente, principalmente durante a amamentação. O corpo pós-gestação passou a ser visto de forma mais ampla pelas pacientes, mas a recuperação precisa acontecer no tempo de cada mulher”, conclui.
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