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Copa do Mundo, eleições presidenciais e El Niño: o que esperar?
Revista Oeste

Copa do Mundo, eleições presidenciais e El Niño: o que esperar?

O ano de 2026 parece que foi escolhido para elencar como um dos memoráveis para o Brasil. Nele, teremos o campeonato mundial de futebol da Copa do Mundo, a ser realizado em conjunto nos EUA, Canadá e México, entre 11 de junho e 19 de julho, as eleições presidenciais no Brasil, em 4 de outubro e, entre os dois eventos, a partir do trimestre de agosto-setembro-outubro, uma elevada probabilidade da ocorrência do fenômeno oceânico-atmosférico El Niño. Como alerta inicial, lembremos que neste mês de maio, acompanhamos o quanto as chuvas intensas assolaram vários municípios da região Nordeste e Norte desde o final de abril. A Zona de Convergência Inter-Tropical – ZCIT esteve muito ativa, apresentando classificação entre Moderada ou Severa, especialmente esta última, na região litorânea mais próxima ao continente. Os litorais do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte foram os mais atingidos. As células de trovoadas causaram totais pluviométricos elevados alagando diversas áreas urbanas, mesmo as de baixo adensamento. Inundações foram registradas em alguns bairros das cidades de Olinda e Recife horas após os eventos. Se por um lado as chuvas intensas de março e abril refletiram nos acumulados históricos, causando transtornos nas regiões citadinas, no interior de vários estados nordestinos, houve um grande alívio nas áreas mais secas da região. Embora a ZCIT se desloque para latitudes mais altas ao Norte do Equador a partir de junho, iniciando em breve a temporada de furações no Atlântico Norte, ela sinalizou mais uma vez o quanto as grandes células de trovoadas podem causar estragos consideráveis quando permanecem em um ciclo regenerativo de multicélulas sobre um determinado lugar, como é observado geralmente na ZCIT. Também mostrou como sua componente eleva os totais pluviométricos sobre a área amazônica e ainda pode interferir na circulação Noroeste-Sudeste que atinge os estados do Sul. Isto nos chama a atenção para o próximo quadro de El Niño que se aproxima, pois as preocupações deste ano claramente serão outras. Já estamos literalmente sobre a “linha do gol” para a Copa 2026, mas também para a chegada do El Niño. Enquanto as discussões giram ao redor do futebol e, concomitantemente, as eleições de outubro, aparentemente, a questão climática real dos reflexos do estado oceânico-atmosférico ficaram em terceiro plano, se é que ficaram em algum lugar. Tirando o futebol que se tornará o circo global de distração da vez e de que nada de pragmático poderemos tirar, teremos o processo eleitoral, que por sua vez, já é bastante preocupante por si só. Se computarmos o espectro maligno da esquerda política e o ativismo judicial, aí a perdição se instaurará rapidamente. Porém, no meio deles, estamos com a alta probabilidade da ocorrência da troca do estado oceânico do Pacífico que refletirá significativamente nos quadros meteorológicos regionais sobre todo o país. A pergunta que devemos fazer é: nós estamos preparados para que não se repita o mesmo terror ocasionado entre novembro de 2023 e maio de 2024? A resposta é claramente não. Nestes dois anos não foram tomadas as devidas medidas políticas para a execução das obras necessárias na escala que envolve o conjunto de todos os objetos do Estrato Geográfico, os quais interagem entre si com mais intensidade, quando a fase de El Niño se estabelece. A região Sul do Brasil normalmente é a mais atingida por quadros meteorológicos mais severos, gerados neste estado do oceano Pacífico tropical. A seguir, temos a região Sudeste, a mais populosa, que pode ser impactada com uma estiagem intensa, prejudicando o abastecimento d’água. Depois, o Nordeste que traz um quadro semelhante na região interiorana, com a redução de chuvas. Como sempre alertamos, os fenômenos naturais estão aí e não são os discursos ambientalistas e as falácias climáticas que os fazem maiores do que a realidade. Muito menos as ações de contenção econômica e bobagens de retirada de carbono da atmosfera que os farão sumir, reduzir, ou qualquer outra besteira. Trata-se especificamente de se preparar a sociedade, com inteligência e sabedoria para enfrentar velhos problemas conhecidos, porque não é de hoje, ou dos últimos anos que eles geram aflição na população ou nas forças produtivas do país. O histórico é longo. Aqui não é o caso de dizer, “oh, é mais um El Niño! Estamos condenados!” e nem o contrário, “É só mais um, já sobrevivemos a tantos...”