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Visão de longo prazo ajuda empresas a evitar turbulência política nos EUA, dizem executivos
Jornal O Globo

Visão de longo prazo ajuda empresas a evitar turbulência política nos EUA, dizem executivos

Os Estados Unidos mantêm um ambiente de negócios positivo para as empresas, independentemente da postura política do presidente Donald Trump. Foi o que indicaram executivos de grandes companhias brasileiras com operações no mercado americano ontem, durante a terceira edição do “Summit Valor Brazil-USA”, promovido pelo Valor Econômico, em Nova York. Summit Valor Brazil-USA: EUA e Brasil devem ampliar cooperação em segurança regional, diz senador republicano Em Nova York: Brasil é 'mediador' e precisa ampliar influência no cotidiano dos EUA, diz diplomata O presidente e integrante do conselho de administração da Gerdau, Gustavo Werneck, disse que o modelo de gestão de Trump, com o uso de tarifas como política de proteção comercial, pode levar a medidas inesperadas, mas sustenta a visão de longo prazo do grupo de retomada da indústria americana. Segundo o executivo, a companhia não pauta investimentos por volatilidade de curto prazo e investe nos EUA por acreditar na demanda crescente que o país representa nos negócios do grupo. — [Com esse cenário] Houve um incentivo adicional para as empresas brasileiras colocarem uma base produtiva aqui nos EUA — afirmou. O custo com insumos básicos como energia e gás natural, disse, é incomparável nos EUA e torna impossível compensar a diferença de preços entre os dois países apenas com eficiência de gestão. Cenário positivo A Gerdau opera na América do Norte com 13 das 29 unidades produtoras de aço totais da companhia, distribuídas entre Estados Unidos e Canadá. Werneck disse que tem visto a reindustrialização dos EUA na prática, com clientes instalando novas fábricas no país. — Temos hoje muito aço sendo direcionado para novas fábricas de semicondutores sendo colocadas aqui. Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, destacou que, atualmente, 50% do faturamento global da JBS vem dos EUA, onde está há 20 anos, com presença em 31 estados. Afirmou que a postura atual do americano não muda a estratégia, que se baseia em uma visão de longo prazo. — Os ciclos políticos passam e temos uma visão de longo prazo. No curto prazo, avaliamos as oportunidades que essas descontinuidades trazem. Brian Winter: Interesse em terras raras mudou postura dos EUA ante o Brasil, diz vice-presidente de políticas da Americas Society Tomazoni disse que uma redução de tarifas de importação de carne bovina pelos EUA será positiva para o mercado local e para o Brasil. Reportagem do jornal Wall Street Journal revelou que o governo americano estuda a possibilidade de reduzir essas tarifas. — A gente vê [o cenário] como positivo para o Brasil e os EUA. Somos complementares. Isso vai melhorar a condição americana, melhorar para o produtor rural brasileiro e para o produtor americano. O presidente da Philip Morris para a América Latina e Canadá, Marco Hannappel, destacou que a volatilidade dos mercados está dada e que cabe à gestão das empresas lidarem com esse tipo de situação. — A habilidade das empresas de se adaptarem é a chave. Tivemos que nos adaptar às turbulências. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luiz Césio Caetano, disse que empresas americanas podem ampliar o portfólio de investimentos no Brasil, em “fronteiras” como transição energética, indústria de baixo carbono, economia circular, indústria química e petroquímica avançada, complexo aeroespacial e num hub de inovação em tecnologia de inteligência artificial e data centers. — Existe um amplo mercado dentro dessas janelas de investimento e oportunidades que nós identificamos. Estratégia independente Já o vice-presidente de estratégia, comunicação e relações institucionais da Cosan, Guilherme Penin, disse que a reestruturação societária em curso não vai atingir as operações americanas do grupo. Segundo o executivo, a Moove, subsidiária do conglomerado de Rubens Ometto, possui grau de alavancagem saudável e toca sua estratégia de forma independente do restante do grupo. A empresa de lubrificantes opera nos EUA com três fábricas.

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