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Trump na China: na agenda, assuntos como guerra no Irã, tarifaço e possibilidade de novos acordos comerciais | Collector
Trump na China: na agenda, assuntos como guerra no Irã, tarifaço e possibilidade de novos acordos comerciais
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Trump na China: na agenda, assuntos como guerra no Irã, tarifaço e possibilidade de novos acordos comerciais

Donald Trump desembarca na China para visita histórica O presidente americano, Donald Trump, desembarcou na China para uma visita histórica. Os correspondentes Felipe Santana e Lucas Louis, em Pequim , acompanham a visita. "Queria convidar vocês a entrarem em Pequim pela porta histórica - tem mais de 600 anos. Só o imperador passava por aqui. As muralhas que protegiam a cidade foram derrubadas para dar espaço à modernização. Mas esse continua sendo o marco zero. Daqui se medem todas as distâncias das estradas da China. O presidente americano, Donald Trump, está hospedado não longe daqui. Em cerca de uma hora ele deve sair do hotel e vir aqui para o Grande Salão do Povo, que é o local onde o Congresso costuma se reunir, e onde vai ser a reunião bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping", conta o correspondente Felipe Santana. Se engana quem pensa que, porque o Brasil está do outro lado do mundo, essa reunião é distante da gente. Porque China e Estados Unidos são os nossos dois principais parceiros comerciais. E Donald Trump vai tentar convencer Xi, nesta quinta-feira (14), a comprar dos americanos o que hoje compram do Brasil. Por isso, tem comissão brasileira na China. Por exemplo, o presidente da Comissão de Promoção de Exportações, a Apex, está no interior da China para abrir mais mercado para a carne. O ministro da Agricultura também chega na China nesta quinta-feira (14). "Mas sabe qual seria o melhor resultado dessa reunião para a gente? Que eles continuassem nesse clima de rivalidade controlada. Nem que briguem — porque o caos não é bom para ninguém — mas nem que saiam daqui melhores amigos, porque senão a gente fica preterido", diz Felipe Santana. Trump na China O Air Force One de Donald Trump chegou à China às 19h50, 8h50 pelo horário de Brasília. Na saída do avião, foi recebido com tapete vermelho, banda militar e guarda de honra pelo vice-presidente Han Zheng e também por 300 jovens que, em coro, davam as boas-vindas e acenavam com bandeiras americanas e chinesas. Mas tinha muito mais gente o esperando. Muitos curiosos estavam na frente do hotel e a polícia estava mandando circular para deixar as pessoas passarem, mas muita gente foi ver Donald Trump. “O jeito como Trump lida com o mundo é um pouco agressivo. Não é o jeito chinês, mas é o jeito americano, não é? Acho que estamos fazendo história nesse momento”, diz um chinês. “Eu acho que ele vir à China falar de comércio é uma coisa boa. Afinal, nós exportamos tanto”, afirma outro chinês. Assim que chegou a Pequim, Donald Trump foi para o hotel onde ficará hospedado. De agenda oficial, ele tem apenas a quinta-feira (14) e a manhã de sexta-feira (15). Só que na quinta-feira, o único dia cheio, seis horas foram reservadas para despachar com seus assessores. Afinal, há uma guerra em curso no Oriente Médio que atrasou essa visita em um mês. Trump na China: na agenda, assuntos como guerra no Irã, tarifaço e possibilidade de novos acordos comerciais Jornal Nacional/ Reprodução Donald Trump encontra uma China muito diferente do que viu em sua primeira visita, em 2017. Naquela ocasião, Trump foi recebido para um tour privado de quatro horas pela Cidade Proibida, que culminou em uma apresentação da Ópera de Pequim. Dessa vez, ele foi com grupo de empresários, com tempo mais restrito e direcionado para algumas reuniões, um jantar, um chá e uma foto final. Mas ele vai encontrar também uma China que tem mais poder do que em seu primeiro mandato. Em 2017, os chineses ainda viam os americanos com certa inveja e admiração. Hoje, como potência em declínio, e a si próprios como a estrela que nasce no Oriente. Analistas chineses, favoráveis ao regime – porque não poderia ser de outra forma – atribuem essa ruptura de ponto de vista a uma pessoa: Donald Trump. A relação entre os dois países foi atropelada pelas tarifas do presidente americano. Em abril, quando Trump anunciou seu tarifaço global. A China foi taxada com 34% e revidou também em 34%. Trump pagou para ver, subiu para 84%. A China fez igual. Trump continuou: aumentou a tarifa para 125%. A China retribuiu na mesma moeda. Só que os produtos chineses tinham uma sobretaxa extra, de 20%. Segundo Trump, uma punição pelo tráfico de fentanil, uma droga pesada. Ou seja, no total, a tarifa contra os chineses chegava a 145% – a maior entre todos os países. Durou pouco. Em maio, uma primeira rodada de negociações suspendeu a guerra comercial. Os americanos baixaram as tarifas para 30%, e os chineses, para 10%. Desde então, Estados Unidos e China vêm fazendo trégua atrás de trégua, negociando, aos poucos, uma solução mais duradoura. A estratégia da China não foi apenas dobrar a aposta. Além de jogar com os números, o governo restringiu a exportação e importação de matérias-primas importantes para empresas americanas, como componentes de baterias, minerais raros e outros produtos. O principal argumento de Trump é que a China vende muito mais para os Estados Unidos do que compra. Mas e se os ataques americanos tiverem sido uma forma de a China ganhar ainda mais poder? E se a China tivesse previsto que isso aconteceria? De acordo com Zongyuan Liu, especialista em economia da Universidade Columbia, em Nova York, a mudança veio depois deste dia: 24 de fevereiro de 2022. A China não quer que aconteça com ela o que aconteceu com Moscou. Yuan, moeda da China Jornal Nacional/ Reprodução Nas rodadas de sanções, o então presidente americano Joe Biden excluiu a Rússia do sistema de comunicação global entre bancos, para tentar impedir ao máximo o país de fazer transações em dólar. A professora Liu explica que, a partir daí, a China começou a se proteger. A primeira coisa que fez foi vender títulos da dívida americana. A China é o país que mais empresta dinheiro para os Estados Unidos dessa forma. Funciona assim: os Estados Unidos precisam de dinheiro e emitem uma carta prometendo pagar de volta com juros. A China compra essa carta e depois recebe o dinheiro corrigido no vencimento. Liu explica que a China já teve US$ 1 trilhão em títulos dos Estados Unidos e que agora está em um dos momentos mais baixos da história: perto de US$ 700 bilhões. Para se proteger, a China também começou a comprar ouro como reserva e fortaleceu seu sistema para usar o yuan, a moeda local, nas transações internacionais. Ou seja, a pressão de Donald Trump contra a China tem um efeito colateral forte contra os Estados Unidos: acelera o processo de o mundo deixar de depender do dólar para fazer negócio. Segundo Liu, a desdolarização já está acontecendo. Mas a moeda americana continua sendo a principal reserva de bancos centrais do mundo todo, e isso é poder para Donald Trump. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Entenda o xadrez econômico entre Donald Trump e Xi Jinping Viagem histórica: Trump visita a China para fazer negócios Trump diz que discutirá venda de armas a Taiwan e guerra no Irã com Xi Jinping em visita à China China anuncia datas da visita oficial de Trump e fala em trabalhar 'em pé de igualdade' com os EUA Só a etiqueta muda: Fantástico flagra mesma calça sair de fábrica na China para ser vendida entre R$ 100 e R$ 800 China acelera corrida tecnológica com robôs, fábricas automatizadas e produção em massa

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