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A estrutura que sustenta o abastecimento do Brasil
Jornal O Globo

A estrutura que sustenta o abastecimento do Brasil

Enquanto conflitos internacionais pressionam o mercado global de energia e ampliam a volatilidade no setor de combustíveis, sustentar o abastecimento de um país continental como o Brasil exige muito mais do que disponibilidade de produto. Exige escala, planejamento, capacidade logística e gestão de risco. É nesse contexto que a atuação das grandes distribuidoras ganha relevância estratégica. Responsáveis por conectar importação, armazenagem, transporte e entrega em milhares de municípios brasileiros, essas empresas funcionam como uma infraestrutura essencial para manter o país em movimento. Maior distribuidora de combustíveis do país, a Vibra opera uma das maiores estruturas logísticas do setor. A companhia está presente em todos os estados brasileiros, com 200 bases operacionais e capacidade estática de armazenamento de 1,6 bilhão de litros. Sua rede reúne cerca de 7,5 mil postos de combustíveis, com presença em mais de 2,3 mil municípios brasileiros, e atende mais de 30 milhões de consumidores por mês. Sua estrutura é capaz de conectar diferentes modais e origens de suprimento, atendendo desde grandes centros urbanos até regiões mais distantes e com infraestrutura mais complexa. Hoje, a companhia abastece mais de 10,4 mil clientes corporativos em cerca de 30 mil pontos de consumo espalhados pelo país. Em um ambiente marcado por oscilações cambiais, tensões geopolíticas, restrições de oferta e pressão sobre preços internacionais, a companhia atua para assegurar o fornecimento a postos, aeroportos, transportadoras, indústrias, hospitais e produtores rurais. Embora a distribuição represente cerca de 5% do preço final cobrado na bomba, é justamente esse elo da cadeia que sustenta uma operação contínua e de alta complexidade nos bastidores da economia. “Garantir abastecimento em um país com as dimensões do Brasil exige capacidade de antecipação, estrutura logística robusta e gestão eficiente de risco. Em momentos de maior pressão, essa operação se torna ainda mais relevante para assegurar previsibilidade ao mercado”, afirma Ernesto Pousada, presidente da Vibra. Mesmo representando cerca de 5% do preço final, a distribuição é responsável por garantir o abastecimento em todo o país Getty Images/lutherhill Uma operação de escala nacional Antes de chegar ao consumidor, o combustível percorre uma longa jornada. Quando adquirido de refinarias nacionais, parte da movimentação acontece por meio de dutos conectados às bases de distribuição. Já no caso do diesel importado, a logística é mais longa e complexa: o produto chega por navios aos portos brasileiros, é descarregado em terminais e depois segue, majoritariamente por caminhões, para diferentes regiões do país. Como parte relevante do diesel consumido no Brasil depende do mercado externo, o abastecimento nacional fica diretamente exposto a variáveis como preço do petróleo, câmbio, disponibilidade global, fretes marítimos, seguros e restrições logísticas. Nesse cenário, a atuação das distribuidoras envolve planejamento contínuo de demanda, contratação de navios, gestão de estoques, negociação internacional, operação de bases de armazenagem, transporte rodoviário e monitoramento permanente da cadeia de suprimentos. Em um país de dimensões continentais, oscilações no mercado internacional exigem redistribuição rápida de produto entre diferentes regiões para evitar riscos de desabastecimento. “A distribuição atua como um elemento de estabilização do sistema. Em cenários adversos, é preciso responder rapidamente a oscilações externas, buscar alternativas de suprimento e manter a operação funcionando sem interrupções”, diz Pousada. Muito além do preço na bomba O debate público sobre combustíveis costuma se concentrar no preço final ao consumidor. Mas a composição desse valor envolve diferentes fatores ao longo da cadeia. Hoje, cerca de 55% do preço final está ligado ao custo do produto, incluindo produção, refino e importação. Impostos estaduais e federais representam aproximadamente 17%. A mistura obrigatória de biocombustíveis corresponde a cerca de 13%. A revenda responde por algo próximo de 10%. No Brasil, o preço na bomba é livre e definido pelos postos de combustíveis. Já a distribuição representa, em média, cerca de 5% do total. Ainda assim, mesmo com participação reduzida no preço final, a distribuidora desempenha um papel fundamental para sustentar o abastecimento no país. A escala dessa operação ajuda a explicar sua relevância estratégica. Hoje, 80 das 100 maiores empresas do Brasil são atendidas pela Vibra. Um setor cada vez mais estratégico Nos últimos anos, a Vibra ampliou sua capacidade operacional e fortaleceu sua estratégia logística e de gestão de risco, acompanhando a crescente complexidade do setor energético e das cadeias globais de suprimento. A companhia também ocupa posição estratégica em segmentos essenciais da economia brasileira. Com a marca BR Aviation, líder no abastecimento aeronáutico no país, a Vibra responde pelo fornecimento de combustível para seis em cada dez aeronaves no Brasil, atuando em mais de 90 aeroportos. “Garantir abastecimento hoje significa operar uma cadeia altamente complexa, conectada ao mercado global e sujeita a variáveis que mudam rapidamente. A capacidade de responder a esse cenário é fundamental para assegurar estabilidade ao sistema e continuidade às atividades econômicas”, conclui Pousada.

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