Jornal O Globo
Os militares dos Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira ataques classificados como "de autodefesa" contra lançadores de mísseis e embarcações iranianas na região do Estreito de Ormuz, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom). De acordo com os militares, as ações ocorreram para proteger tropas americanas de ameaças das forças iranianas, em meio ao cessar-fogo e às negociações para encerrar a guerra. 'Negociações em andamento': Trump afirma que EUA não vão 'se precipitar' em acordo com o Irã; Ormuz está no centro das discussões Veja: O que se sabe sobre o acordo entre EUA e Irã que Trump diz estar 'em grande parte negociado' "As forças dos EUA realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã hoje para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas", disse o porta-voz do Centcom, Timothy Hawkins, à CNN em comunicado. "Os alvos incluíram lançadores de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas. O Comando Central dos EUA continua defendendo nossas forças enquanto atua com contenção durante o cessar-fogo em andamento." No início de maio, forças americanas também atingiram instalações militares iranianas após ataques considerados "não provocados" contra navios de guerra dos EUA que transitavam pela região. Acordo segue pendente Enquanto a situação em Ormuz segue tensa, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira que a Arábia Saudita, o Catar e o Paquistão normalizem as relações com Israel como parte de um acordo de paz com o Irã. Por sua vez, o Irã já havia alertado que ainda não está perto de chegar a um acordo de paz com os Estados Unidos, embora tenha havido progresso. Trump argumentou que "após todo o trabalho realizado pelos Estados Unidos para resolver em conjunto esse quebra-cabeça muito complexo, deveria ser uma obrigação de todos esses países, no mínimo, assinar os Acordos de Abraão", assinados a partir de 2020, que normalizaram as relações entre Israel e os países árabes. Initial plugin text — Os países em questão são Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (que já é membro), Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein (que também já é membro) — acrescentou. Nos países muçulmanos que já fazem parte dos Acordos de Abraão, esses acordos gozam de pouca popularidade entre seus habitantes, principalmente porque não abordam o conflito palestino-israelense. Países como a Arábia Saudita e o Catar declararam que jamais normalizarão suas relações com Israel a menos que um Estado palestino independente seja criado. Uma delegação iraniana liderada pelo negociador-chefe, o presidente do Parlamento Mohammad Baqer Ghalibaf; pelo ministro das Relações Exteriores Abbas Araqchi; e pelo governador do Banco Central Abdolnaser Hemmati, viajou ao Catar nesta segunda-feira para avançar nas negociações. Uma fonte próxima ao assunto indicou que a visita tem como foco questões relacionadas ao Estreito de Ormuz, ao urânio altamente enriquecido e à questão dos fundos iranianos congelados. Na manhã desta segunda-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, voltou a alimentar as expectativas de um acordo iminente, depois de ter afirmado no fim de semana que era possível que "o mundo recebesse boas notícias nas próximas horas". — Pensávamos que poderíamos ter notícias ontem à noite [domingo], ou talvez hoje [segunda-feira], mas eu não daria muita importância a isso — disse Rubio em Nova Délhi, referindo-se ao possível acordo. Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, respondeu que "isso é algo que ninguém pode afirmar com certeza". 'Esmagar' o Hezbollah O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta segunda-feira que ordenou ao Exército que intensificasse sua ofensiva no Líbano para "esmagar" o Hezbollah, depois que, segundo ele, o grupo apoiado pelo Irã atacou forças israelenses com drones. "Ordenei a aceleração de nossas operações", declarou o primeiro-ministro israelense em um vídeo publicado em seu canal no Telegram. O líder israelense declarou no domingo que concordou com Trump que "qualquer acordo final com o Irã deve eliminar completamente a ameaça nuclear" antes que a paz possa ser alcançada. As forças americanas e iranianas mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto as negociações diplomáticas continuam em busca de uma solução para o conflito. Mesmo assim, o Irã continua bloqueando a navegação no Estreito de Ormuz, e os EUA continuam bloqueando os portos iranianos. Baqai afirmou que o Irã continuará controlando o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz mediante a cobrança de taxas, mas garantiu que isso não significa que Teerã queira "cobrar pedágios".
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