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Lula em Washington e a teoria agrícola do narcotráfico
Revista Oeste

Lula em Washington e a teoria agrícola do narcotráfico

Aliviado por ter conseguido escapar de ser pressionado por Trump diante das câmeras, o Descondenado-em-chefe julgou ter resolvido definitivamente o problema do narcotráfico mundial. Do lado de fora da Casa Branca, ele estava pimpão o bastante para partilhar com os repórteres o fruto de sua reflexão: “Como que você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?” E acrescentou, para que não restasse dúvida sobre a profundidade da análise: “Temos que incentivar o plantio de outras coisas e sermos os compradores para que as pessoas possam sobreviver.” Em benefício do mandatário brasileiro, há que se reconhecer que, apesar de estúpida, a ideia não é propriamente nova. Ela tem aproximadamente 50 anos, é denominada “desenvolvimento alternativo” em documentos da ONU, e chegou a ser mais ou menos testada na Bolívia, no Peru, na Colômbia e no Afeganistão com resultados que vão do modesto ao catastrófico. Nos meios frequentados pelos salvadores profissionais da humanidade, em fóruns especializados e encontros transnacionais, a ideia é debatida com alguma atenção desde, ao menos, a Convenção de Viena de 1988. Mas é claro que o marido da Janja a apresentou como um insight luminosos todo seu, com aquela desenvoltura particular de quem confunde a própria ignorância com ineditismo. O problema, todavia, não é apenas a falta de originalidade. É a arquitetura moral do argumento. Pois, traduzido do eufemismo para o português claro, o que se está dizendo com isso é o seguinte: o narcotraficante é, no fundo, uma vítima das circunstâncias econômicas, e a solução para o narcotráfico é oferecer-lhe uma alternativa de renda. O PCC, o Comando Vermelho e o Cartel de Sinaloa são, nessa cosmologia, cooperativas agrícolas que tomaram o caminho errado por falta de crédito rural. Basta um bom programa de substituição de cultivos — e, quem sabe, um fundo internacional gerido por um “grupo de trabalho” proposto pelo próprio Lula — para que os sicários depositem as armas e passem a cultivar quinoa. Trata-se da velha e surrada teoria esquerdista da causa social da criminalidade. https://www.youtube.com/watch?v=9WTwafbMZ4U O que diz Lula O argumento tem uma elegância peculiar: é simultaneamente falso, irresponsável e conveniente. Falso, porque o narcotráfico não é um problema de oferta agrícola, mas de demanda química e de poder criminoso armado — poder que, no Brasil, o governo lulopetista recusa-se a classificar como terrorismo. Irresponsável, porque legitima, com a autoridade de um chefe de Estado , a narrativa vitimista que os próprios cartéis usam para recrutar. E conveniente, porque desloca o foco da repressão – que exigiria do governo brasileiro decisões politicamente custosas — para o desenvolvimento, que exige apenas retórica e, eventualmente, dinheiro alheio. O Descondenado-em-chefe saiu de Washington dizendo ter dado “um passo importante”. O governo norte-americano, por seu lado, não comentou a teoria agrícola do narcotráfico. Quem sabe não está planejando um vultoso investimento em sementes de tomate, mamão e grão-de-bico nas selvas de Colômbia, Bolívia e Peru? + Entenda o que é Política em Oeste O post Lula em Washington e a teoria agrícola do narcotráfico apareceu primeiro em Revista Oeste .

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