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Hoje, já temos o potencial de viver até 140 anos — é o que sugere um estudo recente sobre longevidade realizado pela University of Georgia. Pesquisadores do Stanford Center on Longevity estimam que uma em cada duas crianças de 5 anos vivas hoje chegará aos 100 anos, e que uma expectativa de vida centenária poderá se tornar a norma para todos os recém-nascidos até 2050. Se tudo isso parece ficção científica, saiba que, segundo alguns cientistas, não apenas poderemos desacelerar o envelhecimento, mas chegaremos a revertê-lo, reprogramando o funcionamento de algumas células. Na verdade, essa ideia já é uma realidade para a pele. A linha Absolue Longevity MD, da Lancôme, aposta em uma abordagem inspirada na biologia do envelhecimento, focada na idade biológica da pele e no funcionamento das mitocôndrias — estruturas responsáveis pela produção de energia das células. Nos últimos anos, a ciência da longevidade deixou de ser um tema restrito à medicina para ganhar espaço também na indústria da beleza. A ideia de viver mais e melhor passou a orientar uma nova geração de produtos cujo objetivo não é agir apenas sobre sinais visíveis — como rugas, linhas finas e perda de elasticidade —, mas também sobre os mecanismos biológicos que determinam o envelhecimento da pele. Essa é justamente a proposta da nova linha, fruto de 20 anos de pesquisa e seis estudos clínicos, que traduz para o skincare alguns dos avanços recentes da chamada longevity science. “Mais do que um produto, estamos lançando uma nova era: a longevidade na beleza. Ela é fundamentada na ciência e na inovação, mas também na cultura. É uma abordagem holística e uma mensagem positiva que ajuda as mulheres a entenderem como cuidar de si mesmas em cada fase da vida. A Lancôme é a primeira marca a traduzir essa ciência complexa em uma solução de beleza concreta para a consumidora. E isso é apenas o começo: a longevidade é uma plataforma de inovação de longo prazo”, declara a presidente global de Lancôme, Vania Lacascade. A linha Absolue Longevity MD da Lancôme Divulgação Lançada em Nova York com a presença das embaixadoras Zoë Saldaña e Demi Moore, a linha propõe uma mudança de paradigma: em vez de tratar a idade cronológica, o foco passa a ser a idade biológica da pele. Considerada um reflexo direto da saúde celular, ela varia de pessoa para pessoa e pode ser influenciada por fatores como metabolismo celular, capacidade de renovação e resposta ao estresse oxidativo. A nova linha foi desenvolvida justamente para atuar nesses processos, com o objetivo de prolongar a vitalidade da pele ao longo do tempo. O herói da fórmula é o Mitopure, uma versão altamente purificada da molécula urolitina A, desenvolvida pela biotech suíça Timeline e patenteada pelo grupo L’Oréal até 2034. “Ele atua no funcionamento das mitocôndrias — estruturas responsáveis por grande parte da produção de energia das células. Com o passar dos anos, a eficiência dessas ‘usinas celulares’ diminui, o que contribui para a perda de vitalidade e para o aparecimento dos sinais visíveis de envelhecimento. A ideia é estimular o processo de reciclagem mitocondrial, ajudando a restaurar a energia celular”, conta a médica especialista em longevidade Amy Killen, integrante do grupo de especialistas reunidos pela L’Oréal para o desenvolvimento da linha. O grande desafio foi transformar essa molécula — já conhecida no universo dos suplementos de longevidade — em um ativo tópico com os mesmos resultados, um processo que levou cerca de dois anos e resultou em uma patente. Mas essa é apenas uma parte do trabalho. As fórmulas completas são baseadas em mais de duas décadas de pesquisas sobre envelhecimento cutâneo conduzidas pelo grupo L’Oréal. Segundo o L’Oréal Annual Report de 2025, o grupo se mantém como companhia líder mundial no segmento de beleza, conta com cerca de 4 mil cientistas e investe anualmente € 1.3 bilhão em pesquisa e inovação. Durante uma visita ao Centro de Pesquisa e Inovação da L’Oréal em Nova Jersey, foi possível observar de perto o trabalho por trás das formulações, do laboratório, onde são reproduzidas diferentes etapas do desenvolvimento dos produtos, à fase de avaliação e testes. O resultado dessas pesquisas é um modelo que identifica nove marcadores biológicos associados ao envelhecimento da pele, organizados em três grandes funções: estruturais, metabólicas e de sinalização celular. Juntas, elas ajudam a explicar a progressão do envelhecimento cutâneo — desde danos invisíveis no DNA e nas proteínas até alterações celulares que se traduzem em rugas, perda de densidade e menor capacidade de regeneração. “Vivemos um momento-chave em termos de descobertas científicas e de mudança de paradigma. Antes tratávamos a doença. Agora já é possível identificar a idade biológica de cada órgão e tratá-lo dentro de um protocolo não apenas preventivo, mas de longevidade”, explica o cardiologista David Luu, especialista em longevidade e membro do corpo médico que colaborou no desenvolvimento da linha. “Em breve, essa tecnologia estará disponível para todos. Será como ter um smartphone”, prevê ele. Demi Moore Divulgação A partir dessa leitura biológica, a linha foi estruturada em três protocolos