Collector
Linhas de crédito ampliam as possibilidades para agricultores em SC | Collector
Linhas de crédito ampliam as possibilidades para agricultores em SC
g1

Linhas de crédito ampliam as possibilidades para agricultores em SC

O agronegócio representa cerca de 25% do PIB catarinense, de acordo com um levantamento do Governo do Estado. Para garantir que a produção alimentícia de Santa Catarina continue eficiente, tecnológica e com altos níveis de excelência, uma das principais fontes que viabilizam investimentos no estado são as linhas de crédito rural. No ano passado, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), instituição financeira pública de fomento, viabilizou mais de R$ 800 milhões para produtores rurais do estado. Além de ajudar os produtores a arcarem com os custos relacionados à safra, como compra de sementes e adubos, são as linhas de crédito que contribuem para viabilizar investimentos tecnológicos no campo. O modelo agropecuário em Santa Catarina é ancorado em pequenas propriedades e no trabalho da agricultura familiar, o que torna mais difícil o acesso a grandes recursos. Por isso, as linhas de crédito se tornam as principais ferramentas de viabilidade, modernização e escala, para permitir que os pequenos produtores rurais operem com tecnologia de ponta e consigam manter a operação competitiva e em conformidade. É o que explica Carlos Aurélio Ribeiro, gerente de operações agroindustriais do BRDE. — O BRDE enxerga o crédito rural como um instrumento de desenvolvimento que vai além do financiamento tradicional, apoiando investimentos de longo prazo que aumentam a competitividade, a eficiência e a sustentabilidade do agro. Em Santa Catarina, isso se traduz no financiamento de infraestrutura produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos, irrigação, armazenagem, ampliação de capacidade agroindustrial e melhorias voltadas à eficiência e à competitividade no campo — explica. Demanda por financiamentos de custeio é alta no estado Para muitos dos agricultores catarinenses, a linha de crédito mais utilizada é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), programa criado há 30 anos pelo Governo Federal, que contempla uma linha destinada ao custeio das safras. Com o apoio de instituições financeiras e cooperativas parceiras, que ajudam a viabilizar esses recursos, a maior parte dos produtores contrata o financiamento para cobrir a safra, quita no prazo e repete o ciclo no ano seguinte. A ampla demanda faz com que Santa Catarina seja o terceiro maior demandante de crédito rural do Brasil. Em 2024, o estado movimentou R$ 8,5 bilhões via Pronaf, 13,3% do total nacional. Na pecuária, liderou o país, com R$ 4,49 bilhões contratados. Produtores, especialmente os pequenos, utilizam essa linha para garantir a produção de lavouras ou a criação de animais. Para auxiliar no pagamento dos juros, existe o Programa Pronampe SC, que oferece crédito subsidiado pelo governo do Estado para micro e pequenos produtores. O plano contempla 12 meses de carência e juros subsidiados para ajudar a manter o produtor dentro desse ciclo bancário. Ainda, como uma forma de permitir que os agricultores acessem outras linhas do Pronaf, destinadas a desenvolvimento e tecnologia, existem iniciativas que ampliam o acesso. Em 2024, a Epagri produziu mais de 22 mil projetos de crédito rural, que totalizaram R$ 770 milhões em investimentos, crescimento de 90% em relação a 2023. Esse avanço tem ajudado os agricultores a escalarem a produção com equilíbrio. O que o Plano Safra 2025/2026 trouxe de diferente Uma das maiores iniciativas para o agronegócio no país é o Plano Safra, lançado anualmente para financiar a agropecuária catarinense. Na edição 2025/2026, foi anunciada a maior participação da história do programa, com R$ 89 bilhões para a agricultura familiar. Mas, o ponto mais relevante dessa edição são as novidades que vieram junto ao acréscimo de recursos. Pela primeira vez, linhas específicas para agroecologia, quintais produtivos voltados a mulheres rurais, irrigação com energia solar, conectividade no campo e mecanização de pequeno porte entraram no projeto. Além do recurso total disponibilizado para o país, o Governo Federal disponibilizou, R$ 10,5 bilhões em linhas do Pronaf para o território catarinense. O foco desta edição é o fortalecimento da produção de alimentos, na ampliação do crédito rural e no desenvolvimento sustentável no campo. De acordo com dados do Governo Federal, o estado registrou, nas duas últimas edições do Plano Safra, um uma alta de 14% no acesso ao crédito, com aumento também no número de operações, que passaram de 106,5 mil para 109,4 mil. Setores estratégicos registraram expansão significativa: a avicultura cresceu 46%, as frutas, 30%, as hortaliças, 28%, e a suinocultura, 14%. O que o estado está fazendo para fortalecer o acesso Além do Governo Federal, Santa Catarina também se organiza para permitir que o agricultor cresça através dos financiamentos. Um dos projetos mais recentes é o SC Rural 2, que foi aprovado pelo Senado no ano passado e autoriza a contratação de US$ 150 milhões junto ao Banco Mundial para modernizar a agricultura familiar. Ao longo de 2025, mais de R$ 208 milhões já foram executados e estão fazendo a diferença nas propriedades catarinenses. Já o Coopera Agro SC, sancionado no fim de 2025, prevê R$ 1 bilhão em dez linhas de crédito para cooperativas, agroindústrias e produtores integrados, com juros em torno de 9% ao ano e prazo de pagamento de até dez anos. Para o acesso à energia solar, o Estado tem ainda o Financia Agro SC, que financia painéis fotovoltaicos sem juros, com até 30% de desconto nas parcelas pagas em dia e limite de R$ 50 mil por produtor. Entre 2023 e 2024, foram 7.984 contratos firmados para instalação de placas solares, que totalizaram mais de R$ 10,6 milhões investidos. Como Santa Catarina possui a estrutura de extensão rural mais consolidada do Sul do Brasil, a expectativa é que os recursos gerem retorno em desenvolvimento para o estado. Conforme divulgou a Epagri, no ano passado, mais de 105 mil produtores rurais foram beneficiados por projetos de crédito e assistência técnica, e a cada real investido, o estado obteve um retorno social de R$ 9,77 nas propriedades. Cooperativas ampliam acesso ao crédito rural em Santa Catarina A atuação das cooperativas de crédito tem papel relevante na ampliação do acesso a financiamento no campo, especialmente entre pequenos produtores. No Sul do país, instituições como o Sicoob têm origem ligada ao próprio agronegócio, já que muitas cooperativas foram criadas por agricultores nas décadas de 80 e 90. Esse modelo contribuiu para a capilaridade do sistema e para a oferta de crédito em regiões onde o acesso a grandes instituições financeiras é mais restrito. De acordo com o gerente de Agronegócio do Sicoob Central SC/RS, Paulo Vitor Sangaletti, a estrutura cooperativista permite atender produtores de diferentes portes, com linhas que incluem desde o custeio das lavouras até investimentos em infraestrutura e tecnologia. “O Sicoob enxerga o crédito rural como uma ferramenta essencial para viabilizar a produção e os investimentos no campo, desde o plantio até a colheita, além de apoiar projetos como construção de estruturas, compra de máquinas e modernização das propriedades”, afirma. Além da oferta de crédito, a proximidade com os produtores é um dos diferenciais do cooperativismo. A instituição financeira mantém presença em visitas técnicas, eventos do setor, além de realizar um atendimento direto nas propriedades, o que ajuda no processo de orientação para acessar os financiamentos. Ainda, o Sicoob mantém parcerias com instituições como a Epagri, que auxiliam na elaboração de projetos e no desenvolvimento das atividades no campo.

Go to News Site