Jornal O Globo
A Polícia Civil do Rio identificou mensagens suspeitas enviadas pela madrasta de Myrella Venceslau Freire, de 12 anos, horas antes do assassinato da adolescente. Segundo as investigações, Bianca Martins da Silva Oliveira, presa no último sábado, mantinha um relacionamento com a mãe da vítima e enviou, no dia do crime, mensagens em tom de alerta sobre a segurança da menina, além de relatar um “pressentimento ruim”. Testemunhas ouvidas pela polícia afirmaram que Bianca e Vitória, mãe de Myrella, viviam uma relação conturbada, marcada por discussões frequentes. Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores Resgate de detalhes históricos: Restauração do Parque Lage encontra artes escondidas há mais de 100 anos e devolve ao Rio palacete que ninguém desta geração conheceu Myrella foi encontrada nos fundos da casa onde ela morava, no Morro do Pau Branco, em Vilar dos Teles, São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ela chegou a ser levada para o Hospital Municipal de Meriti, mas não resistiu aos ferimentos. Em depoimento à polícia, a tia da menina contou que Myrella queria sair de casa por ter medo da madrasta. 'Alvo nesse mundo ridículo' No dia do crime, Bianca afirmou à mãe da adolescente que a Myrella era “avoadinha” e que seria um “alvo fácil nesse mundo ridículo”. “Dona 7 já falou, Nego Preto já avisou em sonhos. Só se ligar nisso. Depois o que resta vai ser chorar. Ela tem a cabeça fraca, qualquer um leva ela na conversa. Muito avoadinha, acha que sabe de tudo, mas não sabe de nada dessa vida ainda. Alvo fácil nesse mundo ridículo”, escreveu ela. Exploração do sinal de internet por traficantes e milicianos já alcança 40% do Estado do Rio; bandidos incendeiam empresas para expulsá-las A mensagem foi enviada logo após as duas trocarem mensagens em tom de despedida. Na conversa, Bianca fala sobre o fim da relação e volta a citar Myrella: “Espero que fique tudo bem, espero que você seja feliz. Só toma cuidado nesses intervalos em que Myrella vai para a rua, porque pode acontecer muita coisa”, escreveu. A mãe de Myrella, Vitória, durante o enterro da filha Reprodução/TV Globo De acordo com a polícia, as mensagens foram enviadas entre 7h e 9h da manhã. Por volta das 11h, Bianca voltou a mandar mensagem para a mãe de Myrella: “Falou com eles. Estou com pressentimento ruim”. Cerca de 17 minutos depois, completou: “Estou no ônibus”. No início das investigações, Bianca afirmou à polícia que havia saído de casa cedo para uma entrevista de emprego e que só retornou por volta do meio-dia. Em depoimento, contou que ninguém atendeu ao chamado no imóvel e que decidiu pular o muro, encontrando a casa “revirada”. Segundo ela, após perceber que Myrella havia desaparecido, entrou em contato com Vitória para avisar sobre o sumiço da adolescente. Quando a mãe chegou ao local, as duas iniciaram buscas pela menina e acabaram encontrando Myrella morta. Funcionário de restaurante acusa Ed Motta de preconceito: ‘Vou embora antes que faça alguma coisa com um desses paraíbas’ Inicialmente, a hipótese era de que a residência havia sido invadida por um homem que teria estuprado e matado a adolescente. Porém, o laudo de necropsia, que ficou pronto no sábado, constatou a ausência de sinais de violência sexual no corpo da vítima. No decorrer das diligências, uma testemunha relatou à polícia que Bianca estava na casa às 11h26. Foi justamente nesse horário que Vitória falou pela última vez ao telefone com a filha. Com base nas informações reunidas e nas contradições de Bianca durante a investigação, a Justiça decretou a prisão. As investigações continuam em andamento.
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