Jornal de Brasília
ANA LUIZA ALBUQUERQUE E MARIA CLARA MATOS FOLHAPRESS O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), pré-candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para o Governo de São Paulo, silenciaram até agora sobre a greve de estudantes na USP (Universidade de São Paulo) e as acusações de truculência da Polícia Militar durante operação na universidade no fim de semana. A Folha de S.Paulo procurou os dois na manhã desta segunda (11) e novamente à tarde, mas não recebeu resposta sobre os questionamentos a respeito do tema. Nenhum deles tratou do assunto em publicações permanentes de suas redes sociais. O deputado federal Kim Kataguiri (Missão), por sua vez, falou em "descer a borracha" nos participantes, enquanto o prefeito de Santo André (SP), Paulo Serra (PSDB), respondeu que as reivindicações dos estudantes devem ser expressadas com respeito e que casos de violência policial devem ser apurados. Na madrugada do último domingo (10), a PM realizou uma operação para expulsar os estudantes do saguão da reitoria da USP, que estava ocupado havia três dias. Segundo relatos de estudantes, durante a madrugada, por volta das 4h15, policiais entraram no edifício localizado na zona oeste de São Paulo com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. Quatro alunos foram detidos. A USP afirmou não ter sido avisada sobre a operação da PM e repudiou o ato. Uma nota da SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirma que a ação contou com 50 policiais e que não resultou em feridos. A Folha de S.Paulo, porém, foi ao pronto-socorro do Hospital Universitário depois da operação e contabilizou cinco estudantes internados. A pasta fala ainda em "esgotamento de tentativas de diálogo" e "uso moderado da força diante de resistência física às ordens legais". "Foram constatados danos ao patrimônio público, como portas de vidro quebradas, carteiras e mesas danificadas, além de avarias na catraca de entrada." Na tarde desta segunda, houve um protesto de alunos que terminou em confronto no centro de São Paulo. Entre as reivindicações dos alunos para a greve —que acontece desde 15 de abril e contempla mais de cem cursos— está o aumento da bolsa permanência, auxílio moradia destinado a estudantes de baixa renda, de R$ 885 para cerca de R$ 1.000. Além disso, os estudantes pedem melhorias nas moradias e restaurantes universitários, conhecidos como "bandejões". Já o reitor da USP, Aluisio Segurado, declarou ter atingido o limite orçamentário na proposta de reajuste do auxílio permanência e que não irá negociar com os estudantes após a invasão da reitoria. A Folha de S.Paulo entrou em contato com os pré-candidatos ao Governo de São Paulo para saber o posicionamento de cada um sobre a greve e a atuação da Polícia Militar neste caso. KIM KATAGUIRI (MISSÃO) Deputado federal desde 2019, o pré-candidato Kim Kataguiri afirma que a polícia deveria ter "descido a borracha" nos participantes "antes de a primeira barraca ter sido colocada no chão". As barracas foram colocadas por estudantes ao ocuparem o prédio da reitoria da universidade. "Não existe ‘greve estudantil’. Ninguém tem o direito de impedir professores de trabalhar e estudantes de estudar, não importa qual seja a reivindicação", completou Kataguiri à Folha de S.Paulo . Para ele, não deve haver negociação do caso com os grevistas. Em seu governo, o parlamentar acrescenta que trabalharia para que os estudantes fossem expulsos da USP, além de processados criminalmente. "A USP é de todos os pagadores de imposto do estado de SP, não é propriedade privada de meia dúzia de ‘revolucionários’ de DCE [Diretório Central dos Estudantes]", concluiu. Em março deste ano, Kataguiri deixou o União Brasil e se filiou à Missão, partido criado pelo MBL (Movimento Brasil Livre), grupo do qual é fundador. PAULO SERRA (PSDB) Para Paulo Serra (PSDB), pré-candidato ao governo e ex-prefeito de Santo André (SP), as reivindicações dos estudantes devem ser expressadas com respeito ao "patrimônio público", mas "excessos" ou casos de violência policial devem ser apurados. Serra disse que, sob sua gestão, criaria uma mesa permanente de negociação com os estudantes a partir da própria reitoria com participação do estado. "Jamais deixaria culminar para uma ocupação", afirmou. "Não é razoável que conflitos terminem em depredação, em tensão permanente ou em episódios de violência. Da mesma forma, qualquer denúncia de excesso ou violência policial precisa ser apurada com seriedade, responsabilidade e equilíbrio", acrescentou o tucano em nota. Em abril deste ano, Paulo Serra foi oficializado pelo PSDB como o nome para concorrer ao Governo de São Paulo. Ele é presidente estadual do partido. TARCÍSIO DE FREITAS (REPUBLICANOS) O governador participou na manhã desta segunda-feira (11) de um evento de regularização fundiária ao lado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), mas não quis falar com jornalistas que o aguardavam no local. A reportagem pediu para a assessoria de imprensa do governo estadual um posicionamento de Tarcísio sobre a greve e as acusações de truculência policial, mas recebeu somente uma nota da secretaria estadual de Segurança Pública. No evento desta manhã, na zona leste de São Paulo, um grupo levantou cartazes com críticas à dupla e menções à greve dos servidores da educação da rede municipal: "Tarcísio e Nunes estão destruindo a educação pública", "Não à privatização da educação" e "Estamos em greve por melhores condições de trabalho". FERNANDO HADDAD (PT) A Folha de S.Paulo procurou Haddad por meio de sua assessoria de imprensa, que informou que ele estava em reunião. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
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