Jornal O Globo
Nas conversas, elas são onipresentes. As chamadas “canetas emagrecedoras” provocaram uma verdadeira revolução no tratamento de doenças crônicas como a obesidade e o diabetes tipo 2, ao se provarem instrumentos seguros e eficazes para auxiliar na perda de peso. Na terça-feira (28), o assunto do momento ganhou o palco do Ela Inspira, na mesa “Tire o peso do peso: o uso correto das canetas emagrecedoras”, realizada pela ELA, com o patrocínio da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), no Teatro Fernanda Montenegro, no Copacabana Palace. Durante o encontro, mediado pela editora executiva de O Globo, Flávia Barbosa, a presidente eleita da SBEM, Karen de Marca, a endocrinologista e metabologista Priscilla Gil e a atriz Fabiana Karla discorreram sobre mitos e verdades associados a esses medicamentos. Os primeiros pontos levantados foram a segurança e a eficácia da utilização desses medicamentos, que promovem melhora do controle da glicemia, aumento da saciedade e redução do apetite. “O que se chama de caneta na verdade são medicações injetáveis que contêm substâncias compostas de peptídeos que atuam como agonistas dos receptores de GLP-1 e GIP, hormônios secretados pelo intestino (ditos incretínicos). O mecanismo de ação desses medicamentos consegue atuar em alguns fatores que levam à obesidade, levando à perda de peso significativa e sustentada e à melhora das complicações metabólicas”, explicou a Dra. Karen. O primeiro sinal de sucesso do tratamento então é um emagrecimento, similar ao proporcionado por cirurgias bariátricas. Mas, ao contrário do que os críticos das canetas costumam bradar, a rápida redução de peso não representa um risco à saúde. “Perder peso rápido é seguro desde que feito com acompanhamento médico. Precisamos lembrar que estamos falando de um tratamento para a obesidade”, esclareceu a endocrinologista Priscilla Gil. A grande conquista, no entanto, é a manutenção do peso. E para isso não há como abrir mão de uma dupla velha conhecida de quem luta contra a balança: uma dieta balanceada e a prática regular de exercícios. Entusiasta da ciência, a atriz Fabiana Karla usou um medicamento do gênero para evitar o reganho de peso após perder 15 quilos em uma dieta: “Nunca procurei emagrecer, mas ter qualidade devida. Já conhecia esse tipo de medicação, mas tinha medo porque só confio em estudos científicos. Procurei um médico para usar com acompanhamento e me ajudar a evitar o reganho de peso”. Hoje, os tratamentos injetáveis são recomendados para o tratamento de pacientes com obesidade, que apresentam índice de massa corporal (IMC) acima de 30 ou IMC acima de 27 com comorbidades. Mas a “fama” trazida por tão bons resultados também resultou em mau uso dos medicamentos, venda ilegal e falsificações. “Esses sim oferecem alto risco à saúde”, alertou a Dra. Karen. Mais que garantir uma rápida redução de peso, essas medicações têm impactado também a incidência de outras doenças que têm a obesidade como fator de risco. “Há dados robustos que mostram a redução do índice do infarto agudo do miocárdio, do acidente vascular cerebral (AVC) e da gordura no fígado, prevenindo e postergando a evolução para fibrose, além da melhora da função renal, evitando sua deterioração, no caso de pacientes com diabetes”, enumerou a presidente eleita da SBEM. As especialistas ainda alertaram para o risco de quem usa as medicações buscando apenas o benefício estético. Segundo elas, o tratamento da obesidade vai além da perda de peso, com benefício geral para a saúde, e deveria ser acessível a toda a população.
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