Jornal O Globo
A Bielorrússia deu início, em parceria com a Rússia, a manobras militares envolvendo o arsenal militar russo instalado no país, incluindo o míssil balístico Oreshnik, já usado na invasão russa da Ucrânia, mas com munições convencionais. O anúncio dos exercícios coincide com um cenário cada vez mais complexo no conflito em solo ucraniano, com combates inconclusivos, ataques aéreos violentos e sem avanços pelo lado diplomático. Depois de Trump: Putin anuncia que visitará a China poucos dias depois de Trump Efeito doméstico: Sob impacto do envio de detentos para a guerra, população carcerária da Rússia cai 40% desde a invasão da Ucrânia Segundo o Ministério da Defesa bielorrusso, os exercícios são voltados ao “treinamento de pessoal, testar a prontidão de armamentos, equipamentos militares e especiais para missões e organizar o desdobramento em combate a partir de áreas não planejadas”. No ponto mais importante, serão organizadas ações ligadas ao ”lançamento de armas nucleares e sua preparação para uso”, em parceria com a Rússia. “O objetivo principal deste evento será testar a prontidão para realizar missões de combate em áreas despreparadas em toda a República da Bielorrússia. O foco principal será praticar operações furtivas, deslocamento por longas distâncias e realizar cálculos para o uso de forças e recursos”, enfatizou o Ministério da Defesa. Míssil Oreshnik Reprodução/X Em setembro de 2024, a Rússia revisou sua doutrina nuclear, abrindo caminho para o posicionamento de armas nucleares na Bielorrússia, sua maior aliada na Europa. No ano seguinte, os primeiros mísseis do modelo Oreshnik — usados na Ucrânia em sua versão com explosivos convencionais — foram instalados no país. Durante os tempos da União Soviética, a Bielorrússia abrigava lançadores móveis de armas nucleares, e concordou, ao lado de Ucrânia e Cazaquistão, a entregar as ogivas à Rússia em troca de garantias de segurança, através do chamado Memorando de Budapeste, de 1994. Embora a Bielorrússia seja usada pela Rússia como base para a guerra contra a Ucrânia, oficialmente o país não integra a chamada “Operação Militar Especial”. No comunicado, o Ministério da Defesa local diz que as manobras não são uma ação para intimidar outros países, tampouco representam uma ameaça à segurança regional. O comando militar russo não se pronunciou. 'Satã-2': Saiba como é míssil nuclear que Moscou diz ser capaz de destruir área do tamanho da França As explicações do governo em Minsk não foram bem recebidas em Kiev, onde o temor de que uma arma nuclear seja usada pela Rússia está presente desde 2022. “O destacamento de armas nucleares táticas russas na Bielorrússia e os exercícios nucleares conjuntos conduzidos pelas duas ditaduras representam um desafio sem precedentes à arquitetura de segurança global”, escreveu, em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia. “Ao transformar a Bielorrússia em sua base de operações nucleares perto das fronteiras da Otan, o Kremlin está, de fato, legitimando a proliferação de armas nucleares em todo o mundo e estabelecendo um precedente perigoso para outros regimes autoritários.” Pressão interna: Rússia reforça segurança de Putin em meio a temores sobre assassinato e golpe de Estado Os exercícios ocorrem no momento em que a Ucrânia dá sinais pontuais de sucesso na contenção de avanços terrestres russos e impõe custos elevados à Rússia com seus ataques com drones a instalações militares e energéticas. Por outro lado, Moscou intensificou o volume dos bombardeios contra cidades ucranianas, deixando centenas de vítimas nas últimas semanas. No campo diplomático, não há qualquer sinal de que os dois lados planejem retomar as negociações para um acordo de paz duradouro.
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