Revista Oeste
Empresas brasileiras instaladas no Paraguai sob o regime de maquila já foram responsáveis pela transferência de cerca de 25 mil empregos do Brasil para o país vizinho. A estimativa é baseada em dados divulgados pelo governo paraguaio sobre postos de trabalho criados pelas maquiladoras até março de 2026. Atualmente, o Paraguai possui mais de 320 empresas estrangeiras registradas no regime especial de maquila. Cerca de 70% delas são brasileiras. As maquiladoras geraram 35.357 empregos diretos no país vizinho, em grande parte voltados à produção de mercadorias destinadas ao mercado brasileiro. O regime de maquila permite que empresas estrangeiras produzam no Paraguai com incentivos fiscais e custos trabalhistas menores, desde que a maior parte da produção seja destinada à exportação. O avanço do modelo ocorre em meio ao debate sobre redução da jornada de trabalho no Brasil, aumento de custos de contratação e taxação de dividendos acima de R$ 50 mil mensais. Diferenças salariais A Carteira de Trabalho (CLT) brasileira | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil Apesar de o salário mínimo paraguaio ser nominalmente maior que o brasileiro — variando entre R$ 2,3 mil e R$ 2,4 mil — os encargos trabalhistas são significativamente menores. Segundo empresários do setor, um trabalhador formal no Paraguai custa entre 30% e 40% menos que um contratado sob as regras da CLT no Brasil. O sistema paraguaio também possui jornada semanal de 48 horas, contra 44 horas no Brasil. Caso avance a proposta de redução da jornada brasileira para 40 horas semanais, trabalhadores paraguaios passariam a cumprir cerca de 416 horas adicionais por ano em comparação aos brasileiros. Como funciona o sistema do Paraguai O sistema trabalhista do Paraguai não possui FGTS nem encargos equivalentes aos brasileiros. A contribuição patronal previdenciária é unificada em 16,5%, enquanto no Brasil os custos podem chegar a 29% da folha, considerando INSS, Sistema S e seguro de acidente. O país vizinho também não exige benefícios como vale-transporte obrigatório, seguro-desemprego e abono anual semelhante ao PIS/Pasep. Outro diferencial está nas férias e indenizações. No Paraguai, as férias aumentam gradualmente conforme o tempo de empresa e só chegam a 30 dias depois de 10 anos de trabalho. + Leia mais notícias de Economia em Oeste O Código Laboral paraguaio permite maior flexibilidade para acordos individuais entre patrões e empregados, com menor participação sindical nas negociações do dia a dia. Além dos incentivos tributários, empresários citam menos burocracia e menor necessidade de provisionamento trabalhista como fatores para migrar operações industriais ao Paraguai. Apesar disso, a qualificação da mão de obra ainda é vista como um desafio. Segundo a Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, parte dos trabalhadores mais especializados ainda vem do Brasil. O post Paraguai atrai fábricas brasileiras com menos encargos e impostos apareceu primeiro em Revista Oeste .
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