Vogue Brasil
Correntes de prata que simulavam fios de algodão, headpieces de penas formando palavras, bolsas inspiradas nos interiores de Cadillacs vintage e um desfile escrito como se fosse um roteiro de cinema. O cruise 2027 de Jonathan Anderson para a Dior transformou Los Angeles em uma fantasia surrealista entre glamour, memória e couture. Chanel, cruise 2027 Vogue Runway Apresentada no Los Angeles County Museum of Art, a coleção marcou o primeiro cruise de Jonathan Anderson na maison. O desfile inteiro foi pensado como um filme. Até o release da coleção foi escrito como um roteiro cinematográfico, com descrições de câmera, trilha sonora e personagens entrando em cena. Faz sentido. Além da relação íntima entre o Monsieur Dior e as estrelas de cinema de sua época, antes da moda, Anderson chegou a se mudar para os Estados Unidos tentando seguir carreira como ator em Hollywood. Chanel, cruise 2026 Vogue Runway A cenografia transformou o museu em uma espécie de thriller noir californiano, com Cadillacs vintage espalhados pelo espaço, névoa artificial e luzes de faróis recortando os looks. Os carros também inspiraram os acessórios, especialmente as novas Saddle Bags, que trazem referências diretas às carrocerias e aos interiores dos conversíveis americanos. Entre os detalhes mais técnicos da coleção, um dos mais impressionantes foram os jeans rasgados reconstruídos manualmente com correntes ultrafinas de prata que imitavam fios de algodão. Os headpieces foram criados por Philip Treacy e feitos com penas moldadas formando palavras como “Dior”, “Buzz” e “Flow” – uma reinterpretação de um item usado originalmente pela editora de moda Isabella Blow. Chanel, cruise 2027 Vogue Runway Revistas Newsletter O vestido vermelho colocado estrategicamente no meio do desfile foi uma referência a uma tradição do próprio Christian Dior, que costumava inserir um look nessa cor para “acordar” o público e quebrar o ritmo visual da apresentação. A coleção também é dominada pela papoula da Califórnia, uma flor que carrega simbolicamente a ideia de sonhos e escapismo. É uma referência que conecta o imaginário do pós-guerra, o surrealismo e Hollywood como “Dream Factory”, a fábrica de sonhos do cinema clássico. Em alguns looks, as flores aparecem como aplicações tridimensionais, quase como esculturas têxteis em movimento. Chanel, cruise 2026 Vogue Runway O cruise 2027 da Dior constrói uma Los Angeles feita de imagens. Cinema noir, glamour de Hollywood, arquitetura brutalista e carros antigos aparecem no mesmo espaço, como se tudo fizesse parte de um grande set contínuo. O desfile deixa a sensação de uma cidade lembrada mais pelas imagens que ela produziu do que pela sua estrutura. Um lugar que existe entre o que foi visto, o que foi filmado e o que foi imaginado.
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