Jornal O Globo
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, em São Paulo (SP). No acumulado de 12 meses, o lucro recorrente alcançou R$ 15,6 bilhões, o maior patamar da história da instituição. O desempenho acompanha a expansão do tamanho do banco. Os ativos totais chegaram a R$ 995 bilhões nos primeiros meses de 2026, bem próximo à marca de R$ 1 trilhão, que deve ser atingida nos próximos dias, segundo o banco. Esse é o maior valor nominal da história. Além disso, a carteira de crédito alcançou R$ 678,2 bilhões, avanço de 14% em relação a 2025 e o maior patamar desde 2016. Em comparação ao início da atual gestão, em 2022, o crescimento acumulado chega a 45%. As aprovações de financiamento atingiram R$ 45,7 bilhões no primeiro trimestre, o que indica crescimento de 37% na comparação anual e de 254% frente ao mesmo período de 2022. Já os desembolsos somaram R$ 36,2 bilhões, aumento de 44% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e de 145% sobre 2022. Durante a entrevista coletiva, o diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, disse ainda que o banco pretende atingir, ainda neste ano, um volume de aprovações equivalente a 2% do PIB brasileiro. O avanço das operações também foi puxado pelo aumento do financiamento a estados e municípios. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, o BNDES aprovou R$ 41 bilhões em operações para entes públicos. Segundo o banco, os recursos foram destinados principalmente a projetos com impacto social e climático, como mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação climática e ações de resiliência. As micro, pequenas e médias empresas também tiveram aumento relevante no acesso ao crédito. As aprovações para esse segmento somaram R$ 29 bilhões, crescimento de 120% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A carteira de crédito expandida (que inclui financiamentos, repasses, debêntures e outros ativos) alcançou R$ 678 bilhões no trimestre, alta de 2,2% em relação a dezembro de 2025. Em comparação ao primeiro trimestre de 2022, o estoque aumentou R$ 235 bilhões. Já a inadimplência está em 0,046% (90 dias), abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional (4,33% geral e 0,60% para grandes empresas em março de 2026). Mineiras críticos Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o banco tem atualmente 56 projetos ligados à mineração de terras raras em análise para possível financiamento. Caso sejam aprovados, os investimentos no setor podem chegar a R$ 50 bilhões. Esses minerais são aqueles considerados essenciais para setores-chave da economia e cuja disponibilidade está concentrada em poucos países ou sujeita a instabilidades. É o caso do lítio, nióbio, cobalto, grafite e terras-raras. No caso do lítio, fundamental para baterias de carros elétricos, o Brasil detém cerca de 8% das reservas mundiais. Já em nióbio, usado na produção de ligas metálicas de alta resistência para a indústria e para o setor aeroespacial, o país responde por 93,1% das reservas globais. — O BNDES está saindo dos setores tradicionais para investir em novos setores, (como) minerais críticos e fertilizantes — disse Mercadante. Mercadante também elogiou o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo ele, em um “cenário internacional de unilateralismo comercial autoritário”, é importante fortalecer o multilateralismo e ampliar mecanismos de mediação comercial, resolução de controvérsias e estímulo ao comércio internacional. O presidente do BNDES afirmou ainda que o banco atua “fortemente” para evitar recuperações judiciais, sobretudo em empresas consideradas estratégicas para o país. Como exemplo, mencionou a atuação da empresa no caso da Braskem. Segundo Mercadante, o BNDES trabalhou duramente ao lado dos credores da petroquímica, da Petrobras e dos ex-sócios da companhia para buscar uma solução para a empresa. — Então, nós, o BNDES, temos trabalhado fortemente para evitar recuperações judiciais, principalmente de empresas estratégicas. Trabalhar, buscar parceria, encontrar soluções. Nós vamos olhar com atenção. E nós temos que olhar. Essa taxa de juros machucou muitas empresas — disse Mercadante.
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