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Paes faz alianças com clãs alvos da Justiça para ter palanque no interior do Rio e neutralizar PL de Ruas | Collector
Paes faz alianças com clãs alvos da Justiça para ter palanque no interior do Rio e neutralizar PL de Ruas
Jornal O Globo

Paes faz alianças com clãs alvos da Justiça para ter palanque no interior do Rio e neutralizar PL de Ruas

Em busca de apoios para sua pré-candidatura ao governo estadual, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) vem costurando alianças com políticos condenados em processos criminais e eleitorais. A lista de novos aliados de Paes inclui os clãs Cozzolino, de Magé, e Reis, de Duque de Caxias, além do ex-prefeito cassado de Três Rios, Joa Barbaglio. Em reuniões com esses políticos, Paes tem prometido apoiá-los em suas candidaturas ao Legislativo. Leia também: Flávio Bolsonaro busca se distanciar de Ciro Nogueira tenta colar Master no PT Ação e reação: Após Moraes suspender lei da dosimetria, oposição mira resposta no Congresso e base de Lula comemora Na última terça-feira, por exemplo, Paes esteve em Magé com o deputado estadual Vinicius Cozzolino, recém-filiado ao PSD, e também sinalizou apoio a seu primo, Renato Cozzolino (DC), que deve concorrer a deputado federal. Renato se elegeu em 2020 à prefeitura, e no início do ano transmitiu o cargo à vice-prefeita Jamille Cozzolino, sua irmã, que também participou de encontros com Paes na semana passada. O ex-prefeito chegou a ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político. O Ministério Público (MP) Eleitoral acusou Renato de usar ações do governo estadual, como exames de vista gratuitos e emissão de documentos, para alavancar sua candidatura, vinculando indevidamente os serviços prestados à sua própria imagem. Morte de JK: Novo relatório contradiz versão de acidente e diz que ex-presidente foi assassinado Renato, porém, se livrou da inelegibilidade às vésperas da eleição de 2024, graças a uma decisão monocrática do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) . Já a tia de Renato e de Vinicius, a também ex-prefeita Nubia Cozzolino, ainda responde a uma ação criminal por desvio de documentos públicos da prefeitura de Magé — ela foi presa em 2018 e 2019, devido a investigações do Ministério Público estadual por supostas irregularidades na prefeitura. Nubia, porém, tem sinalizado apoio a uma candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), rival de Paes. Nova geração Procurado, Vinicius disse que se aproximou de Paes por “projetos políticos em comum” para a Região Metropolitana, e lembrou ter rompido com seu antigo partido, o União Brasil, porque ficou contra a soltura do ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) Rodrigo Bacellar (União), preso por suposto envolvimento com facções criminosas. — É claro que tenho aliança com meus primos Renato e Jamille, mas tenho trajetória própria. Sou de uma nova geração de políticos — argumentou o deputado. Outra prima de Vinicius e de Renato, Marcelle Cozzolino, foi nomeada em março como “assistente de operações” na PortosRio. A autoridade portuária, que é parte da estrutura do governo federal no Rio, está hoje sob influência do ex-prefeito de Belford Roxo — e pré-candidato ao Senado — Waguinho (Republicanos), também aliado de Paes. Na semana passada, o presidente da PortosRio, Flávio Vieira, nomeado ao cargo com aval de Waguinho, indicou que vai promover Marcelle para o posto recém-criado de “gerente de licitações”. Outra aliança anunciada por Paes, durante viagem a Três Rios em abril, foi com o ex-prefeito Joacir Barbaglio, o Joa, cassado pelo TSE no ano passado. No encontro, Paes anunciou apoio à candidatura de Joa a deputado federal, embora ele esteja inelegível até 2027. Joa foi condenado pela Justiça Eleitoral com base em uma decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), de março de 2019. O TCE apontou que, ao presidir a Câmara de Vereadores de Três Rios, Joa reajustou os salários do Legislativo municipal acima do limite legal. A sentença apontou que os reajustes provocaram “dano ao erário”, e que o próprio Joa “foi beneficiado pelo pagamento ilegal de valores”. Em casos como o dele, a Lei da Ficha Limpa prevê inelegibilidade “nos oito anos seguintes” à condenação pelo tribunal de Contas. No mês passado, porém, Paes disse que “oficialmente declara Joa” pré-candidato a deputado federal. — Hoje a eleição do Joa é uma necessidade para o nosso estado e para a representação de todos nós — declarou Paes no evento. Outro político inelegível que está próximo de Paes é o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), condenado no STF por crime ambiental, mas que vem se escorando em recursos para evitar o cumprimento da pena. Em fevereiro, Reis indicou sua irmã, Jane, para ser candidata a vice-governadora na chapa de Paes. Jane Reis (ao fundo), anunciada pré-candidata a vice na chapa de Eduardo Paes, é irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (à esquerda), condenado pelo STF Reprodução/Redes sociais Disputa por apoios Desde então, Paes vem participando de uma série de agendas com a família Reis. Anteontem, ele e a futura vice participaram de um encontro com outro sete prefeitos da Região Metropolitana. Na semana passada, Paes esteve num “passeio ciclístico” em Duque de Caxias com Jane e Washington Reis. Procurado, Paes não retornou os contatos do GLOBO. A movimentação de Paes ocorre em meio a uma queda de braço com o atual presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), também pré-candidato ao governo, pelo apoio do maior número de prefeitos no estado. Ruas também vem fazendo incursões no interior do estado, e tem citado obras realizadas pela secretaria de Cidades, pasta que chefiou no governo estadual, para atrair declarações de voto dos gestores municipais. Paes, por sua vez, tem apostado em nomes recém-filiados ao PSD, como os deputados estaduais Vinicius Cozzolino e André Corrêa e o ex-deputado Christino Áureo, para abrir portas à sua pré-candidatura fora da capital.

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