Jornal O Globo
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) criticou o adversário na disputa presidencial Flávio Bolsonaro (PL) após o site Intercept publicar áudios nos quais o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pede a Daniel Vorcaro, do Banco Master, por dinheiro para completar um filme sobre a história do pai. A existência da conversa entre Flávio e Vorcaro foi confirmada pelo GLOBO. — Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil — disse Zema em uma gravação nas redes sociais. Já o partido Missão anunciou que irá levar o caso à Justiça Eleitoral. Além dessa ação, um pedido de cassação será feito pelo partido ao Conselho de Ética do Senado. Na representação ao Ministério Público Eleitoral, o Missão solicita que o órgão apure o "uso de dinheiro sujo em um filme que seria lançado em período eleitoral (11 de setembro) para promover o candidato e sua família". Segundo o Missão, Flávio Bolsonaro não tem "condição moral de permanecer no Senado ou de ser candidato a Presidente do Brasil". Único deputado federal do partido, Kim Kataguiri publicou um vídeo nas redes sobre a conversa vazada entre o senador e o banqueiro. Candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, por sua vez, declarou que "onde há escândalo de corrupção, há Flávio Bolsonaro". Na fala, ele associou o escândalo do Banco Master a outros adversários no pleito, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Romeu Zema, além de mencionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. — Sobrou eu, sobrou o Zema. O Zema, que recebeu doações do pai do Daniel Vorcaro, o senhor Henrique Vorcaro, no seu partido. E o Zema ainda vai ter que explicar os benefícios que a empresa do Vorcaro em Minas Gerais teve na Operação Rejeito — diz Renan Santos. Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira, Flávio Bolsonaro admitiu ter trocado mensagens com o banqueiro, mas acrescentou se tratar de uma relação privada. "No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", diz o texto do pré-candidato. Entenda o caso A cobrança dos recursos feita por Flavio Bolsonaro teria ocorrido em novembro de 2025 no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem. O contato também teria sido feito um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", diz Flávio, no áudio revelado pelo Intercept e confirmado pelo GLOBO. Os recursos pedidos pelo filho 01 de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência da República, segundo a reportagem, fazem parte de uma negociação envolvendo Vorcaro e Flávio, no qual o primeiro teria se comprometido a custear parte da produção do filme "Dark Horse". O lançamento do longa, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, está previsto para o segundo semestre deste ano. O roteiro é assinado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, e tem a direção do americano Cyrus Nowrasteh.
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