Revista Oeste
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) negou o fechamento de um acordo de delação premiada com o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto. Os promotores justificam a recusa com a descoberta de que o investigado escondeu informações cruciais sobre o seu patrimônio. O MP-SP acusa Silva Neto de liderar um esquema bilionário de ressarcimento ilegal de créditos de ICMS que beneficiou grandes redes varejistas como a Ultrafarma e Fast Shop. Ele cumpre prisão preventiva desde agosto de 2025, data da deflagração da Operação Ícaro. + Leia mais notícias de Política em Oeste O Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Direitos Econômicos (Gedec) barrou a colaboração devido a omissões graves cometidas pelo ex-auditor durante as negociações confidenciais. Em nota, o órgão afirma que o proponente faltou com a verdade e deixou de relatar crimes de grande impacto financeiro. As investigações independentes da Promotoria descobriram que o ex-auditor omitiu os seguintes bens e valores: Propinas ocultas: O recebimento de mais de R$ 152 milhões em propinas pagas pela rede de lojas Fast Shop no decorrer do ano de 2025; Fortuna em criptoativos: A existência de uma carteira com 277 bitcoins, patrimônio digital avaliado em mais de R$ 100 milhões. https://www.youtube.com/watch?v=Kz5KycAszRc Segundo o Ministério Público, a conduta desleal do investigado inviabilizou a assinatura do termo definitivo. O órgão reitera que a legislação exige total transparência por parte do colaborador. Ex-auditor alega "armadilha" e uso ilegal de 33 dossiês A defesa de Artur Gomes da Silva Neto enviou uma petição e uma carta manuscrita à Justiça com pesadas acusações contra os promotores. O réu afirma que as tratativas de delação funcionaram como um artifício ardiloso da Promotoria para extrair confissões de forma antiética. Leia mais: “ MP denuncia dono da Ultrafarma por organização criminosa ” Sob forte pressão psicológica na cadeia, o ex-auditor trabalhou durante dois meses na produção de 33 dossiês sigilosos. Os documentos reúnem dados autoincriminatórios e citam a participação de empresários, intermediários e outros fiscais da Secretaria da Fazenda (Sefaz-SP). Leia mais: “ Antes de ser preso, dono da Ultrafarma confessou crimes e fechou acordo com o MP ” O advogado Julio Boccalini argumenta que o MP negou o acordo, mas reteve o proveito informacional dos papéis para abrir novas linhas de investigação, como a Operação Fisco Paralelo. A defesa sustenta que um termo prévio proibia expressamente o uso dessas confissões caso o negócio fracassasse. "A lei não autoriza colaboração premiada informal, vazada, seletiva e sem controle", declarou o defensor no processo. Promotoria nega irregularidades e cita independência das provas O Ministério Público nega o uso indevido dos dossiês de Silva Neto nas ações em andamento. A instituição garante que todas as evidências contra as empresas do comércio varejista, como a Ultrafarma e a Fast Shop, decorrem de apurações autônomas construídas antes das reuniões de delação. Sidney Oliveira - Dono da Ultrafarma é preso em operação do Ministério Público de São Paulo para desarticular esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria de Estado da Fazenda. pic.twitter.com/j6Ah2souwP — Nos Trends BRASIL (@nostrendsbrasil) August 12, 2025 O acervo probatório do Gedec se baseia em quebras de sigilo bancário, relatórios fiscais da Sefaz-SP e mensagens extraídas do telefone celular do réu, recolhido em 2025. Os promotores também esclarecem que os dados sobre os pagamentos ilegais surgiram em um acordo de não persecução penal firmado voluntariamente pela própria direção da Fast Shop. O Tribunal de Justiça de São Paulo analisou a condução do caso e já rejeitou parte dos argumentos de nulidade da defesa em um julgamento de habeas corpus realizado neste mês de maio deste ano. O post MP-SP nega delação de ex-auditor que acusa Promotoria de ‘artifício ardiloso’ apareceu primeiro em Revista Oeste .
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