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'A Turma': como funcionava o grupo investigado por ameaças que levou à prisão de pai de Vorcaro | Collector
'A Turma': como funcionava o grupo investigado por ameaças que levou à prisão de pai de Vorcaro
Jornal O Globo

'A Turma': como funcionava o grupo investigado por ameaças que levou à prisão de pai de Vorcaro

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira o pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, na sexta fase da operação que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A nova etapa mira integrantes da chamada “A Turma”, estrutura usada pelo grupo criminoso para intimidar desafetos, acessar informações sigilosas e promover invasões a dispositivos informáticos. A terceira fase da operação também mirou o grupo "A Turma". Segundo decisão que embasou ação policial em março, o grupo era coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas comunicações como "Felipe Mourão" e apelidado de "Sicário", responsável por organizar uma estrutura dedicada ao monitoramento de pessoas e obtenção de informações sensíveis. A investigação aponta que o grupo realizava atividades de vigilância e coleta de dados sobre indivíduos considerados de interesse do esquema. Além disso, conforme apuração, o grupo atuava para pressionar ou intimidar indivíduos que se posicionassem de forma crítica em relação ao banco ou a seus dirigentes. Em uma mensagem interceptada pela PF, Vorcaro diz a Luiz Phillipi Mourão, que era chamado pelo apelido de "Sicário", para "dar um sacode" num chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário. “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, diz ele, na mensagem. Em outra, Vorcaro pede a Mourão para "moer" uma empregada que o estaria ameaçando: "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.” Mourão, então, pergunta: "O que é para fazer?". Ele responde: "Puxa endereço tudo". A PF pediu a prisão preventiva de Vorcaro e Mourão na época ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo crime de coação no curso do processo. Mourão morreu após ser preso pela PF, na superintendência da corporação, em Minas Gerais. "Nesse contexto, o investigado (Mourão) organizava e executava diligências destinadas à identificação, localização e acompanhamento de pessoas que mantinham relação com investigações ou com críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master", acrescentou a decisão. Segundo as investigações, há indícios de que Mourão recebia uma renumeração de R$ 1 milhão por mês pelos "serviços ilícitos", que envolviam consultar dados sobre os alvos em bases abertas, mas também em sistemas restritos de forças de segurança, como PF e Ministério Público Federal. No despacho, Mendonça afirma que Mourão exercia "papel central" na coordenação do grupo e "mantinha relação direta de prestação de serviços com Daniel Bueno Vorcaro, atuando como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado".

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