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'Os testamentos: Das filhas de Gilead' é ótimo lançamento da Disney+. Saiba por que razões | Collector
'Os testamentos: Das filhas de Gilead' é ótimo lançamento da Disney+. Saiba por que razões
Jornal O Globo

'Os testamentos: Das filhas de Gilead' é ótimo lançamento da Disney+. Saiba por que razões

Clica aqui pra me seguir no Instagram Quando “The Handmaid’s tale” estreou, em 2017, Donald Trump tinha acabado de assumir o primeiro mandato e o direito das mulheres ao aborto estava em discussão. A série, uma ficção, retratava um regime autoritário e um ambiente misógino. A sintonia entre a adaptação da obra de Margaret Atwood e a realidade ajudou a produção, que logo se transformou num fenômeno cultural. Os mantos vermelhos com as toucas brancas das personagens viraram um símbolo de protestos nos EUA. Por aqui, inspiraram até fantasias de carnaval. Depois de seis temporadas, entretanto, a trama chegou ao fim com muitos sinais de cansaço e sem o brilho do início (crítica aqui). Agora, Trump voltou à presidência e o mundo não para de piorar. E a Disney+ acaba de lançar “Os testamentos: Das filhas de Gilead”. O leitor encontra sete episódios disponíveis na plataforma — serão dez no total. A nova aventura surpreende. Há conexões entre os enredos, mas não espere ver simplesmente uma sétima temporada de “Handmaid’s ”. Essa estreia tem frescor. Recomendo. Os testamentos Disney Cinco anos se passaram entre uma história e outra, mas as ideias obscurantistas da época da fundação de Gilead continuam na base daquela sociedade. O conservadorismo e o fanatismo religioso impulsionam todos os conflitos. A ação se desenrola num internato de meninas de elite, filhas de comandantes. Tia Lydia (Ann Dowd) dirige a instituição com mão de ferro. O hall de entrada da escola é dominado por uma estátua dela em tamanho gigante. As alunas estudam para no futuro serem “boas esposas”, e assim reproduzirem esse sistema opressor. Tia Lydia (Ann Dowd)/Os testamentos Disney De longe, Gilead não entrega os seus horrores. A fotografia é linda e os planos abertos são espetáculos dramáticos. Vemos as cores bonitas dos figurinos e cenários, as personagens organizadas em filas, e o sol invadindo tudo. A paleta de cores é outra. As roupas vermelhas das aias sumiram. Quem ainda não menstruou usa uniforme rosa, às adolescentes cabe o tom ameixa, e as alunas consideradas prontas para o casamento se vestem de verde. Uma das protagonistas é Agnes MacKenzie (Chase Infiniti), filha de um líder de Gilead. A outra é Daisy (Lucy Halliday), que veio do Canadá. Ambas estão estupendas e têm grande química. A ligação delas é a expressão concreta da parábola política que puxa o enredo. June (Elisabeth Moss) ressurge (leia aqui uma entrevista que fiz com ela sobre a série). Daisy/Lucy Halliday/Os testamentos Disney No terceiro episódio, Daisy lembra seu passado numa narração. A personagem conta que em Toronto as crianças estudam o surgimento de Gilead: “Há quem diga que o totalitarismo surgiu de repente, mas houve sinais. Parlamentares falavam coisas horríveis sobre mulheres. Mesmo assim foram eleitos, porque o povo achou que eram exageros retóricos. Agora, elas não podem dirigir, ler livros e ter telefones”. “Os testamentos” encanta tanto quanto “Handmaid’s” e é tão atual quanto ela foi quando chegou arrebatando o público.

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