Revista Oeste
O ativista Joshua Wong, um dos nomes mais conhecidos dos protestos pró-democracia em Hong Kong, voltou ao tribunal nesta quinta-feira, 14, em um novo processo baseado na Lei de Segurança Nacional imposta pela China à ex-colônia britânica. Ele responde à acusação de conspiração para conluio com forças estrangeiras, crime que pode resultar em prisão perpétua. Wong tem 29 anos e está preso desde novembro de 2020. Ele ganhou projeção internacional aos 17 anos, durante o Movimento dos Guarda-Chuvas, quando milhares de manifestantes ocuparam ruas de Hong Kong em defesa de eleições livres e maior autonomia política em relação a Pequim. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste Ao lado de outros líderes estudantis, Wong fundou em 2016 o partido Demosistō, legenda dissolvida depois da aprovação da Lei de Segurança Nacional pela China, em junho de 2020. A legislação criminalizou atos classificados como subversão, secessão e conluio com forças estrangeiras. A norma ainda ampliou os poderes da polícia local e levou a centenas de prisões. Atualmente, Wong cumpre pena de quatro anos e oito meses por participação no caso conhecido como “Hong Kong 47”, considerado o maior julgamento da história recente da cidade sob a Lei de Segurança Nacional. O processo envolveu dezenas de ativistas e políticos ligados às primárias democráticas informais realizadas em 2020. A previsão de libertação do ativista era para 2027. No entanto, em junho de 2025, Wong passou a responder a um novo processo enquanto já cumpria pena. Segundo os promotores, ele teria conspirado para solicitar que governos estrangeiros, organizações internacionais ou indivíduos impusessem sanções, bloqueios ou “outras atividades hostis” contra Hong Kong ou a China. Entidades internacionais de direitos humanos criticam o tratamento dado ao caso de Wong. Sarah Brooks, diretora da Anistia Internacional para a China, afirmou que a acusação “foi desenhada para manter Wong atrás das grades o maior tempo possível” e que ela “revela o medo das autoridades diante de vozes dissidentes”. Livro de ativista de Hong Kong foi publicado no Brasil Wong é autor do livro Democracia Ameaçada , lançado no Brasil em 2020 pela editora Faro Editorial. O autor relata os primeiros passos de sua atuação política ainda aos 14 anos, quando organizou protestos estudantis contra mudanças no currículo escolar de Hong Kong. O livro também aborda os protestos pró-democracia na cidade, a relação de Hong Kong com Pequim e cartas escritas pelo ativista durante períodos de prisão. Wong gravou um vídeo direcionado ao público brasileiro durante o lançamento da obra. Assista : https://www.youtube.com/watch?v=07dvULXGBqo Leia também: "A esfinge chinesa" , artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 285 da Revista Oeste O post Ativista pró-democracia pode pegar prisão perpétua em Hong Kong apareceu primeiro em Revista Oeste .
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