Jornal O Globo
Sem slides ou falas prontas, o professor e escritor Luiz Antonio Simas mostrou na prática como é possível aprender para além dos muros da escola, utilizando elementos da rua e do dia a dia. Para o historiador, símbolos e expressões que estão na essência da cultura brasileira, como futebol, carnaval e religiosidade, podem trazer ensinamentos que não estão nos livros didáticos. — Educação é um fenômeno que está dentro da escola, mas vai muito além dela. Você se educa no botequim, na praça pública, na igreja, no terreiro, na quadra da escola de samba. O fenômeno educativo é cotidiano, é sempre incompleto, porque nós sempre vamos nos educando, e é um fenômeno que dialoga com o nosso dia a dia — afirmou o historiador. Com uma família muito ligada ao carnaval do Rio de Janeiro, o professor de História conta que seu interesse por essa disciplina não começou na escola, e sim assistindo aos desfiles na Sapucaí. Ele menciona o histórico desfile do Acadêmicos do Salgueiro, em 1960, cujo enredo foi “Quilombo dos Palmares”. — Quando o Salgueiro contou a história de Zumbi e do quilombo na avenida, você não encontrava Palmares sendo um assunto trabalhado em livros didáticos de História. — disse ele. — Então quando o Salgueiro cantou o samba em 1960, ele estava apresentando a uma geração de brasileiros a história do Quilombo dos Palmares. Simas falou ainda da importância de valorizar a cultura e a história de regiões e bairros onde moram os estudantes, permitindo uma sensação de pertencimento e entendendo que comunidades periféricas produzem saberes. — Chamar atenção para o lugar, para a rua, para as sociabilidades que ali estão sendo construídas, é uma tarefa educativa fundamental e extremamente necessária para construir aquilo que a educação almeja: a cidadania — apontou. — Não é propor uma oposição entre a rua e a escola. É entender que a rua produz saberes e que a escola pode dialogar com eles. O escritor concluiu sua fala destacando a importância da escola observar onde a vida está sendo construída, porque, na sua visão, fortalecer a crença na vida também é papel da educação. — A gente está afirmando a beleza da vida diante de tanta coisa que parece caminhar para o desencanto.
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