Jornal O Globo
O órgão interno de fiscalização e controle do Pentágono anunciou uma investigação sobre os ataques das Forças Armadas dos EUA contra lanchas supostamente ligadas ao tráfico de drogas no Oceano Pacífico e no Caribe — operações que já mataram 194 pessoas, segundo dados oficiais, e são parte da política de combate ao "narcoterrorismo" lançada pelo presidente americano, Donald Trump. O órgão vai avaliar se a ofensiva seguiu as diretrizes de seleção de alvos em meio às alegações de que os ataques foram ilegais e correspondem a execuções extrajudiciais. Com papel em contenção à China: Combate ao 'narcoterrorismo' de Trump acompanha aumento de letalidade em países da América Latina Bombardeios americanos: Investigação identifica 13 mortos nos ataques dos EUA no Caribe e Pacífico "O escopo desta avaliação inclui o processo conjunto para embarcações selecionadas como alvo na área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA, como parte da Operação Lança do Sul”, informou o escritório do Inspetor-Geral independente do Pentágono, em comunicado à Bloomberg News. Initial plugin text O objetivo da avaliação é determinar se o Pentágono seguiu um processo de seis fases chamado Ciclo Conjunto de Seleção de Alvos (Joint Targeting Cycle, em inglês), escreveu Bryan T. Clark, inspetor-geral assistente, em um memorando de 11 de maio enviado ao general Joseph Donovan, líder do Comando Sul dos EUA, e a Bradley Hansell, subsecretário de inteligência e segurança. A investigação foi iniciada pelo próprio órgão e não em resposta a um pedido do Congresso, informou a agência. "Realizaremos a avaliação no Pentágono e na sede do Comando Sul [e] poderemos identificar locais adicionais durante a avaliação", disse Clark. Steven McLoud, porta-voz do Comando Sul, afirmou que 59 embarcações foram destruídas em "58 ataques cinéticos totais" realizados no Caribe e no Pacífico Oriental, resultando em "194 mortes de narcoterroristas" — termo usado pelo Pentágono e pela Casa Branca para designar integrantes de grupos de crime organizado equiparados a organizações terroristas pelo presidente americano. O ataque mais recente ocorreu em 8 de maio, segundo um banco de dados mantido pelo site de análise jurídica Just Security. O Comando Sul dos EUA afirmou em uma publicação nas redes sociais que, naquele caso, a embarcação era "operada por Organizações Terroristas Designadas" no Pacífico Oriental, matando duas pessoas e deixando um sobrevivente. Initial plugin text Os ataques marcaram uma mudança drástica na abordagem dos Estados Unidos em relação ao narcotráfico, que historicamente se concentrou em interceptar embarcações e apreender drogas. Relatórios apresentados à ONU classificam as mortes nas operações como execuções realizadas sem direito de defesa. Uma investigação independente recente identificou 13 dos mortos, indicando que a maioria não tinha vínculos com o tráfico de drogas. Parlamentares democratas, organizações de direitos humanos e outros críticos afirmam que o governo apresentou poucas evidências de que as pessoas mortas fossem criminosas e que o devido processo legal foi ignorado. Eles destacam que dois sobreviventes feridos foram autorizados a retornar aos seus países de origem. A investigação interna no Pentágono representa um revés para o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que em março afirmou, durante uma conferência com presença de autoridades latino-americanas, que a campanha para caçar as supostas lanchas de drogas havia sido tão bem-sucedida que era difícil encontrar alvos. (Com Bloomberg e AFP)
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