diferentes, pensados para momentos distintos da vida da pele – todos eles atuam nos sinais visíveis e invisíveis do envelhecimento da pele. O primeiro, Anticipate, representado pela modelo australiana Ella McCutcheon, foi criado para peles mais jovens (até 35 anos) e tem foco preventivo, reforçando a resistência cutânea antes do aparecimento dos sinais visíveis — redução de 16% de linhas finas e de 50% na oxidação da pele, segundo estudos clínicos. Já o Intercept, composto por sérum e creme e personificado por Zoë Saldaña, é voltado para mulheres que têm de 35 a 55 anos e se concentra na renovação celular, atuando quando os primeiros sinais começam a surgir. Nessa fórmula, o Mitopure é associado a um complexo de aminoácidos (building blocks) e a um precursor de NAD+, outro ingrediente central no campo da longevidade. Segundo estudos clínicos, o protocolo resulta em 84 milhões de novas células e 76% mais firmeza na pele. Por fim, o protocolo Reset (55+), representado por Demi Moore, também composto por sérum e creme, foi desenvolvido para peles maduras com o objetivo de restaurar a vitalidade e apoiar processos de regeneração que tendem a desacelerar com o tempo. A fórmula combina Mitopure a açúcares sinalizadores biomiméticos, reconhecidos pela pele, um precursor de NAD+ e derivados de aminoácidos formulados para dar suporte na recuperação cutânea. O objetivo é ajudar a reverter danos visíveis, resultando em 55% mais firmeza e elasticidade, um aumento de 15% na renovação celular da superfície da pele e uma redução de quatro anos na aparência da pele, segundo os estudos clínicos. A performance não compromete a sensorialidade, que vai da textura luxuosa, mas rapidamente absorvida pela pele — que confere um glow instantâneo — à fragrância, uma versão almiscarada e atalcada da rosa que é assinatura da marca. Zoë Saldaña Divulgação “Me senti muito bem usando os produtos porque os ingredientes são realmente bons e de alta qualidade. Eles nutrem a pele e trabalham com sua firmeza natural. É um produto tão completo que você realmente não precisa de nada adicional. Não gosto de me sentir sobrecarregada por uma variedade de produtos. Prefiro manter as coisas simples e ser fiel a algo que realmente funciona. Agora, sinto que o Absolue Longevity MD é esse produto para mim”, diz Zoë Saldaña. “Também me sinto muito vista e apoiada pela Lancôme. É uma marca que admiro desde criança. O que admiro é como ela sempre foi consistente e leal às suas embaixadoras, permitindo que elas envelheçam com graça. Lancôme continua sendo um lugar em que uma mulher pode verdadeiramente ser ela mesma, em sua totalidade. Isso mostra que é uma marca que genuinamente investe nas mulheres, para o benefício e bem-estar delas. E essa missão parece muito sincera”, acrescenta. Demi concorda: “Essa foi uma das razões pelas quais me identifiquei com esse produto: não estamos lutando contra o tempo, estamos apoiando o corpo a se regenerar.” Do diagnóstico ao discurso Para identificar o protocolo ideal, a Lancôme desenvolveu, em parceria com a startup coreana NanoEnTek, uma tecnologia chamada Cell BioPrint, um dispositivo portátil capaz de analisar biomarcadores presentes na superfície da pele. Com uma espécie de adesivo, é possível coletar dados cutâneos que são analisados em minutos pelo aparelho, traduzindo as informações em um diagnóstico detalhado sobre diversos marcadores biológicos. O sistema avalia a idade biológica da pele, estima sua velocidade de envelhecimento e sugere uma rotina de cuidados personalizada. Mais do que tecnologia, porém, o discurso da longevidade traz também uma nova forma de pensar o envelhecimento — especialmente para as mulheres. “Longevidade não é envelhecer: é expandir a vida”, afirma Demi Moore. “Estou em uma fase em que meus filhos já estão grandes, então estou vivendo uma nova forma de autonomia. É como provar uma fruta que eu nunca tinha experimentado antes”, diz a atriz, sorrindo. Segundo ela, existe um equívoco persistente em torno da ideia de envelhecer. “Durante muito tempo acreditou-se que, especialmente para as mulheres, envelhecer significava perda. Na verdade, pode ser o contrário: um começo.” Sabedoria, confiança e uma nova presença no mundo são alguns dos ganhos que ela associa a esse momento da vida. A influenciadora brasileira Silvia Braz Divulgação Zoë compartilha da mesma visão. “Há algo muito bonito em se enxergar por quem você realmente é e ouvir primeiro a própria voz antes da dos outros, garantindo que ela seja positiva e gentil, não apenas consigo, mas também com os outros.” Para a atriz, essa prática exige constância. “Ter um bom coração não é apenas uma intenção. É algo que se pratica todos os dias: na forma como você fala de si mesma, dos outros e na maneira como escolhe lidar com os problemas.” Mas isso, diz ela, também envolve gentileza consigo mesma. “Eu não sou perfeita, não vou acertar sempre. Preciso me dar espaço para crescer, aprender e seguir em frente E, nesse processo, não quero alimentar narrativas negativas. Não quero fazer parte de comunidades que reagem com ódio ou julgamento rápido. Acho que essa retórica nos afasta uns dos outros e nos impede de permanecer conectados”, acrescenta ela.
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