Jornal O Globo
A formação de uma nova frente fria sobre o Sul do país deve mudar o tempo entre esta segunda-feira e terça com avanço de áreas de instabilidade, chuva mais intensa entre Santa Catarina e Paraná e manutenção das temperaturas amenas em parte do Centro-Sul. O sistema começa a se organizar ao longo da tarde e da noite desta segunda, em um processo de ciclogênese no oceano, e deve provocar aumento da nebulosidade e pancadas acompanhadas de vento em diferentes pontos da Região Sul. Chegada do verão provoca onda de calor na Europa com máximas mais de 10°C acima da média; França terá 35°C El Niño avança no Pacífico, mas cientistas ainda veem incerteza sobre evento extremo; entenda Segundo a meteorologista Andrea Ramos, os primeiros sinais da frente já aparecem nos modelos meteorológicos, principalmente sobre Santa Catarina e o sul do Paraná, onde os acumulados tendem a ser mais elevados. — Os modelos mostram uma intensificação rápida desse sistema no Sul do país. Santa Catarina aparece como a área de maior atenção, com possibilidade de chuva persistente ao longo do dia e volumes mais expressivos em alguns pontos — afirmou a meteorologista. Os mapas de probabilidade de chuva do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam maior chance de acumulados justamente entre o litoral catarinense, áreas do Paraná e o nordeste do Rio Grande do Sul. No estado gaúcho, a tendência é de chuva mais isolada, concentrada principalmente na faixa nordeste. O modelo GFS, utilizado internacionalmente para previsão atmosférica, também projeta intensificação das áreas de chuva no Sul associadas à formação de um centro de baixa pressão. Em alguns pontos, há risco de trovoadas e rajadas de vento. Mesmo com a mudança no tempo, o ar frio ainda segue atuando sobre o país, embora com menos intensidade do que na semana passada. As temperaturas continuam baixas durante as madrugadas no Sul e no Sudeste, enquanto as máximas sobem pouco ao longo do dia por causa da nebulosidade. No Rio Grande do Sul, cidades da campanha e da serra ainda devem amanhecer com marcas abaixo dos 10 graus. Há previsão de geada mais restrita, principalmente em áreas de maior altitude do Sul do país. O mapa de ocorrência do fenômeno mostra redução significativa em relação aos últimos dias, quando o frio avançou de forma mais ampla. — O frio permanece sobre parte do Centro-Sul, mas sem a intensidade observada na última semana. A presença maior de nebulosidade também reduz a variação de temperatura entre manhã e tarde — disse Andrea Ramos. No Sudeste, a frente perde força à medida que avança. Em São Paulo, a expectativa é de chuva isolada apenas em áreas do extremo sul do estado e da faixa litorânea. Na capital paulista, o cenário ainda é de muita nebulosidade, mas sem indicativos de acumulados expressivos. O tempo continua mais seco no interior do Brasil. Os mapas de umidade relativa mostram índices baixos entre o Centro-Oeste, interior do Sudeste e parte do Matopiba, reflexo da massa de ar quente e seca típica da transição para o inverno. As temperaturas máximas seguem elevadas principalmente no Centro-Oeste e no interior do Nordeste. Estados como Mato Grosso, Tocantins, sul do Pará e oeste da Bahia devem registrar marcas acima dos 30 graus durante a tarde. Na faixa leste do Nordeste, a circulação de ventos úmidos mantém condições para chuva entre o Rio Grande do Norte e Alagoas. Há previsão de pancadas persistentes em alguns momentos do dia, sobretudo entre o litoral potiguar e paraibano. — A entrada de umidade continua favorecendo chuva em parte do litoral do Nordeste. Entre Rio Grande do Norte e Paraíba, os volumes podem ser mais elevados em alguns períodos do dia — afirmou a meteorologista. Em Salvador, a previsão também indica retorno da chuva, ainda que de forma irregular. A capital baiana deve ter aumento de nebulosidade e pancadas ao longo do dia. Na Região Norte, o calor e a elevada umidade continuam estimulando pancadas típicas de fim de tarde, principalmente no norte do Amazonas, Amapá e norte do Pará. A atuação residual da Zona de Convergência Intertropical ainda favorece a formação de nuvens carregadas sobre parte da Amazônia e do litoral norte do país. — A combinação entre calor e umidade mantém a formação dessas áreas de instabilidade no Norte do país, especialmente sobre o Amapá e o norte do Pará — declarou Andrea Ramos.
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