Jornal O Globo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou, nesta sexta-feira (22), o nível de risco apresentado pela epidemia de ebola na República Democrática do Congo de "alto" para "muito alto", o nível máximo, anunciou seu diretor, cuja organização manteve inalterado o nível de risco em escala regional e mundial. Em meio a surto de Ebola, seleção da República Democrática do Congo cancela concentração no país antes da Copa Testes errados e zonas de conflito: como o ebola se espalha silenciosamente no Congo — A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) se propaga rapidamente — declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma entrevista coletiva. — Anteriormente, a OMS havia avaliado o risco como alto em nível nacional e regional, e baixo em nível mundial. Atualmente, estamos revisando nossa avaliação de riscos para classificá-lo como muito alto em nível nacional, alto em nível regional e baixo em nível mundial — acrescentou. — Muito alto é o nível de risco mais elevado — precisou à AFP um porta-voz da OMS. A epidemia se propagou nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, divididas pela linha de frente entre as forças congolesas e o grupo armado M23, apoiado por Ruanda, que se apoderou de grandes extensões de território desde 2021. Diante dessa situação, a resposta sanitária é difícil e provocou cenas de caos em Ituri, onde fica o foco da epidemia e para onde a OMS enviou mais pessoal. Ebola: casos sobem para 750 e mortes para 177, mostra novo levantamento da OMS Até agora, "foram confirmados 82 casos, incluindo sete mortes" na RDC, indicou Tedros, mas ele precisou que há no país cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas. A isso se somam medidas "insuficientes" para controlar a epidemia e a falta de acesso para trabalhadores humanitários, segundo Abdi Mahamud, diretor de operações de alerta e resposta a emergências sanitárias da OMS. Tratamentos e vacinas Em Uganda, foram confirmados dois casos e uma morte foi registrada, segundo a Organização Mundial da Saúde. Um americano que contraiu ebola na RDC está hospitalizado na Alemanha. Outro cidadão americano, considerado contato de alto risco, foi transferido para a República Tcheca, segundo Tedros. Em Ituri, as autoridades provinciais anunciaram nesta sexta-feira a proibição dos velórios até segunda ordem. As reuniões públicas agora estão limitadas a um máximo de 50 pessoas. Em Kivu do Norte, o transporte de passageiros em ônibus e táxis foi suspenso em certos eixos. O grupo armado antigovernamental Movimento 23 de Março, que controla a cidade de Goma, indicou em um comunicado que "colaborará com os serviços sanitários dependentes de Kinshasa" para tentar conter a epidemia. O ebola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos, é menos contagioso que a covid ou o sarampo. Na falta de vacina e de um tratamento autorizado contra a cepa Bundibugyo do vírus, responsável pelo surto atual, tenta-se conter sua propagação com barreiras sanitárias e a detecção rápida dos casos. As vacinas existentes contra o ebola só são eficazes contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias registradas. O grupo "R&D Blueprint" da OMS reuniu seu grupo consultivo técnico sobre tratamentos e "recomendou dar prioridade a dois anticorpos monoclonais para avançar rumo a ensaios clínicos", ressaltou Tedros. Trata-se de "Regeneron 3479" e "Mapp Bio MBP134", segundo a cientista-chefe da OMS, Sylvie Briand.
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