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Milky era: por que as notas leitosas viraram a obsessão atual da perfumaria? | Collector
Milky era: por que as notas leitosas viraram a obsessão atual da perfumaria?
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Milky era: por que as notas leitosas viraram a obsessão atual da perfumaria?

Em um contexto de beleza dominado por texturas indulgentes, skincare glazed e estéticas que evocam acolhimento e nostalgia, era apenas uma questão de tempo até o leite invadir também a perfumaria. Nos últimos anos, fragrâncias com acordes lactônicos, aquelas que remetem à cremosidade dos laticínios, da pele hidratada ou de sobremesas delicadas, deixaram de ser nichadas para se tornar uma das maiores tendências olfativas. O movimento acompanha uma transformação cultural mais ampla. Desde o lançamento do Milky Jelly Cleanser, da Glossier, e da Milk Makeup, ambos em 2016, o imaginário leitoso passou a dominar a maquiagem, o skincare, o bodycare e até a manicure. Produtos como o Glazing Milk, da Rhode, o Leite Hidratante Firmador, da linha Amande Sublime, da L'Occitane en Provence, e os milky toners coreanos reforçaram essa estética sensorial, que mistura autocuidado com uma ideia quase afetiva de maciez. Na perfumaria, o fenômeno ganha força em um momento em que o mercado parece pronto para trocar o excesso gourmand açucarado por construções mais cremosas, envolventes e intimistas. Glazing Milk, Rhode Reprodução Luciana Knobel, vice-presidente de criação de fragrâncias finas para a América Latina na Symrise, explica que o crescimento desse perfil olfativo está muito ligado à busca do consumidor contemporâneo por experiências sensoriais que transmitam bem-estar, conforto, suavidade e escapismo. "Tudo isso revela um desejo por perfumes mais táteis, aconchegantes e 'skin scents', um efeito quase cremoso de pele hidratada e cuidada", pontua a especialista. Saiba mais No entanto, embora a estética pareça nova, os acordes lactônicos existem há décadas, como acrescenta Luciana: "Não é uma tendência recente. Noa, de Cacharel, lançado em 1998, já explorava um floral cremoso delicado. Cashmere Mist, de Donna Karan, também trabalhava esse efeito segunda pele”. Noa, de Cacharel, lançado em 1998 Reprodução Cashmere Mist, de Donna Karan Reprodução A avaliadora olfativa Alessandra Tucci explica que quando se fala em fragrâncias leitosas, fala-se também de matérias-primas que ajudam nessa conotação de maciez e conforto. Segundo a especialista, que também é fundadora da Paralela Escola Olfativa, esse efeito pode nascer de diferentes construções: “É possível ter um floral mais lactônico, um amadeirado mais cremoso, uma fruta cremosa ou um gourmand lactônico também”. Entre os ingredientes mais usados, no entanto, estão as flores brancas, o musk e, principalmente, o sândalo, "a madeira mais cremosa da perfumaria", afirma. O resultado é diferente do gourmand tradicional que dominou os anos 2000 e viveu uma ascensão recente. “A principal diferença está na cremosidade”, justifica Alessandra. “No gourmand clássico, como o Angel [o primeiro da história, lançado em 1992 por Thierry Mugler] você tem um açúcar caramelizado mais evidente. Agora, estamos vendo uma evolução das vanillas: menos açúcar óbvio e mais textura leitosa”. Miu Miu Fleur De Lait, com notas de manga madura, osmanthus e leite de coco Reprodução Esse deslocamento acompanha uma busca crescente por perfumes menos expansivos e mais íntimos. Em vez da projeção explosiva, entram em cena fragrâncias que parecem abraçar a pele. “O luxo atual não está apenas na opulência”, observa Luciana. “Ele está na textura, na emoção e na sensação tátil que um perfume desperta”. Segundo ela, quando bem executadas, as notas leitosas criam uma “sensualidade silenciosa”. Acontece que construir uma fragrância leitosa sem torná-la excessivamente doce exige precisão técnica. “O maior desafio é dosar as notas adocicadas mantendo frescor e difusão”, pondera a VP da Symrise. Para isso, a estrutura olfativa precisa funcionar em camadas: brilho na saída, delicadeza floral no corpo e conforto no fundo. Noor, de Riiffs Perfumes, com leite, lírio-do-vale e pralinê Divulgação Além da técnica, existe também um componente emocional (e até biológico!) por trás do fascínio pelas notas leitosas. “Nossa biblioteca olfativa é formada pelas experiências que vivemos com os cheiros”, diz Alessandra. “E o cérebro humano costuma registrar essas sensações cremosas como algo positivo". Em conversa com a Vogue, a especialista ainda cita que estudos científicos recentes identificaram traços de vanilina, composto presente na vanilla, no leite materno. “Ou seja, há uma biologia envolvida nessa preferência por esse tipo de textura sensorial”, afirma. Revistas Newsletter Entre as novidades recém-lançadas no Brasil estão o Miu Miu Fleur De Lait, com notas de manga madura, osmanthus e leite de coco, e o Noor, de Riiffs Perfumes, com leite, lírio-do-vale e pralinê. À lista acrescentam-se o Creamy Pistachio, de Gulf Orchid, com base de baunilha, leite e almíscar, a fragrância Virgin Island Water, de Creed, com frutas tropicas e leite de coco, e o Éclaire, da Lattafa, que combina o leite com açúcar e caramelo, além do Mist Perfumado Corpo e Cabelo Amande Sublime, de L’Occitane en Provence, com leite de amêndoas. Mist Perfumado Corpo e Cabelo Amande Sublime, de L’Occitane en Provence Divulgação Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!

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