Jornal O Globo
Uma das estradas mais importantes do Rio, a BR-101 Norte, que vai de Niterói à divisa com o Espírito Santo, terá sua modernização retomada, após anos de obras paralisadas. O ministro dos Transportes, George Santoro, assina hoje a ordem de serviço para o começo das melhorias, com foco em ampliar a capacidade da rodovia e destravar gargalos, como na saída da Ponte Rio-Niterói e na região de Manilha. Ao GLOBO, ele detalha as intervenções. A BR-393: a Rodovia do Aço, virou alvo de muitas reclamações por causa de buracos e falta de sinalização O preço da imprudência: alto número de acidentes com motos atrasa cirurgias eletivas e afeta estoques de sangue Entre as mais importantes, está o restabelecimento da implantação de uma terceira faixa em ambos os sentidos do trecho conhecido como Niterói-Manilha. Parte das novas pistas chegou a ter a construção iniciada em 2019, mas parou no ano seguinte, segundo a concessionária Arteris alegou na época, devido a questões de segurança. Desde então, a gestão da via passou por crises, até uma licitação de repactuação do contrato, em novembro do ano passado, em que a própria Arteris foi a única interessada. Com isso, segundo o ministro, o contrato otimizado da concessão a ser firmado hoje prevê R$ 10,18 bilhões em investimentos ao longo de 322 quilômetros. Santoro promete ainda reforço no combate a assaltos na rodovia, com monitoramento integral por câmeras integradas às forças de segurança, além de drones, leitura automática de placas e cobertura de internet 4G em toda a via. No novo modelo, se a concessionária não cumprir o acordado, são previstas punições automáticas, como descontos no pedágio. Após a assinatura da ordem de serviço da BR-101, quais obras serão iniciadas logo? Começam amanhã as obras de duplicação da pista de Macaé a Rio das Ostras (50 quilômetros entre os dois municípios) e também a instalação de uma terceira faixa, dos dois lados, de Niterói até Itaboraí (23 quilômetros em cada sentido), aliviando o engarrafamento de saída e chegada da Ponte Rio-Niterói. Iniciamos ainda a recuperação total do pavimento, da saída da Ponte até Campos dos Goytacazes, em um prazo de três anos. São mais de 300 quilômetros. Não adianta fazer só tapa-buraco. Estamos falando de quase R$ 5 bilhões só nessa primeira fase. A longo prazo, queremos dar uma solução definitiva para os contornos de Itaboraí e de Campos. Já no ano que vem, porém, nos antecipamos e vamos aplicar multifaixas em Campos, para resolver o problema (de congestionamentos) na entrada da rodoviária da cidade. Sabemos que não resolve, mas vai melhorar. Um dos principais problemas da BR-101, principalmente na altura de São Gonçalo, é a insegurança. O que está sendo planejado? Esta será minha primeira conversa do dia com o governador (em exercício do Rio, Ricardo Couto) nesta segunda-feira. Vou pedir apoio integral da segurança pública para garantir que as obras não sofram interrupções, como aconteceu no passado. Toda a BR-101/RJ será monitorada por câmeras integradas à Polícia Rodoviária Federal. Vamos fazer convênios com as forças de segurança estaduais e municipais. Não haverá um trecho que não será filmado. Já estamos implantando isso em outras vias, como na BR-040, na BR-101, em direção a Angra dos Reis, e na Dutra. George Santoro, ministro dos Transportes Gabriel Reis/Valor/11-12-25 Como esse sistema vai funcionar? A concessionária será obrigada a garantir internet 4G em toda a estrada. Com isso, teremos drones, câmeras e monitoramento integrado, além de todo um aparato da concessionária. O centro de controle da rodovia vai funcionar como um grande centro de operações integrado às forças de segurança, parecido com o implementado pelo governo federal na Olimpíada de 2016. As câmeras terão leitura automática de placas. Se um carro roubado no Rio passar pela rodovia, ele será identificado imediatamente. Há outras medidas previstas? Estamos implantando pontos de parada para caminhoneiros e incentivando o modelo de pedágio free flow, sem praça física, para evitar pontos de parada e situações de vulnerabilidade. Também teremos ambulâncias, equipes móveis e resgate. Dependendo da distância, o atendimento pode chegar em menos de 30 minutos. A concessionária não terá mais áreas mortas sem monitoramento. O que significa esse modelo de “contrato otimizado”? O contrato agora tem uma matriz de risco que incentiva a concessionária a antecipar investimentos. Se houver atraso em qualquer obra, a tarifa do pedágio é reduzida automaticamente para o usuário. Se ela tinha seis meses para entregar um trecho e não entregou, no dia seguinte ela tem um desconto na tarifa do usuário. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já contratou, via ministério, verificadores independentes que fiscalizarão o andamento da obra, além de uma empresa de auditoria que vai acompanhar a par e passo o contrato. Ficou muito caro para a concessionária não cumprir o contrato. Uma solução para os gargalos históricos da BR-101 em São Gonçalo está contemplada nesse novo contrato? Sim. Os acessos para São Gonçalo, Alcântara e outros pontos críticos estão todos contemplados, e as intervenções já começam agora. Uma solução para os gargalos históricos da BR-101 em São Gonçalo está contemplada nesse novo contrato? Sim. Os acessos para São Gonçalo, Alcântara e outros pontos críticos estão todos contemplados e as intervenções já começam agora. O Rio tem outros problemas em estradas federais, como a subida da Serra de Petrópolis. Além da BR-101, então, quais as principais obras rodoviárias do ministério no estado? Temos a duplicação de Magé-Manilha (BR-493) em andamento, as obras na subida da Serra das Araras (na Dutra), e a entrega, em julho, do Trevo das Margaridas, ali na Avenida Brasil com o início da BR-116, num contrato com a EcoRodovias. Na BR-040, estamos em processo de aprovação para fechar a melhor solução para não enfrentar questões ambientais para o início das obras da subida da Serra de Petrópolis, incluindo as obras do túnel, que ficou parado por anos. As mudanças climáticas passaram a ser consideradas nesses novos projetos? Todos incorporam critérios de infraestrutura resiliente. Refizemos estudos hidrológicos, ampliamos sistemas de drenagem e estamos aumentando a altura de pontes em alguns estados. Os contratos também obrigam as concessionárias a agir preventivamente antes que um problema vire um gargalo logístico.
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