Jornal O Globo
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos durante a guerra contra o Irã, confirmou o governo israelense nesta quarta-feira, sem dar detalhes sobre quando ocorreu a viagem ou sobre o que foi discutido. No final de abril, a imprensa americana relatou que Israel mandou aos emiradenses uma bateria do sistema de defesa Domo de Ferro, e, mais recentemente, que o país, ao lado da Arábia Saudita, atacou secretamente instalações iranianas. Impacto econômico: Emirados Árabes anunciam saída da Opep após mais de cinco décadas Guga Chacra: A aliança dos Emirados Árabes com Israel na guerra contra o Irã “Em meio à Operação Leão Rugidor, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu visitou secretamente os Emirados Árabes Unidos, onde se reuniu com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed”, diz comunicado publicado pela conta do premier nas redes sociais. “Esta visita levou a um avanço histórico nas relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos.” Não foram oferecidos detalhes sobre o que os dois líderes discutiram durante o encontro, o segundo entre eles no país árabe, e o segundo fora da agenda oficial. Em 2018, Netanyahu esteve frente a frente com Mohammed bin Zayed, e dois anos depois o governo local aderiu aos chamados Acordos de Abraão, patrocinados pelos Estados Unidos e que normalizaram as relações entre as duas nações. No final do mês passado, o portal americano Axios afirmou, citando fontes israelenses e emiradenses, que os dois países estabeleceram estreito contato político e militar desde o início da guerra contra o Irã, no final de fevereiro — o país árabe foi o mais atingido pelos drones e mísseis iranianos, e Israel teria, afirma o Axios, realizado ataques contra sistemas de lançamento em território iraniano antes que fossem acionados. Em entrevista: Netanyahu diz que guerra contra Irã não acabou pois ainda há material nuclear no país: 'Entra-se e retira-se' Mas o envio do Domo de Ferro, como nota a publicação, foi um passo mais ousado: além da bateria do sistema de defesa aérea, jamais cedida a outro país, militares israelenses receberam permissão para operá-las dentro dos Emirados Árabes Unidos. Deixando em segundo plano os potenciais efeitos políticos de tal decisão, que não foi confirmada pelos dois governos mas sim pelo embaixador dos EUA em Israel, as autoridades locais dizem que vários mísseis e projéteis foram interceptados. — Não vamos esquecer disso — disse um membro do governo emiradense ao Axios. A visita de Netanyahu e o envio do Domo de Ferro confirmam mudanças importantes no cenário de segurança do Oriente Médio desde decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacarr o Irã. Durante os 40 dias de conflito, enquanto o território iraniano era bombardeado por toneladas de explosivos, Teerã retaliava contra as monarquias do Golfo Pérsico, que abrigam importantes bases e instalações militares dos EUA, e cujas economias têm ligações trilionárias com o sistema financeiro americano. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações globais de petróleo e gás, foi outro golpe difícil de engolir em capitais como Abu Dhabi, Doha e Riad. Análise: Guerra vira 'cobertura diplomática' para saída de Emirados Árabes Unidos da Opep Mas como revelaram o Wall Street Journal e a agência Reuters nas últimas 48 horas, a reação árabe não ficou apenas em protestos e textos de resoluções nas Nações Unidas. De acordo com as publicações, os Emirados e a Arábia Saudita atacaram, de forma secreta, o território iraniano, atingindo instalações militares e ao menos uma refinaria na ilha de Lavan, provocando um grande incêndio. Enquanto os sauditas optaram por ações pontuais, sem fechar o canal de diálogo com o Irã para evitar uma escalada do conflito, os emiradenses preferiram impor custos mais elevados aos iranianos. Nenhum dos envolvidos confirmou publicamente os ataques. "Não buscamos esta guerra, trabalhamos com sinceridade para evitá-la, e as relações árabe-iranianas no Golfo não podem ser construídas sobre confrontos e conflitos, em uma região cujos povos são unidos por laços geográficos e históricos profundos", escreveu, nesta quarta-feira, Anwar Gargash, conselheiro de Mohammad bin Zayed, na rede social X. "A defesa da pátria é um dever sagrado, e os Emirados protegerão sua soberania com força, eficiência e firmeza, mas sua prioridade e convicção inabalável continuarão a priorizar as soluções políticas, na crença de que elas são o caminho para alcançar a paz, a estabilidade e a prosperidade."
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