Jornal O Globo
A sexta fase da Operação Compliance Zero identificou dois policiais federais da ativa - o agente Anderson Wander da Silva Lima e a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva - como integrantes da organização criminosa patrocinada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Anderson é apontado como o gente que repassava informações dos sistemas internos da Polícia Federal desde ao menos agosto de 2023, mediante consultas indevidas, a Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado preso em operação anterior da Compliance Zero. Marilson é um dos integrantes de "A Turma", grupo que atuava para intimidar desafetos, acessar informações sigilosas e promover invasões a dispositivos informáticos em benefício de Vorcaro. Andrei Rodrigues: 'PF não protege, nem persegue, age com autonomia, e corta na própria carne quando necessário' Banco Master: Pai de Daniel Vorcaro é preso Segundo a decisão do ministro André Mendonça, que determina a operação desta quinta-feira, o intercâmbio de informações renderia a Anderson "vantagens ilícitas, presentes ou outras contrapartidas financeiras". A delegada Valéria e seu marido, Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado, também colaboravam "para o repasse de dados sigilosos relacionados ao Inquérito Policial nº 2023.0064343, de interesse de HENRIQUE e DANIEL VORCARO, valendo-se, para tanto, de acesso indevido ao sistema eletrônico da Polícia Federal e de comunicação indireta com MARILSON ROSENO", ressalta a decisão de André Mendonça. Os braços do Master: PF revela que esquema de Vorcaro envolvia também jogo do bicho Vorcaro mantinha uma milícia digital: 'Os Meninos' Confira: 'A Turma' acessou informações sobre Nelson Tanure e Maurício Quadrado Os elementos reunidos pela Polícia Federal indicam que Valéria "teria ido além de mera proximidade com investigados, assumindo papel relevante no fornecimento de informações sigilosas para "A Turma". Embora estivesse lotada, desde 2006, na Delegacia de Polícia Fazendária em Minas Gerais, sem qualquer atribuição relacionada ao Inquérito Policial nº 2023.0064343, conduzido pela Superintendência Regional da PF em São Paulo, "teria consultado o procedimento e repassado, diretamente ou por intermédio de FRANCISCO, dados relevantes a MARILSON, que posteriormente os transmitiu a integrantes da organização." A investigação mostra que conteúdo compartilhado teria sido suficientemente detalhado, permitindo a identificação do objeto da investigação e das pessoas visadas pela PF.
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