Jornal O Globo
O presidente russo, Vladimir Putin, visitará a China, seu parceiro estratégico, em viagem oficial nos dias 19 e 20 de maio (terça e quarta), poucos dias depois da visita do americano, Donald Trump ao país asiático. A China considera a Rússia um sócio prioritário na criação de uma nova ordem mundial multipolar pós-ocidental. Marcelo Ninio: Sem um grande acordo, Trump sai menor do que entrou na China O Kremlin anunciou que, durante a visita Putin discutirá com o líder supremo da China, Xi Jinping, como "fortalecer ainda mais o relacionamento global e a cooperação estratégica" entre os dois países. Eles discutirão "importantes questões internacionais e regionais" e assinarão uma declaração conjunta, afirmou um comunicado. Virada no front: Ucrânia supera Rússia em avanços por terra pela primeira vez desde 2024, enquanto guerra com drones e mísseis domina conflito Também está previsto um encontro de Putin com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, para discutir cooperação econômica e comercial bilateral. Guerras, oficialmente, não estão na pauta. Trump, que busca papel de mediador na guerra entre a Ucrânia e a Rússia, precedeu Putin em sua visita à China. A viagem do chefe de Estado russo ocorre em um momento no qual os esforços diplomáticos para encontrar uma solução para o conflito na Ucrânia estão paralisados. O avanço lento nas conversas se deve, em particular, ao envolvimento dos EUA na guerra no Oriente Médio. Uma breve trégua intermediada por Trump interrompeu a campanha de bombardeios intensos longe das linhas de combate na fronteira entre Rússia e Ucrânia, mas os ataques foram retomados assim que o acordo expirou na noite da última segunda-feira. A China afirma ser favorável a negociações de paz e respeito à integridade territorial de todos os países, mas nunca condenou a Rússia por sua ofensiva militar lançada na Ucrânia em fevereiro de 2022. O governo chinês alega ser uma parte neutra na guerra. Pequim nega fornecer armas letais a qualquer um dos lados e acusa os países ocidentais de prolongar as hostilidades ao armar a Ucrânia. Como parceira econômica da Rússia, porém, a China é a maior compradora mundial de combustíveis russos, incluindo derivados de petróleo, que alimentam a máquina de guerra. Antes da chegada de Trump à China, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy pediu a ele que discutisse com Xi Jinping como encerrar a ofensiva russa. Trump deixou a China na sexta-feira dizendo que havia alcançado acordos comerciais "fantásticos", sem fornecer muitos detalhes. A fabricante de aeronaves Boeing confirmou um "compromisso inicial" pelo qual a China comprará 200 aviões, após o anúncio de Trump. A China, por sua vez, afirmou concordar com Trump em estabelecer uma "relação construtiva de estabilidade estratégica". O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, elogiou a cúpula EUA-China, enfatizando a natureza privilegiada dos laços entre Moscou e Pequim. "Se os acordos alcançados ou a serem alcançados por Pequim e Washington servirem aos interesses de nossos amigos chineses, só podemos ficar satisfeitos", declarou ele na sexta-feira em uma coletiva de imprensa em Nova Déli. Mas "estamos ligados à China por relações (...) que são mais profundas e fortes do que as alianças políticas e militares tradicionais. Este é um novo tipo de relacionamento que estabiliza a política global e a economia global mais do que qualquer outro fator", disse Lavrov.
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