Jornal O Globo
Estudos feitos sobre a Mata Atlântica apontam uma redução histórica do desmatamento no bioma. Dois dos principais sistemas de monitoramento da região apresentaram, em 2025, os melhores resultados de suas séries históricas. De acordo com o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) da Mata Atlântica, houve uma redução de 53.303 para 38.385 hectares desmatados, o menor índice dos quatro anos de acompanhamento. O percentual representa uma queda de 28% de 2024 para o ano seguinte. Veja: Pane em brinquedo do Beto Carrero World deixa visitantes presos de cabeça para baixo; veja vídeo Explosão em São Paulo: Defesa Civil libera 86 imóveis para retorno de moradores no local da explosão no Jaguaré No segmento das florestas maduras, que são áreas dentro da Mata Atlântica com vegetação mais antiga, de alta biodiversidade e grande estoque de carbono, o índice é ainda mais positivo. Segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), houve redução de 40% na supressão, passando de 14.366 para 8.668 hectares. Essa é a primeira vez, em quatro décadas de monitoramento (desde 1985), que o desmatamento anual fica abaixo da marca de 10 mil hectares. Segundo o SAD, 11 dos 17 estados do bioma apresentaram redução do desmatamento: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe. Apesar do recuo no desmate, os estados da Bahia (17.635 ha), Minas Gerais (10.228 ha), Piauí (4.389 ha) e Mato Grosso do Sul (1.962 ha) concentram, juntos, 89% da área total desmatada. Nos demais estados, as perdas de vegetação ficaram abaixo de 1.000 hectares. Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Santa Catarina e São Paulo não apresentaram redução do desmatamento. A Fundação SOS Mata Atlântica avalia que os números positivos em relação à redução do desmatamento estão diretamente ligados à pressão pública, mobilização da sociedade, políticas ambientais e ações de fiscalização — entre elas a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, além da consolidação da Lei da Mata Atlântica como principal instrumento de proteção da vegetação nativa do bioma. — Ficamos satisfeitos com o resultado, não só por ter sido uma grande queda do desmatamento de um ano para outro, mas principalmente por estar numa trajetória de redução. O acumulado dos últimos dois anos, tanto do SAD quanto do Atlas, é muito significativo. São dois anos de redução, e isso aponta para uma trajetória mais consistente dessa diminuição, que às vezes tem um efeito de “gangorra”. Isso representa uma tendência consistente que, se permanecer, pode levar a gente a alcançar o desmatamento zero nos próximos anos, até 2030, que é a meta brasileira, o compromisso que temos — disse Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, ao O GLOBO. Guedes destaca a Mata Atlântica como “um dos biomas mais importantes do mundo e um verdadeiro "hotspot" de biodiversidade”, reunindo milhares de espécies de plantas e animais, muitas delas ameaçadas de extinção, e ressalta seu papel essencial para o Brasil, já que abriga grande parte da população, da atividade econômica e da produção agropecuária do país. — A floresta é fundamental para o equilíbrio ambiental, influenciando diretamente o abastecimento de água, a produção de energia e a regulação do clima, além de ajudar a reduzir impactos de eventos extremos. Sua preservação e restauração são indispensáveis não apenas para a manutenção da biodiversidade, mas também para a qualidade de vida nas cidades e para a saúde pública, já que a degradação ambiental está ligada ao aumento de doenças como dengue, zika e febre amarela — complementa. (*Estagiário sob a supervisão de Renan Damasceno)
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