Revista Oeste
O palestrante e influenciador católico Tiba Camargos e sua esposa Andréa anunciaram esta semana que foram obrigados pela Justiça a encerrar a educação domiciliar dos seis filhos, que educavam em casa desde 2018. A decisão veio na forma de uma liminar do Ministério Público do Rio Grande do Sul, com multa diária em caso de descumprimento. Não foi um caso isolado: um casal do interior de São Paulo foi recentemente condenado a cinquenta dias de prisão pela mesma prática. Ressalte-se que as filhas desse casal apresentavam desempenho acadêmico acima da média nacional, com leitura frequente, estudo de idiomas, prática musical e participação cultural. O Estado brasileiro não gostou. Sob seu comando, ninguém pode ficar mais inteligente impunemente. Repare o leitor na audácia. O sistema público de ensino brasileiro — gerido há décadas pela mesma camarilha socialista e totalitária que agora intima famílias a comparecer perante ao que chama de “Justiça” (e que mais se parece com um tribunal revolucionário da Guarda Vermelha maoísta) — entrega resultados que envergonhariam qualquer administrador com um mínimo de pudor. No Pisa 2022, a mais recente edição da principal avaliação educacional do mundo, o Brasil ficou no 64º lugar em matemática, 53º em leitura e 61º em ciências, entre 81 países participantes — atrás de Chile, Uruguai, México e Costa Rica. Em matemática, apenas 27% dos alunos brasileiros atingiram o nível mínimo de proficiência, contra uma média de 69% nos países da OCDE, e mísero 1% alcançou os níveis mais altos de desempenho. Na América do Sul, o Brasil ficou em último lugar em matemática, empatado com Argentina e Peru. É esse sistema — esse monumento ao fracasso pedagógico — que a Justiça brasileira considera indispensável para a formação intelectual das crianças. E que classifica como “abandono intelectual” a decisão de pais dedicados de educar os próprios filhos em casa. Para compreender a lógica dessa indecência atual, convém como sempre recorrer à história. O historiador britânico Orlando Figes, em Sussurros: A Vida Privada na Rússia de Stalin , resumiu com precisão cirúrgica a visão bolchevique sobre a família: uma instituição autocentrada, conservadora, “reduto de religião, superstição, ignorância e preconceito”, cuja influência sobre as crianças deveria ser progressivamente neutralizada pelo Estado socialista. Lilina Zinoviev, precursora do ensino soviético, foi explícita ao palestrar no Congresso de Ensino Público de 1918: “Devemos resgatar os infantes da influência nociva da vida familiar. Devemos racionalizá-los. Desde os primeiros dias de sua existência, os pequenos devem ser postos sob a ascendência de escolas comunistas para aprenderem o ABC do comunismo. Obrigar as mães a entregar seus filhos ao Estado soviético — eis nossa tarefa". São palavras de 1918. Mas que poderiam ter sido repetidos por um dos extremistas de esquerda que hoje infestam o Ministério Público, e que, com seu misto de estupidez e arrogância, decidiram que o casal de homeschoolers não tem o direito de pretender elevar o conhecimento dos filhos para além da mediocridade nacional. O paradigma educacional lulopetista, que aparelhou as escolas brasileiras ao longo de décadas e moldou a mentalidade de boa parte da nossa magistratura progressista, é herdeiro confesso dessa tradição. A escola, nessa concepção, não existe para transmitir conhecimento — os números do Pisa são prova suficiente de que isso não está entre as prioridades —, mas para libertar a criança dos “preconceitos” herdados do ambiente doméstico e entregá-la, devidamente desintoxicada da família, à formação política do grupo hegemônico. Rousseau já intuía o projeto no século XVIII ao escrever que “não se deve abandonar às luzes e preconceitos dos pais a educação de seus filhos, pois ela importa ao Estado mais que aos pais”. Os bolcheviques traduziram o genebrino para o russo. E os magistrados brasileiros — eles próprios um produto da educação lulopetista e paulofreiriana — trataram de fazer o mesmo em mau português. Portanto, o que está verdadeiramente em jogo no caso Camargos não é uma questão técnica de regulamentação educacional. É uma disputa de soberania: a quem pertencem as crianças? À família que as gerou, as ama e as conhece — ou a um Estado degenerado que, em décadas de monopólio pedagógico, mal conseguiu ensiná-las a fazer contas? Leia também: "Homeschooling, o ensino sem as mãos do Estado" , reportagem publicada na Edição 65 da Revista Oeste O post Um Estado degenerado metido a pedagogo apareceu primeiro em Revista Oeste .
Go to News Site