Jornal O Globo
No vaivém da moda, plumas e penas já estiveram várias vezes nas alturas: pense em chapéus gigantes da Belle Époque, usados como símbolo de status, boás, peça fundamental do visual transgressor de melindrosas, e vestidos cinematográficos da era dourada de Hollywood. Mais de um século depois, elas retornam como protagonistas. Estão nas coleções de verão 2026 de grifes como Chanel, Balenciaga e Bottega Veneta e em etiquetas nacionais como Lucas Leão e Misci, acusada pela impresa paulista de copiar os gringos em seu desfile na Rio Fashion Week Look do desfile da Misci, em abril, no Sambódromo Agência Fotosite Apropriação, homenagem ou referência, o fato é que com a retomada das plumas, a questão da sustentabilidade vem à tona. “Sinaliza inovações e mudanças. Há grifes tradicionais, como Chanel, que continuam usando as naturais e outras alinhadas com os novos tempos. Stella McCartney, por exemplo, investe em pesquisa de ‘faux feathers’”, diz a analista e pesquisadora de moda Paula Acioli. Em outubro, a designer britânica lançou uma alternativa vegana a plumas e penas, desenvolvida pela start up Fevvers. A estilista afirmou que seu objetivo “é mostrar ser possível manter o drama e a beleza sem comprometer o bem-estar animal". Look da coleção de verão 2026 da Chanel GettyImages Além desse dilema ético, a invasão da textura traz um contraste com o quiet luxury tão falado no pós-pandemia. “Os tapetes vermelhos, do Oscar e do Met Gala, foram dominados por ícones fashionistas como Nicole Kidman e Beyoncé adornados por plumas e penas. É uma resposta sensorial ao minimalismo”, avalia a consultora de moda internacional Simone Jordão. “O foco deixou de ser a ostentação para servir como uma ‘armadura’ em um mundo tecnológico”, conclui.
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