Jornal O Globo
Aos 21 anos, Bento é o mais novo integrante da família Gil a se iniciar de fato na carreira musical: esta terça-feira, ele lança o álbum “Silêncio azul”, que mostra também ao vivo à noite no Rio (no Teatro Prio) e, no próximo dia 9, em São Paulo (na Casa de Francisca). Neto de Gilberto Gil, filho de Bem, ele apresenta um disco de canções praieiras, uma patente que pertence a outro dos arquitetos da MPB, Dorival Caymmi (1914-2008). — Até pensei em chamar meu disco de “Outras canções praieiras”, em homenagem (a Caymmi), mas achei que seria uma ligação muito direta, uma responsabilidade muito grande. Talvez, se eu tivesse nascido neto dele, pudesse fazer isso! — brinca o moço que, no processo de composição, acabou se aproximando de “Canções praieiras” (LP lançado em 1954 pelo mestre) e gravou em seu disco um dos clássicos do baiano, “Quem vem pra beira do mar”. Bento levou três anos para fazer “Silêncio azul” (“o disco não tinha um prazo”, diz). “Encontrei a paz” e “Samba do Bonfim” foram as últimas composições que surgiram, feitas para a namorada, Bruna. — Na finalização do disco, o que faltava era eu gravar essas músicas que trazem perspectiva mais esperançosa sobre o amor. Elas finalizam com uma luz. — conta. — A ideia de fazer o disco começou num momento de solidão, de tristeza, e a imensidão do mar e o vaivém das ondas me ensinaram bastante durante esses processos mais duros da vida, em que a gente tá com o coração partido ou alguns problemas de ansiedade. Dinho Ouro Preto surge irreconhecível aos 62 anos, e fãs confundem filho com irmão: 'Tomou água da fonte' Erasmo Carlos: Cantor tem suas inquietações do início dos anos 1970 transformadas em rap “Silêncio azul” foi feito por Bento com produção da mãe, Barbara Ohana, com muita ajuda da prima Flor, e um pouco menos de Bem, que no meio do processo se mudou para Salvador (“mas ele também está muito presente ali, porque todas minhas essas referências, como o próprio Caymmi, João Donato, Jorge Mautner, Tom Zé e Jorge Ben Jor — tirando, claro, o meu avô — eu comecei a escutar através do meu pai”). Bento, que chegou a estudar jornalismo, conta que não pensava em ser músico. — Aí comecei a tocar as músicas mais complicadas do meu avô para a gravação da série que a gente fez para a Amazon (“Em casa com os Gil”, de 2022) e, a partir disso, me apaixonei profundamente pelo instrumento e por essas músicas dele mais complicadas — recorda. — Nisso, fui criando o hábito da composição. Em “Silêncio azul”, Bento gravou a instrumental “Amazônia”, que Gil estava compondo durante uma viagem a Amazônia e ele registrou num gravador para aprender. No disco, ela foi tocada por três violonistas — ele mesmo, o avô e Danilo Penteado, que o ajudou a aprender a tocar as músicas do patriarca — e contou com a percussão de garfo no prato de Moreno Veloso. — Meu avô não é uma pessoa que gosta de ensinar né? Mas adora tocar — resigna-se Bento, que até hoje é perguntado sobre as brigas que protagonizou (e as broncas que tomou), e que foram mostradas no misto de doc e reality que é “Em casa com os Gil”. — Hoje em dia sou cinco anos mais velho, mas assino embaixo de tudo que briguei ali. E, se quiserem brigar de novo, fico duas horas ali, só para provar o meu ponto, mas com muito carinho. Eu amo muito todo mundo. Eu era um alvo fácil, e assumi esse papel. Trailer, teaser, tudo que tem é com alguma brigazinha minha!
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