Jornal O Globo
Os Estados Unidos seguem como parceiro de peso do Brasil na troca de conhecimento científico. Pesquisadores americanos são os principais coautores estrangeiros de artigos produzidos em São Paulo; e o país, com a maior demanda espontânea no estado na busca por bolsas no exterior, segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A procura também continua firme no Programa Fulbright, um dos carros-chefe do intercâmbio acadêmico entre Brasil e Estados Unidos. Brasil Soberano 2: BNDES somará R$ 21 bi para empresas afetadas por tarifaço de Trump e guerra no Irã Summit Valor Brazil-USA: Brasil é 'mediador' e precisa ampliar influência no cotidiano dos EUA, diz diplomata Por outro lado, o país, que até 2023 era o principal destino dos bolsistas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ligada ao Ministério da Educação), hoje ocupa a quarta posição, atrás de Portugal, Espanha e França. — O maior interesse por outros países pode estar ligada à redução do financiamento à ciência nos Estados Unidos — afirma Rui Oppermann, diretor de relações internacionais da Capes No ano fiscal de 2025, por exemplo, o National Institute of Health (NIH), principal agência americana de fomento à pesquisa biomédica, deixou de apoiar cerca de 2.700 projetos científicos, segundo levantamento realizado pelo jornal The Washington Post. Mesmo assim, Oppermann ressalta que o vínculo acadêmico entre os dois países continua forte: — Os Estados Unidos seguem como parceiro importantíssimo, em todas as áreas, até pela construção histórica de relacionamento entre programas de pós-graduação e entre pesquisadores brasileiros e americanos. Segundo ele, nos últimos anos as áreas com mais bolsistas nas universidades dos EUA são ciências biológicas, agrárias e da saúde. Os programas internacionais da Capes se dividem em dois grandes eixos. No primeiro, as bolsas são concedidas a programas de pós-graduação no Brasil, que têm autonomia para selecionar candidatos, definir os temas de pesquisa e escolher a instituição de destino no exterior. Veja novidades: Brasil atrai os maiores lançamentos da aviação executiva global A outra modalidade envolve parcerias diretas entre a Capes e universidades estrangeiras. A Purdue, por exemplo, recebe doutorandos e pós-doutorandos em engenharias e ciências agrárias, com atuação em temas como energia, agricultura de precisão, genética vegetal e inteligência artificial. Já em Harvard, o foco recai sobre as áreas de ciências biológicas, exatas e tecnológicas. No caso, a seleção é feita pela própria Capes. Na Universidade de São Paulo (USP), os Estados Unidos mantêm a posição de principal parceiro internacional nas publicações científicas, segundo Carlos Gilberto Carlotti Junior, presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani) e ex-reitor da instituição. Em 2025, pesquisadores da universidade assinaram 3.696 trabalhos científicos em coautoria com colegas americanos. Os números da Fapesp apontam na mesma direção: foram seis mil artigos assinados no ano passado por coautores americanos. Medicina lidera, com cerca de 25% do total, seguida por agricultura (9,6%), física e astronomia (8,4%) e engenharias (4%). A cooperação também aparece no deslocamento de professores da USP. No ano passado, 678 deles estiveram nos Estados Unidos para atividades de curta duração ou pós-doutorado. Já no fluxo inverso, pelo menos 31 docentes americanos foram recebidos pela universidade. O número é subestimado, pois nem sempre as unidades informam a chegada de estrangeiros. Initial plugin text De saúde à política Os resultados do intercâmbio na USP vão do desenvolvimento de testes para detectar a presença do vírus da febre Oropouche no sangue a estudos sobre o papel de políticos e corporações na corrupção de países da América Latina — caso, por exemplo, do livro “Corruption in Latin America: How Politicians and Corporations Steal from Citizens”, de 2019. Editada pelo então professor de Harvard Robert Rotberg, a obra reúne, entre os autores, pesquisadores da USP, e nasceu de aulas e debates conduzidos pelo americano nos quatro meses em que passou como professor da Cátedra Fulbright no Instituto de Relações Internacionais (IRI). — É um produto típico de interface de pesquisa — diz Pedro Dallari, diretor do IRI. Responsável pela cátedra, o Programa Fulbright envia todo ano cerca de cem brasileiros para universidades americanas e traz número semelhante de americanos para instituições brasileiras, em nível de pós-graduação e pesquisa. Do lado brasileiro, participam instituições como a USP, as universidades federais de Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Nos EUA, os bolsistas do Programa Fulbright são recebidos por universidades como Harvard e Yale, entre outras.
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