Vogue Brasil
Dez anos depois de fundado, o Instituto Identidades do Brasil chegou à sua celebração mais simbólica: a nona edição do Prêmio Sim à Igualdade Racial, realizada na última quarta-feira no Rio de Janeiro. No palco, nos figurinos e nas músicas que embalaram a noite, o tema que ecoou foi "Surrealismo Afro-Indígena Brasileiro" — uma convocação para jogar luz sobre iniciativas que promovem inclusão racial. E, desta vez, com um gostinho especial, já que o evento será transmitido pela Globo ainda este mês. "Estamos falando do surrealismo que vem das favelas, das aldeias e dos quilombos. Esse surrealismo que bebe das nossas referências para a gente continuar sonhando com um futuro possível de igualdade racial", diz Luana Génot, fundadora e CEO do ID_BR, ao mostrar seu vestido na cor que ela mesma batizou de azul surreal. No cabelo, um adorno em formato de vela, escolha deliberada para celebrar os dez anos do instituto que criou e segue à gerindo junto com o diretor Tom Mendes. Luana Génot Larissa Lopes/id_br No tapete vermelho, lideranças negras e indígenas, intelectuais, atores e atrizes desfilaram com figurinos que eram, por si só, um manifesto — referências afro-indígenas em cada bordado, adorno e escolha de cor. A atriz Alice Carvalho escolheu blazer e saia com bordados feitos à mão da Nalimo. "Quando estou com meus pares e pessoas que se conectam comigo não só através das nossas dores, mas também das alegrias — pessoas diversas que se assemelham nos sonhos e que sonham apesar da desigualdade —, sinto uma força motriz para continuar fazendo meu trabalho", disse a atriz, que este ano grava o filme biográfico da jogadora Marta. Bela Campos estreou um novo visual — cabelo quase raspado — e apostou em Balmain para a ocasião. Alice Carvalho Lilo Oliveira/id_br Conduzida por Ícaro Silva e Dandara Queiroz, a cerimônia distribuiu prêmios nas categorias de cultura, educação e empregabilidade. As indicações partiram do público online, passaram por uma curadoria externa e foram ao fim avaliadas por um júri especializado. O Grupo L'Oréal no Brasil e a Natura levaram o prêmio na categoria Comprometimento Racial. A Dendezeiro, marca criada por Hisan Silva e Pedro Batalha, foi reconhecida com o prêmio Trajetória Empreendedora, que homenageia negócios que geram impacto e inovação a partir da pauta racial. Na categoria Influência e Representatividade Digital, o prêmio ficou com Cunhaporanga, entre as personalidades negras e indígenas que se destacam na internet. Revistas Newsletter A noite também reservou um momento de emoção à parte. Luana Génot parou a cerimônia para prestar uma homenagem a Preta Gil, que sempre apoiou o prêmio e o instituto. Djavan também recebeu uma menção especial, como um dos maiores cantores e compositores da música brasileira. A programação artística se estendeu pela noite. A noite abriu com a esquete "Onironautas das Encruzilhadas" e seguiu com Péricles ao lado de Bruna Black e da bateria da Beija-Flor. O rap feminino tomou o palco com Souto, Duquesa e A Julia Costa, seguidas de Jota Pé e Mestrinho. Todos os números foram acompanhados de um balé com direção artística de Gil Alves — uma camada a mais que transformou a cerimônia em celebração cultural tanto quanto os troféus entregues. O Prêmio Sim à Igualdade Racial existe desde 2018, criado por Luana Génot e Tom Mendes a partir de uma premissa direta: dizer "não" ao racismo é o mínimo esperado — dizer "sim" é agir. Em uma década, o ID_BR impactou mais de 700 mil colaboradores e 60 mil educadores em programas de letramento racial, alcançando cerca de 14 milhões de pessoas por ano. Nesta edição, tudo isso ganhou ainda mais peso — e uma vela acesa para soprar. O Prêmio Sim à Igualdade Racial 2025 vai ao ar no dia 24 de maio, após o Fantástico, na Rede Globo.
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