Jornal O Globo
Imagine um terreno comprido de dois mil metros quadrados a céu aberto, sem um prédio fazendo sombra ou comprometendo o visual: a Casa São Miguel, a nona do empresário Marcelo Torres e sua primeira em Botafogo, é desse jeito. Toda a área tem teto de vidro, “como se você estivesse comendo em um varanda”, define o restaurateur, que trouxe o par de anjos de bronze de Alfredo Ceschiatti (1918-1989), que enfeitava a sua casa, para batizar a sua mais nova empreitada. “Sou muito religioso e São Miguel foi o santo que me apeguei na pandemia. É a minha homenagem e agradecimento”, conta Torres, com três imagens em punho, para colocar na estante que decora o bar, montado na casa original dos anos 1930. Marcelo Torres e o par de anjos de bronze de Alfredo Ceschiatti (1918-1989), que trouxe de sua casa Ana Branco Tudo ali é no superlativo: 450 lugares, dois bares (um deles com imenso aquário) e cardápio robusto, onde o fogo predomina. No comando, o chef Frederico Xavier, que assina cardápio de outras casas do grupo de Torres, o BestFork — Giuseppe Grill, Xian, Yusha, Nolita. Da cozinha saem os blinis de salmão com caviar mujol (R$ 46), o crocante de bochecha de porco braseada (R$ 36), spaghetti com caviar e bottarga (R$ 136), a costela assada por 8 horas (R$ 164, para duas pessoas) e o Filé São Miguel (R$ 126), com ovo frito e o molho que é um mistério. No quesito carnes, o menu vai longe. Filé São Miguel (R$ 126), com ovo frito e o molho misterioso Ana Branco “Marcelo é o maior gestor de restaurante que eu conheço. Tem tarimba e pensa em tudo, não tem erro”, atesta o chef Ricardo Lapeyre, que trabalhou por sete anos no grupo. São Miguel tem verde em abundância, cozinha aberta e artes pelas paredes, como o grande quadro no banheiro de David Bowie (1947-2016), que olha para a gente!, e ali só toca hits do cantor britânico. Difícil voltar para a mesa. O bar é capitaneado pela premiada Laura Paravato, que assina drinques como Abaporu (gin, maracujá, gengibre, vermute, mel e limão) ou Guernica (uísque com especiarias, rapadura, bitter de cacau e sal). Todos por R$ 36. “São releituras de clássicos com brasilidades”, diz Laura. O bar é capitaneado pela premiada Laura Paravato Ana Branco Ah, e sobremesa? Vai de papo de anjo, é de comer rezando.
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