. Os quadros meteorológicos específicos da região Sul durante a fase El Niño, por exemplo, não são preocupantes por causa da quantidade, que pode ser elevada, da mesma forma como pode ocorrer em uma temporada de furacões nos EUA, mas sim porque basta um desses quadros se definir de forma “perfeita” (pelo ponto de vista do fenômeno natural, mas não do humano) para que um desastre de grandes proporções ocorra. Os exemplos mais próximos disto foram os eventos de maio de 2024 e seu análogo de abril a maio de 1941, quando inundações históricas atingiram o Rio Grande do Sul. Situações como esta podem ocorrer no hipotético quadro meteorológico de probabilidade moderada a alta, onde em plena fase de El Niño, o centro de alta pressão semipermanente do Atlântico Sul (anticiclone quente e seco) fica reforçado sobre os estados do Sudeste, podendo se estender ao Centro-Oeste. Com a chegada de um sistema frontal oriundo de um Anticiclone Polar Móvel – APM (anticiclone frio) vindo das altas latitudes haverá um embate, estacionando o sistema frontal entre eles. Esta situação é descrita como “bloqueio”, pois o anticiclone quente é muito intenso e vasto, conseguindo então conter o avanço do sistema frontal. Como a circulação dos ventos em superfície nesta condição forma o tradicional corredor em baixa altitude Noroeste-Sudeste (desde Rondônia até a região Sul), toda a umidade que se concentrar ao Sul da Amazônia seguirá por esse escoamento. Essa concentração será maior por causa da umidade proveniente do Pacífico que transpõe os Andes devido à fase El Niño, mas também será adicionada da umidade do Atlântico tropical, que entre o final de novembro até maio de 2027 trará a sua contribuição com o retorno da ZCIT para o hemisfério Sul (HS). Um sistema frontal estacionado por 4 a 7 dias nestas condições é suficientemente perigoso, causando chuvas moderadas contínuas, com ocorrências de possíveis células de trovoadas que aumentarão significativamente os totais pluviométricos, sobrecarregando as bacias hidrográficas da região, com seus córregos e rios. Três situações podem quebrar esse “quadro perfeito”, a saber: 1 – Quebra do Bloqueio: o sistema frontal não estaciona porque o APM é muito forte e vence a situação do bloqueio, ou o próprio anticiclone semipermanente do Atlântico Sul se enfraquece, não sustentando mais a situação; 2 – Desvio para o Atlântico: o APM e o ciclone extratropical formado pelo sistema frontal acabam cedendo para a circulação de Noroeste-Sudeste mais forte, não vencendo o bloqueio, mas rumando para o Atlântico; e finalmente, 3 – Se no final do ano de 2026, mas especialmente entre março a maio de 2027, quando a ZCIT retornar para o HS, a condição do El Niño já estiver enfraquecida ou desmobilizada. No começo do mês eu recebi alguns materiais compartilhados pelo Biólogo, Professor Leomir Tesser referente aos avisos dados por alguns colegas meteorologistas na internet sobre a severidade do El Niño e a evidente falta de providências tomadas pelas autoridades. Na ocasião, comentei com o amigo professor Tesser que compartilhava os receios dos colegas, mas de uma forma diferente, que se encaixa na explicação anterior do “basta um caso”, adicionado do descaso operacional das autoridades, tanto nas medidas preventivas, quanto as paliativas. Na minha percepção, não me parece que o problema seja simplesmente a fase de El Niño poder despontar como intensa, mas a sua conexão com o quadro em que se encontra o Pacífico desde janeiro de 2020, quando a Oscilação Decadal do Pacífico – ODP entrou na sua fase negativa. Passados seis anos, ela ainda não mudou! Isto significa que o Pacífico tropical Leste tem apresentado temperaturas da