Jornal O Globo
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou nesta segunda-feira perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), o mais alto tribunal da ONU, que as negociações diretas com a Guiana sobre a disputa territorial na região do Essequibo são "inevitáveis e indispensáveis". O território, que pertence à Guiana, é rico em petróleo, almejado por Caracas. Delcy está em Haia, na Holanda, representando seu país na CIJ, sede de nova rodada de audiências sobre o tema. Especialistas: Expectativa por eleições na Venezuela aumenta enquanto viabilidade de realização em 2026 diminui Nove meses depois: Autoridades exumam corpo de preso político cuja morte foi reconhecida oficialmente na Venezuela — A Venezuela está disposta a resolver a disputa territorial com a Guiana, mas essa solução deve ser alcançada de acordo com o único arcabouço jurídico válido que rege a disputa: o Acordo de Genebra de 1966. Uma solução negociada é, portanto, um curso de ação inevitável e indispensável — afirmou Delcy. No domingo, a líder venezuelana disse que seu país "é o único que tem direito" sobre o Essequibo. Sua presença em Haia, afirmou a ex vice-presidente chavista de Nicolás Maduro, retirado do país em ação militar dos Estados Unidos em janeiro, tem como objetivo defender "os direitos históricos" sobre o que chama de "Guiana Essequiba". — Ficou muito claro que o único que tem titularidade sobre este território, nesta controvérsia territorial, é a Venezuela — afirmou a presidente interina no fim de semana. Em seu canal no Telegram, Delcy assinalou que "sempre reivindicaremos nossos direitos legítimos e históricos sobre este território". O tema tem sido utilizado pelo chavismo para angariar apoio popular e preocupa vizinhos, inclusive, o Brasil, pelo risco de um confronto armado. Initial plugin text Disputa antiga Guiana e Venezuela mantêm complexa disputa territorial, iniciada no século XIX. A questão se intensificou após a ExxonMobil descobrir, em 2015, enormes campos de petróleo em alto mar, o que tornou a Guiana o país com as maiores reservas mundiais de petróleo bruto per capita. O Essequibo abrange mais de 2/3 do território da Guiana, com 160 mil quilômetros quadrados. A Guiana sustenta que a demarcação de sua fronteira, que remonta à época colonial inglesa, foi ratificada em 1899, por um Tribunal de Arbitragem, em Paris, e almeja que a CIJ confirme sua validade. A Venezuela, por sua vez, afirma que um acordo assinado em 1966 com o Reino Unido, em Genebra, na Suíça — pouco antes da independência da Guiana de Londres — estabelece as bases para uma solução negociada à margem da CIJ. Por isso, sustenta que o rio Essequibo deve ser a fronteira natural entre os dois lados exatamente como o era em 1777, na época da colonização espanhola. Delcy afirmou que seu país defende justamente "a majestade e o vigor do Acordo de Genebra", de 1966. E apontou que aquele foi "um tratado para dar por encerrada e superada" a sentença arbitral de 1899, que qualificou de "fraudulenta". Desde que assumiu o poder em Caracas, Delcy realizou apenas duas outras viagens oficiais para o exterior, aos vizinhos Granada e Barbados.
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