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Audiência no Senado defende integração no combate ao abuso infantil
Jornal de Brasília

Audiência no Senado defende integração no combate ao abuso infantil

Parlamentares, representantes do governo federal, da Polícia Federal e de entidades da sociedade civil defenderam maior integração entre escolas, serviços de assistência social, órgãos de segurança e instituições religiosas para ampliar a identificação de casos de abuso sexual contra crianças e fortalecer a rede de proteção às vítimas. O tema foi debatido na primeira audiência pública de um ciclo de debates da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, nesta segunda-feira (18), data que coincidiu com o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A audiência, solicitada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), teve como foco a avaliação do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes, instituído em 2022. Durante a sessão, a senadora criticou o caráter que classificou como “reativo” da atuação do Estado diante da violência sexual infantil e citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, que apontam taxa de 128 vítimas por 100 mil habitantes. Damares também manifestou apoio à PEC 7/2026, que prevê financiamento permanente para as políticas de assistência social, e afirmou que pretende ser a relatora da proposta no Senado. O tema do subfinanciamento foi abordado por Ikaro Cosme, representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, que disse haver limitações financeiras no setor e declarou expectativa de avanço com a aprovação da proposta. Pela Polícia Federal, o coordenador-geral de Combate a Crimes Cibernéticos, Valdemar Latance Neto, informou que a corporação realizou 1.165 operações em 2025 relacionadas a crimes contra crianças e adolescentes na internet. Ele alertou para o perfil dos abusadores, afirmando que 99% dos investigados são homens, geralmente próximos das vítimas, e que 87% das vítimas são meninas, em sua maioria com menos de 13 anos. O delegado também chamou atenção para os riscos do uso indiscriminado de celulares por crianças e adolescentes e para a atuação de criminosos por meio da internet. Leniel Borel, vereador no Rio de Janeiro e presidente da Associação Henry Borel, destacou a importância da escola na identificação de casos de violência doméstica contra crianças e adolescentes. Ele lembrou que muitas vítimas conseguem denunciar a violência apenas no ambiente escolar, já que, na maioria das vezes, o abuso ocorre dentro do próprio lar. O papel das instituições religiosas também foi ressaltado na audiência. Clayton Bezerra, presidente do Instituto Federal Kids, apresentou dados de uma pesquisa sobre violência contra crianças e adolescentes em igrejas católicas e protestantes e defendeu maior participação dessas instituições nas políticas de proteção à infância. Segundo ele, as igrejas conseguem alcançar comunidades onde o poder público enfrenta dificuldades de atuação. Já a diretora da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, Marcia Kalvon, avaliou que o atendimento ainda ocorre de forma compartimentalizada entre saúde, educação, assistência social e proteção social, o que dificulta a identificação de casos de violência. Para ela, falta articulação entre todos os setores dentro de um sistema mais integrado.

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