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A imutável missão de ser mãe | Collector
A imutável missão de ser mãe
Revista Oeste

A imutável missão de ser mãe

"A maternidade contém em si uma comunhão especial com o mistério da vida, que amadurece no seio da mulher." São João Paulo II Na Basílica de São Pedro, uma das quatro Pietàs de autoria de Michelangelo é uma das obras de arte mais importantes da história. Esta escultura renascentista transcende a estética para se tornar um manifesto silencioso, mas contundente, dedicado à própria condição humana da qual faz parte o sofrimento. Além disso, a obra revela, sobretudo, a magnitude da natureza feminina. De acordo com a leitura da obra como simbologia, lançando mão da semiótica, percebe-se que Maria e o Jesus morto são a própria cruz — a escultura, portanto, é a síntese do último momento terreno e do sacrifício do filho de Deus pela humanidade. Na estrutura da composição, a figura da Virgem é o eixo vertical: o pilar que sustenta a dor sem se curvar a ela. Michelangelo não esculpiu uma mulher desolada; o que se percebe é a face serena que carrega no olhar a certeza de quem aceita o propósito de sua missão como a mãe do salvador. Com efeito, ela é a protagonista que, mesmo sob a pressão da angústia, mantém a integridade da estrutura física e emocional. Michelangelo, com a sensibilidade típica de um magnífico artista, compreendeu que só a mulher possui a resignação necessária para suportar o peso da morte do próprio filho em seu colo. Michelangelo demonstra sua sensibilidade artística também na interpretação ao usar o contraste de uma mensagem de natureza teológica: ao esculpir Maria com um semblante etéreo e divino, ele alcançou a mais pura representação do amor incondicional e sagrado. Sendo assim, Nossa Senhora é apresentada como um ser que transcende o tempo e a matéria, uma figura cuja beleza espiritual sustenta a cena atraindo o nosso olhar. Michelangelo não esculpiu uma mulher desolada; o que se percebe é a face serena que carrega no olhar a certeza de quem aceita o propósito de sua missão como a mãe do salvador | Foto: Divulgação/Francisco Lauande Junior Na estrutura da composição, a figura da Virgem é o eixo vertical: o pilar que sustenta a dor sem se curvar a ela | Foto: Divulgação/Francisco Lauande Junior A genialidade de Michelangelo O corpo de Jesus é uma fiel representação da finitude humana: um corpo esquálido, entregue à gravidade que, marcado pela palidez do mármore, evoca o derradeiro momento de todos nós mortais — Cristo assumiu a nossa fragilidade física até as últimas consequências. A Pietà é o encontro do humano, que sempre padece, com o divino, que nunca perece. A outra lição que a obra do artista renascentista nos oferece é de que a maternidade não é um mero “papel social” que se possa assumir por pura vontade ou por decreto; é uma constituição biológica primordial e espiritual. O artista sabia que o colo que acolhe o sacrifício só poderia ser aquele que um dia o gerou em seu próprio ventre. O que se revela de forma premeditada na obra não é a força muscular ou o vigor físico associado à masculinidade, e sim a resiliência profunda da “fundação” feminina — uma base projetada pela própria natureza para gerar, acolher e proteger. Afirmar, portanto, que a condição feminina é uma “construção social” é ir contra a criação em seus sentidos biológico e espiritual. O corpo de Jesus é uma fiel representação da finitude humana: um corpo esquálido, entregue à gravidade que, marcado pela palidez do mármore, evoca o derradeiro momento de todos nós mortais | Foto: Divulgação/Francisco Lauande Junior Sendo assim, Nossa Senhora é apresentada como um ser que transcende o tempo e a matéria, uma figura cuja beleza espiritual sustenta a cena atraindo o nosso olhar | Foto: Divulgação/Francisco Lauande Junior Michelangelo demonstra sua sensibilidade artística também na interpretação ao usar o contraste de uma mensagem de natureza teológica | Foto: Divulgação/Francisco Lauande Junior Michelangelo não esculpiu uma mulher desolada; o que se percebe é a face serena que carrega no olhar a certeza de quem aceita o propósito de sua missão como a mãe do salvador | Foto: Divulgação/Francisco Lauande Junior A beleza de Pietà Outra verdade fundamental dessa Pietà nos sussurra que ninguém caminha na vida sozinho. Ao sustentar o filho em seu colo, a obra nos faz lembrar que Jesus, em sua jornada, está muito longe de ser uma mera abstração, mas um homem que, como todos nós, teve mãe e pai. A escultura celebra, portanto, de certa maneira, a família, e nos faz lembrar de que até mesmo Jesus Cristo precisou do amparo de uma estrutura familiar para cumprir sua missão. Assim, a força central de Maria, como a de todas as mães, é a que, de fato, protege e educa. Enaltecer a maternidade, portanto, é reconhecer essa ação instintiva e divina que os esquerdistas tentam, em vão, ignorar. No Dia das Mães, é celebrado o insuperável papel das mulheres como alicerce da família. A elas, deve-se o reconhecimento por proporcionarem o direito sagrado à vida. Enquanto o mundo se perde em abstrações delirantes, a Virgem Maria permanece inabalável na dureza do mármore para sempre nos fazer compreender o quanto a resiliência é um atributo feminino singular. A obra de Michelangelo é um símbolo da força da maternidade que ideologia alguma será capaz de vergar. O pseudofeminismo esquerdista, orientado por uma dissonância cognitiva deletéria, nega a natureza feminina que de maneira falaciosa diz proteger. Defender a mulher não é uma questão de “lugar de fala”, e sim de empatia, de quem tem ou teve mãe, ou de quem tem a sensibilidade necessária para compreender a magnitude da natureza feminina, primordial na estrutura familiar. Feliz Dia das Mães! Nota de rodapé: Em 1972, a Pietà sofreu um grave atentado que resultou em danos significativos à face e ao braço da Virgem. A meticulosa restauração que devolveu à obra sua integridade original foi coordenada pelo brasileiro, nascido no Pará, Deoclecio Redig de Campos, então diretor dos Museus Vaticanos. O trabalho é considerado até hoje um marco mundial na conservação e restauração de bens culturais. (*) Por Francisco Lauande Junior O post A imutável missão de ser mãe apareceu primeiro em Revista Oeste .

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