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A qualidade dos utensílios distribuídos às escolas públicas do Distrito Federal, fornecidos pela empresa HD Empreendimentos, suspeita de irregularidades em contrato com a Secretaria de Educação, passou a ser alvo de críticas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O caso ganhou repercussão após o Governo do Distrito Federal (GDF) suspender o pagamento de quase R$ 100 milhões, depois de vir à tona que a servidora responsável por fiscalizar o contrato mantinha um relacionamento com o representante da companhia. Ao todo, 150 mil kits de alimentação escolar como copos, cumbucas, pratos, colheres e bandejas foram entregues a 461 unidades de ensino. Servidores e integrantes do Conselho de Alimentação Escolar apontam problemas no material, incluindo risco de queimaduras e baixa qualidade dos produtos. A TV Globo não conseguiu contato com as defesas de Luana Vanessa Duarte, de Idinaldo Cardoso da Silva nem da empresa HD Empreendimentos. Falha na qualidade dos produtos Kits de alimentação escolar no DF geram críticas por risco de queimaduras TV Globo/reprodução Uma das unidades fica em Ceilândia, onde cerca de 300 kits foram entregues no dia 11 de abril. Parte dos utensílios é feita de alumínio revestido com plástico. É o caso dos copos, que têm alças de plástico e interior metálico, e dos pratos, que também possuem bordas de alumínio. Segundo o Conselho de Alimentação Escolar, o material esquenta excessivamente, o que tem causado problemas no uso pelos alunos, principalmente crianças pequenas. Segundo Samuel Fernandes, membro do Conselho, uma criança chegou a se queimar ao beber leite em um dos copos. “É um absurdo. Há muitas reclamações de crianças que estão queimando a boca por causa da borda de alumínio e também as mãos ao segurar os pratos com comida quente. Esse material não é adequado”, completa. Servidores da rede também apontam falhas na qualidade dos produtos. Há relatos de peças oxidadas, infiltração de água nas partes revestidas de plástico e colheres frágeis. Segundo o conselheiro, algumas escolas chegaram a interromper o uso e voltaram a utilizar utensílios antigos. “Os pratos chegaram oxidados, entram água por baixo quando são lavados e as colheres são muito finas. É um material de péssima qualidade”, diz Fernandes. kits de alimentação escolar no DF geram críticas por risco de queimaduras TV Globo/reprodução Contrato milionário e suspeitas Os kits foram adquiridos por meio de um contrato de R$ 98 milhões firmado no ano passado pela Educação com a empresa HD Empreendimentos, sediada em Roraima. Cada conjunto foi comprado por R$ 216,20. O representante da empresa é Idinaldo Cardoso da Silva, que mantinha relacionamento com a servidora da Secretaria de Educação, Luana Vanessa Duarte. Pouco depois da assinatura do contrato, ela foi designada como fiscal do acordo — função publicada no Diário Oficial. Após a relação entre os dois vir a público, Luana pediu exoneração do cargo que ocupava na Gerência de Monitoramento da Alimentação Escolar e também deixou a função de fiscalização do contrato. kits de alimentação escolar no DF geram críticas por risco de queimaduras TV Globo/reprodução Em nota, a Secretaria de Educação informou que já pagou R$ 27 milhões referentes a 125 mil kits entregues. A pasta disse ainda que desconhecia a relação pessoal entre a servidora e o representante da empresa. Os pagamentos foram suspensos e uma auditoria foi aberta para apurar possíveis irregularidades. Investigação Fontes ligadas à Polícia Federal informaram que, em abril, Idinaldo Cardoso da Silva foi preso em flagrante em Roraima com cerca de R$ 1 milhão em dinheiro. Ele foi autuado por lavagem de dinheiro e responde em liberdade. A investigação foi iniciada após alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo apuração dos investigadores, os valores podem estar ligados a fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e possível pagamento de vantagens indevidas. O que diz a Secretaria de Educação do DF "A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informa que a servidora Luana Vanessa Duarte formalizou, em 16 de maio de 2026, pedido de dispensa da função de fiscal do Contrato nº 164/2025, por meio do Memorando nº 26/2026. Na mesma data, apresentou pedido de exoneração do cargo em comissão de Gerente da Gerência de Monitoramento da Alimentação Escolar (GEMAE), por meio do Memorando nº 27/2026, publicado no DODF nº 90, desta terça-feira, 19 de maio de 2026. Em 17 de maio de 2026, a servidora solicitou auditoria integral sobre os atos relacionados ao Contrato nº 164/2025, incluindo pagamentos, atestos e documentos fiscais, conforme Memorando nº 28/2026. Após tomar conhecimento da situação, a Secretaria de Educação determinou, em 18 de maio de 2026, por meio do Memorando nº 47/2026, a suspensão cautelar de pagamentos vinculados ao contrato e a realização de auditoria e análise técnica da execução contratual. O Contrato nº 164/2025, firmado com a empresa HD Empreendimentos Ltda. para aquisição de utensílios de alimentação escolar, decorre do Pregão Eletrônico nº 90022/2025. O edital foi publicado em 03 de abril de 2025; a sessão pública do pregão ocorreu em 05 de agosto de 2025; o resultado foi homologado em 22 de agosto de 2025; e o contrato assinado em 26 de novembro de 2025. A Ordem de Serviço SEI/GDF nº 188799031, assinada em 03 de dezembro de 2025 e publicada no DODF de 04 de dezembro de 2025, designou Luana Vanessa Duarte como fiscal titular do contrato. A SEEDF esclarece ainda que não havia, até então, qualquer comunicação formal ou registro nos autos administrativos acerca da suposta relação pessoal envolvendo a servidora e representante da empresa contratada." LEIA TAMBÉM: AGENDA: Porão do Rock, Guilherme Arantes, Kamisa 10 e George Henrique & Rodrigo agitam fim de semana no DF EVENTOS RELIGIOSOS: Pentecostes e Festa do Divino Espírito Santo reúnem fiéis no DF; trânsito sofre alterações Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
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