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Como as redes sociais mudaram a relação das marcas brasileiras com o exterior | Collector
Como as redes sociais mudaram a relação das marcas brasileiras com o exterior
Jornal O Globo

Como as redes sociais mudaram a relação das marcas brasileiras com o exterior

Durante muito tempo, falar sobre comércio exterior parecia assunto restrito a grandes indústrias e multinacionais. Nos últimos anos, porém, a globalização dos negócios passou a ocupar um espaço cada vez mais presente também no universo de influenciadores, marcas autorais, celebridades e empreendedores ligados à economia digital. Em um cenário impulsionado pelas redes sociais, pela cultura do consumo global e pela busca por diferenciação, produtos importados, experiências internacionais e conexões com outros mercados deixaram de fazer parte apenas dos bastidores corporativos e passaram a integrar estratégias de posicionamento e crescimento de diferentes negócios. Entenda: Como influenciadoras brasileiras estão moldando a nova economia digital De influenciadores a empreendedores: como brasileiros usam a internet para alcançar independência O movimento acompanha uma transformação mais ampla na forma como empresas brasileiras enxergam expansão, branding e competitividade. Da moda à beleza, passando por tecnologia, alimentação e lifestyle, cresce o interesse por operações ligadas à importação, exportação e circulação internacional de produtos e serviços, especialmente entre marcas que nasceram na internet e têm forte relação com comportamento e presença digital. Para o empresário Luizandré Barreto, o comércio exterior deixou de ser apenas uma questão de custo e passou a envolver construção de estratégia. "Hoje existe uma preocupação maior em entender mercado, posicionamento e experiência. Não é só trazer um produto de fora. As empresas querem compreender como aquilo se conecta ao consumidor brasileiro e como gera valor para a marca", afirma. Natural do Recife e com trajetória construída em Alagoas, Luizandré começou a trabalhar no setor comercial ainda jovem, em um negócio familiar em Maceió. O contato com o mercado internacional veio a partir de projetos ligados ao desenvolvimento de produtos na China, experiência que ampliou sua atuação para negociações e operações de comércio exterior voltadas ao varejo. Nos últimos anos, passou a participar de projetos relacionados à estruturação de operações internacionais em empresas do varejo e de iniciativas voltadas à qualificação empresarial. Também esteve envolvido em missões para mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia, em um movimento que acompanha o interesse crescente de empresas brasileiras por estratégias de expansão e conexão com outros mercados. Segundo Luizandré, o interesse por conexões globais cresceu junto à valorização da imagem e da experiência no ambiente digital. "As redes sociais mudaram a velocidade do consumo e da informação. Hoje uma tendência nasce em outro país e rapidamente desperta interesse no Brasil. Isso fez muitas empresas perceberem a necessidade de olhar para fora", diz. O avanço da economia digital também ampliou discussões sobre qualificação profissional voltada à tecnologia e aos negócios internacionais. Nos últimos anos, iniciativas ligadas à comércio exterior passaram a incorporar temas como inteligência artificial, mercado digital e formação para novas demandas do trabalho conectado. Nesse contexto, a Câmara de Fomento Internacional (CFI), presidida por Luizandré, passou a desenvolver projetos voltados à capacitação de jovens e adultos para atuação em áreas ligadas à tecnologia e ao mercado global. "Hoje existe uma integração maior entre comércio, tecnologia e circulação internacional de informação. Isso também muda o perfil dos profissionais buscados pelas empresas", explica. Luizandré Barreto analisa a expansão de marcas brasileiras para o mercado internacional Divulgação A discussão acompanha um momento em que empreendedorismo, influência digital e presença internacional passaram a se cruzar com mais frequência. Marcas criadas por influenciadores, empresas ligadas ao lifestyle e negócios impulsionados pelas redes sociais passaram a buscar estratégias que dialoguem não apenas com o mercado nacional, mas também com tendências e oportunidades globais. Para Luizandré, a internacionalização deixou de ser um objetivo distante e passou a integrar o planejamento de diferentes perfis de empresas. "Muita gente ainda associa comércio exterior apenas a grandes corporações, mas hoje existem negócios menores olhando para fora desde o início, principalmente os ligados à internet, comportamento e consumo", conclui.

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