superfície do mar (TSM) sempre mais baixas que a média histórica de 176 anos. Na minha observação, a intensidade destes dois últimos El Niños cresceu devido ao aumento do contraste (gradiente) entre El Niño e a ODP. Alertei sobre esta possibilidade no começo do El Niño de 2023-2024. Veremos se esta hipótese se confirma em 2026. De qualquer forma, passados dois anos, os temores dos colegas, tanto meteorologistas como outros profissionais das mais diversas áreas devem servir de alerta. Será que todas as obras necessárias para as condições de emergência foram feitas? Os diques foram inspecionados, assim como os canais de escoamento e casas de bombas? As dragagens, mais do que necessárias, foram enfim permitidas ou esperaremos outro desastre para depois culpar as “mudanças climáticas” ou o estúpido “aquecimento global”? Do desgoverno atual, não dá nem para citar nada, mas como andam as ações dos governadores e outros políticos que deveriam se apresentar engajados na resolução dos verdadeiros problemas que assolam a população? O que vejo são preocupações com a abjeta gerência da água do nosso Brasil ou da facilitação de instalação dos criminosos pedágios automáticos pelas rodovias concessionadas, como se estas fossem as verdadeiras prioridades, as quais na verdade não passam de mais instrumentos de controle do Estado, aplicados ao cidadão e as forças produtivas do país. Exemplos não faltam pelo mundo e as suas consequências. Como não vemos uma discussão séria sequer sobre esses temas, salvo algumas pessoas heroicas isoladas que tentam apresentar estes cenários, então isto nos sinaliza que as prioridades estão muito mais voltadas para a Copa do Mundo e ao pleito político eleitoral do que a segurança vital das pessoas e seu sustento. Para piorar, enquanto os executivos não praticam as devidas ações, agentes do Ministério Público continuam a sua demanda por ordens que já descambaram para a irracionalidade há muito tempo, passando a perigosa linha das questões que envolvem a verdadeira Segurança Nacional, quando impedem que obras e ações que envolvam a infraestrutura crítica sejam executadas, prejudicando setores estratégicos do país. Qualquer graduando em Geografia, com o mínimo de conhecimento das disciplinas da área física do Estrato Geográfico derrubaria os argumentos oferecidos. Se juntar hidrólogos e meteorologistas então, vira uma hecatombe nuclear! Pergunta-se: para que se criou o MP mesmo? Para atender às necessidades nacionais do povo ou para cumprir acordos políticos internacionais de agendas alienígenas aos nossos interesses? É por isso que alerto para essas eleições de 2026, porque precisamos de reformas profundas, pois o expurgo daquilo que é mal se tornou urgente. Será que apenas sou eu quem vê isto. Assim, escolher políticos de esquerda significa estender o caos para todos em um enraizamento profundo, permitindo que eles e seus infiltrados em todas as instituições se abasteçam daquilo que o país tem de melhor a oferecer, enriquecendo sem fim. Por outro lado, também não adianta escolher políticos de “direita”, cujo conhecimento sobre conservadorismo não passa de uma lata de ervilha. Pior, que achem que tudo se resolva no plano de economia liberal ou de privatização. Precisamos de gente, não só com força e coragem para enfrentar quadrilhas que assaltaram o país, mas que apresentem inteligência e estratégia para exercer o poder de forma a desmobilizar toda a infraestrutura lógica que engessou e tomou o Brasil. Se esses políticos não se apresentarem com programas de governo que reestruturem esse Estado coercitivo e controlador, estamos então apenas perdendo tempo. Enfim, a nossa indagação inicial ainda é válida. Para qual das situações nós estaremos preparados? Para a Copa 2026? Para as eleições? Ou para algum quadro meteorológico severo ocasionado pela fase El Niño? Em breve, saberemos os resultados. Leia também: "Há cem anos, um menino travesso quase secou o Rio Amazonas" , artigo publicado na Edição 186 da Revista Oeste O post Copa do Mundo, eleições presidenciais e El Niño: o que esperar? apareceu primeiro em Revista Oeste .

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