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Hospitais infantis usam cães de apoio para reduzir estresse e ajudar na recuperação de crianças
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Hospitais infantis usam cães de apoio para reduzir estresse e ajudar na recuperação de crianças

Grover, o cão de serviço do Hospital Infantil de Cincinnati (à esquerda), observa a paciente Kira Hodge nos Estúdios Seacrest do hospital. AP/Carolyn Kaster Um menino de 5 anos preso a fios e tubos conseguiu se levantar ao lado da cadeira de rodas para jogar uma bolinha para a cadela Hadley no pátio de um hospital infantil em Cincinnati, nos Estados Unidos. Ele estava há mais de um mês sem sair de casa. Sorriu quando a labradora correu para buscar o brinquedo — e recebeu aplausos dos cuidadores. Cenas como essa têm se tornado mais comuns em hospitais pediátricos americanos que passaram a incorporar cães de apoio em tempo integral à rotina de atendimento. Diferentemente dos cães de terapia levados por voluntários para visitas ocasionais, esses animais são treinados para atuar diariamente ao lado de equipes médicas, ajudando crianças a enfrentar procedimentos invasivos, períodos longos de internação e tratamentos desgastantes. Especialistas afirmam que o número desses programas vem crescendo nos últimos anos, impulsionado também por pesquisas que indicam benefícios físicos e emocionais para os pacientes. Segundo Kerri Rodriguez, diretora do Laboratório de Vínculo Humano-Animal da Universidade do Arizona, mesmo interações breves com cães de assistência podem reduzir sinais de estresse, como pressão arterial e níveis de cortisol, além de melhorar o bem-estar geral das crianças. Hadley, o cão de assistência do Hospital Infantil de Cincinnati, está sentado aos pés de Bethany Striggles, de 11 anos, que recentemente terminou um tratamento de quimioterapia para câncer ósseo. AP/Carolyn Kaster “Eles podem proporcionar um pouco de normalidade e conforto em um ambiente muito estressante”, afirmou a pesquisadora. Programas crescem em hospitais pediátricos Não há um levantamento oficial sobre quantos cães atuam hoje em hospitais infantis dos EUA, mas especialistas relatam expansão acelerada da prática. A participação em um encontro anual voltado a cães de apoio hospitalar quase dobrou entre 2024 e 2025, segundo Rodriguez. Hospitais como o Mount Sinai Kravis Children's Hospital, em Nova York, o Norton Children's Hospital, em Kentucky, e o St. Louis Children's Hospital já utilizam cães de assistência há anos. Outros programas continuam sendo criados. Em março, o Johns Hopkins Children's Center apresentou seus dois primeiros cães de apoio. Os animais geralmente são fornecidos por organizações sem fins lucrativos especializadas em treinamento de cães de assistência. Embora os hospitais não paguem pela adoção dos cães, assumem despesas como alimentação, veterinário e manutenção. Calvin Owens, de cinco anos, joga uma bola para Hadley, o cão de apoio da instituição, durante uma sessão de fisioterapia no pátio do Hospital Infantil de Cincinnati AP/Carolyn Kaster Estudos apontam redução de dor e ansiedade Pesquisas recentes reforçam os efeitos positivos da chamada terapia assistida por animais. Um estudo publicado em 2022 analisou relatos de profissionais de saúde de 17 hospitais pediátricos e concluiu que os cães ajudavam a criar vínculos, trazer conforto e tornar o ambiente hospitalar menos hostil para pacientes e famílias. Outro trabalho, publicado em 2021 no Journal of Pediatric Nursing, indicou melhora no controle da dor e da pressão arterial em crianças e adolescentes submetidos a terapias com animais. Os cães também podem incentivar as crianças a se movimentarem mais durante a recuperação. Foi o caso de Bethany Striggles, de 11 anos, que terminou recentemente um tratamento de quimioterapia para câncer ósseo. Ela passou a brincar regularmente com Hadley pelos corredores do hospital. “Ela me ajuda a me exercitar mais”, contou a menina. Calvin Owens, de cinco anos, o segundo da esquerda para a direita, joga uma bola para Hadley, o cão de assistência da instituição. AP/Carolyn Kaster Controle rigoroso de higiene Por circularem em áreas sensíveis dos hospitais, os cães seguem protocolos rígidos de higiene. Hadley, por exemplo, atua na ala de oncologia e doenças hematológicas do Hospital Infantil de Cincinnati, onde muitos pacientes têm imunidade comprometida. Ela toma banho duas vezes por mês e passa por limpezas extras sempre que necessário. Pacientes e profissionais também precisam higienizar as mãos antes e depois do contato com os animais. Em casos de isolamento hospitalar, os cães normalmente não entram nos quartos. A exceção ocorre quando pacientes em estado terminal pedem a presença do animal como forma de conforto emocional. Mais do que companhia Além do apoio às crianças internadas, os cães também ajudam familiares a enfrentar o período de hospitalização. A adolescente Aspen Franklin, de 14 anos, que trata uma doença autoimune grave, criou um forte vínculo com Hadley durante internações frequentes. Segundo a mãe dela, a presença da cadela ajuda inclusive os irmãos da paciente, que ficam afastados dos próprios animais de estimação durante o período no hospital. No fim do expediente, Hadley retorna ao espaço reservado para descanso dentro do hospital. Acima da cama, há um mural repleto de desenhos, cartas e mensagens deixadas pelas crianças. Uma delas resume o papel que esses cães passaram a ocupar na rotina hospitalar: “Obrigada por ser minha melhor amiga”.

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