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Karin Hils revela sintomas do climatério após confundir sinais com excesso de trabalho
Jornal O Globo

Karin Hils revela sintomas do climatério após confundir sinais com excesso de trabalho

Durante muito tempo, Karin Hils acreditou que o cansaço constante, as oscilações de humor e a dificuldade para manter o ritmo eram apenas reflexos da rotina intensa entre musicais, gravações e apresentações. Acostumada a uma agenda acelerada e ao alto nível de exigência física da carreira artística, a atriz e cantora demorou a perceber que as mudanças que sentia não estavam ligadas apenas ao desgaste cotidiano. Havia algo diferente em seu corpo e, principalmente, na forma como ela se reconhecia nele. Menopausa, hormônios e longevidade: por que o tema ganhou novo espaço entre mulheres Saiba: Como reconhecer e tratar os sintomas mais comuns da menopausa "Eu comecei a perceber de forma muito sutil, no começo, e o que mais me chamou atenção foi a queda de energia, além de algumas oscilações de humor que não eram comuns para mim. Era uma sensação de não me reconhecer, meu corpo reagindo diferente, meu ritmo mudando", diz a artista, hoje com 47 anos, ao GLOBO. A resposta veio após exames e acompanhamento médico. Karin estava atravessando o climatério, fase de transição hormonal que antecede a menopausa e ainda costuma ser cercada de desinformação e silêncio. Embora atinja milhões de mulheres, o período frequentemente é confundido com sinais "naturais" do envelhecimento, o que faz com que sintomas importantes acabem negligenciados. "Diferentemente da menopausa, que é um marco específico após 12 meses sem menstruação, o climatério é uma longa transição hormonal que pode durar anos, afetando muito além do ciclo menstrual. O climatério ainda é muito silencioso e difícil de ser compreendido", explica a endocrinologista e metabologista Elaine Dias JK, PhD pela USP. Segundo a especialista, sintomas como fadiga persistente, alterações de humor, insônia, dificuldade de concentração e ganho de peso costumam ser minimizados pelas próprias mulheres, que muitas vezes acreditam que precisam apenas "aceitar" as mudanças do corpo com o passar do tempo. "O que poucas sabem é que existem abordagens muito eficazes para melhorar essa fase da vida", observa. No caso de Karin, os sinais começaram a se acumular gradualmente. Além da queda de energia, ela passou a conviver com inchaço frequente, metabolismo desacelerado, alterações emocionais, ansiedade e dificuldade para dormir. "Meu sono também ficou irregular, e isso impactou diretamente minha energia no dia seguinte", conta. Karin Hils e Elaine Dias Divulgação De acordo com Elaine, a redução na produção de estrogênio, um dos principais hormônios femininos, provoca impactos amplos no organismo. "O climatério não afeta apenas o ciclo menstrual. Ele impacta metabolismo, composição corporal, saúde cardiovascular, sono, cognição e qualidade de vida", detalha. As mudanças hormonais também alteram o funcionamento metabólico. "O corpo passa por uma redução do metabolismo basal, alterações no perfil lipídico, aumento da resistência à insulina, maior tendência ao acúmulo de gordura visceral, perda de massa muscular e diminuição da densidade mineral óssea. Além disso, há mudanças importantes nos níveis de colesterol, com aumento do LDL e redução do HDL, o que também eleva o risco cardiovascular ao longo do tempo. Muitas mulheres sentem como se o próprio corpo estivesse funcionando em outro ritmo", pontua. Para Karin, o ponto de virada aconteceu quando os sintomas começaram a afetar não apenas o bem-estar, mas também sua vida profissional. "Primeiro, fiz exames de rotina para investigar a causa de todos aqueles sintomas que estavam afetando meu trabalho, meu bem-estar como um todo. Precisava cuidar de forma mais profunda da minha saúde nesse momento da minha vida", relata. A partir daí, atriz e médica iniciaram um acompanhamento voltado ao reequilíbrio metabólico e hormonal, com uma abordagem individualizada. Mais do que tratar sintomas isolados, o objetivo era compreender o funcionamento do corpo naquele momento específico da vida da paciente. "Trata-se de entender o corpo, suas necessidades específicas naquele momento, e apoiar a mulher de forma integral. Quando essa abordagem é feita precocemente, conseguimos trabalhar não apenas os sintomas imediatos do climatério, mas também a longevidade e a prevenção de doenças futuras. O acompanhamento adequado pode reduzir riscos cardiovasculares, perda óssea, osteopenia, osteoporose e impactos metabólicos importantes que tendem a surgir nessa fase", afirma Elaine. Karin Hils relata impacto do climatério na saúde física e emocional Reprodução Instagram Durante o processo, Karin perdeu cerca de 10 quilos. Mas ela faz questão de destacar que a mudança mais importante não foi estética. "Meu verdadeiro desejo era me sentir bem, equilibrada, com energia. Quis realmente deixar de normalizar o desconforto na minha vida. A perda de peso veio como resultado do meu corpo funcionando melhor, não era o objetivo principal", ressalta. A endocrinologista frisa que, nessa fase, insistir em estratégias radicais pode produzir o efeito contrário. "Quando o corpo entra em equilíbrio hormonal e metabólico, quando o sono melhora e a mulher se sente bem, o peso tende a encontrar seu lugar de forma natural. Forçar uma restrição alimentar severa ou exercícios extenuantes, nessa fase, pode piorar ainda mais os sintomas. O que vejo com frequência é que mulheres tentam emagrecer da forma como faziam aos 30 anos. Nessa fase, o corpo pede uma abordagem completamente diferente, mais compaixão, mais escuta, mais individualização", esclarece. Quatro meses após iniciar o tratamento, Karin descreve a mudança a partir da sensação de presença e vitalidade recuperadas: "Meu humor estabilizou. Meu sono melhorou. Me sinto produtiva, com vitalidade. Voltei a me sentir presente. Eu mesma, mas em outra fase da minha vida." Para a artista, compreender o que estava acontecendo com o próprio corpo foi determinante para atravessar esse período com menos culpa e mais consciência. "Entender o que estava acontecendo no meu corpo foi crucial. Perceber quanto essas mudanças são comuns, mas ainda pouco faladas com clareza, me fez me sentir menos sozinha. E descobrir que o tratamento certo pode transformar completamente a forma como você se sente foi esperançoso", comenta. Karin Hils abre debate sobre climatério e sintomas ignorados por muitas mulheres Reprodução Instagram Hoje, Karin vive uma relação mais cuidadosa com a própria saúde e com os limites do corpo. "Cuido mais da minha alimentação. Tenho muito mais energia para produzir, criar e viver. Antes eu me sentia mais vulnerável às coisas. Hoje me sinto no controle da minha saúde", declara. Em um país onde milhões de mulheres atravessam o climatério sem informação adequada, histórias como a dela ajudam a ampliar uma conversa que ainda costuma acontecer apenas dentro dos consultórios. "Quando uma mulher pública, uma artista respeitada, fala sobre climatério sem tabu, ela dá permissão para que milhões de outras mulheres façam o mesmo", reflete Elaine. Ao compartilhar sua experiência, Karin tenta justamente reforçar uma mensagem que gostaria de ter ouvido antes. "Você não está sozinha. Não é loucura. Seu corpo está falando e existem profissionais que sabem ouvir. O tratamento é individualizado", conclui.

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